quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

A VIDA ESTÁ ESCREVENDO UMA HISTÓRIA

Maria e Estevan: esperança de novo mares de paz (Arquivo JRS)

         Hoje é aniversário do nosso querido amigo Jorge Ivam. Não fosse a intervenção do padrinho, caso seguisse o almanaque dos dias dos santos, seria Silvestre. Assim acaba mais um ano. E vamos cantar pela vida do Jorge!

      Para celebrar com esse amigo que teve origem na Bahia, devo recorrer a outro de igual talento e humanidade: Santiago Bernardes, que também veio de outras terras, mas escreve a partir da vivência no Camburi. Assim "as ilhas se aproximam"!

     Ser Silvestre, do Jorge, e, Gente de chão e de mar, do Santiago, se cruzam em meus pensamentos. Me sinto agora, olhando o tempo lá fora, como se estivéssemos juntos tomando um café e proseando. Que o próximo ano seja melhor a estes e tantas outras tantas pessoas da parceria, de empenho pelos mares de paz!


     Terra é solo de solidão. Nesses sombrios tempos de sofreguidão do chão. Tapam as raízes com concreto. Rasgam a floresta com asfalto. E dizem não. Não ao plantio da cultura. Não à tradição. O solo suporta o peso da humanidade crescente. Esmaga-se sob condomínios, prédios, cidades, mas esmaga-se mais sob a incompreensão. O manguezal sufocado respira ainda. Raízes enroscadas em plásticos. As praias espremidas entre os prédios e o Atlântico vão-se se tornando finas faixas de areias abafadas. Entre a massa de gente que a pisa e o jundu que vai deixando de existir. Os guaiamuns buscam suas tocas e não encontram, tampadas por cimento. Os rios estão murados em sua saída para o mar e já não podem mover-se. A terra tenta mover-se em seus ciclos de milhões de anos. Uma pequena espécie tenta contê-la. Com maquinas, construções, engenharias. Mudar os caminhos de seus rios e o chão de suas florestas. Mas não consegue. As águas e a terra prevalecem sobre suas invenções.


Cresci, fui morar numa pequena cidade,

Depois mudei-me para uma metrópole.

Frequentei colégio e faculdade

Entre gente branca e esnobe,

No meio da qual, eu era ave rara.

Enfim, fiz tudo para cumprir o destino

Que meu padrinho preconizara,

Mas, ai, falhei! Não tive tino.

Na urbe, vivo arredio , acocorado

Como um bugre recém-capturado.

Ao sol-posto, vejo com alarme

Que nem o título de mestre,

Serviu para civilizar-me;

Continuo inculto, silvestre.


     Vai-se um ano de tantas vidas desperdiçadas. Convictos na vida-luta que segue, tenhamos um protagonismo pela VIDA. É ela que está escrevendo uma HISTÓRIA. 

        Boas festas, minha gente! Parabéns, Jorge!

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