sexta-feira, 1 de março de 2013

PROA DA CANOA



Canoa de luta - década de 1970 (Arquivo  Mendonça)

O tema é inspirado numa poesia do Júlio e no seguinte fragmento de música do Luiz Perequê:

Meu amor eu vou sair
Num vento de travessia
Na proa dessa canoa
Sem rumo, remo
Nem quilha.
 
Lembrança revira tempo
Saudade, refúgio, ilha
Porto seguro é seus braços
Naufrágio da maravilha
Ô canoeeeiro, ô canoa.


A aceitação de sermos a “terra de muitas canoas” se deve a uma verdade que persiste, mesmo que em menor intensidade: as embarcações, as simples canoas, são muitas e continuam lindas! 
Nos momentos de reminiscências, é difícil eu deixar de enxergar canoas desde as Galhetas até o Camburi nas suas muitas serventias (transporte, pescaria, lazer).
Elas estão no Canto das Galhetas, onde a monazítica predomina rodeando os ranchos das embarcações e dos apetrechos de pescaria, sombreados por abricoeiros, pés de aroeira e de amendoeiras, rente à boca-da-barra do Tabatinga, onde os Barrasseca, Oliveira e mais dois ou três são as raízes da “gente do sul”, conforme repetia a dona Josefa, mãe do João de Souza.
Na praia Mansa, com a “areia grossa”emperrando o sobe-e-desce das poucas canoas dali, me vejo conversando com João Araújo, Aristeu Quintino e o povo do lugar que é um paraíso. Quase todos eram parentes do velho Ambrósio, um caiçara bom de prosa:                                "A Mansa, bem ali, é praia funda. No meu tempo de criança, cação bravo chegava no perau, no Canto do Corondó, em frente de onde mora a Filhinha. Era por isso que pouca gente tinha coragem de fundear o corpo naquele lugar. O meu tio-avô perdeu o movimento numa das pernas depois de uma bocada de anequim, quando desembarcava de uma viagem de mandioca da ilha do Tamanduá”.
E a lógica decorrente do medo e da necessidade de sobrevivência: “É por isso que ninguém pode viver sem uma canoa. Agora mesmo, o Oliveira Quintino está no mato escavando uma timbuíba  que vai dar quatro palmos de boca”.

Ah! Quanto eu aprendi desse povo canoeiro!

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