sexta-feira, 13 de abril de 2012

MAZZAROPI NA PRAÇA

Resolvi deixar a última parte de "Jesus" para amanhã. O Júlio é incrível! Parece que foi ontem toda esta narrativa da Banda das velhas virgens! O que não faltou foi figurantes! Se procurar bem, as nossas carinhas de quase jovens estão por aí. E na estreia, então!? Parece que toda a população da cidade queria ver como ficaram os nossos logradouros e praias na telona! Maravilhoso! Parabéns ao neto do saudoso Lindolfo!

Largo da Matriz. O obelisco servia de base para as brincadeiras de pique-será, soldadinho-salve e esconde-esconde. No coreto, “a furiosa” punha-se a tocar as mais variadas músicas do popular brasileiro. Carrinhos de pipocas, algodão doce, amendoim e ainda o carrinho de bugigangas do inesquecível Bem-te-vi, um baiano (foi o primeiro camelô de Ubatuba), que para atrair a criançada imitava o passarinho, que sempre foi comum nas grimpas das palmeiras imperiais.

Praça Exaltação da Santa Cruz. Do lado da rua dona Maria Alves: a farmácia do Filhinho, a bicicletaria do Dito Bento, a pensão do Braga, o artesanato do Lacerda e o atelier de João Teixeira Leite. Pela rua Condessa de Vimieiro, tínhamos o bar do Pradinho, o bar do Franklin, o armazém do William e o mais importante centro de diversões de Ubatuba, o Cine Iperoig, que quando apresentava filmes de bang-bang ou de romance tinha seus assíduos telespectadores. Mas nada se comparava quando o cartaz anunciava: “Chofer de Praça”, “O Lamparina”, “Um Caipira em Bariloche”, “O Jeca e a Égua Milagrosa” e tantos outros, dentre os 32 filmes de Mazzaropi. Aí sim! Aí era uma festa! A praça ficava repleta, tanto na matinê como na sessão noturna. Não havia um lugar sequer para se sentar; aquela muretinha de frente ao cinema parecia poleiro de baitacas. Ali era o lugar dos mais diversos tipos e figuras da miscelânea ubatubana. Dentre todos, tinha uma figura especial, uma pessoa que se destacava com suas brincadeiras, suas risadas, seu falar, seu andar, seu gesticular, enfim, o carinho que as pessoas tinham por ele era coisa incomum. “Zezinho” do Zé Diniz, lanterninha do cinema, era essa a figura.

Depois de ter rodado o filme “Jeca e seu filho preto”, na cidade de São Luiz do Paraitinga; Mazzaropi fez questão também de fazer umas externas aqui em Ubatuba, onde em 1979 produziu o filme “A banda das velhas virgens”. O cenário foi o Largo da Matriz, em que protagonizou como maestro da banda, tendo como palco o coreto de nossa praça. Esse filme deu o que falar; acredito que foi o de maior dificuldade para Mazzaropi e sua equipe, pois em apenas uma cena, houve mais de dez cortes.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!! Corta! Erro na fala do personagem. Outra vez.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!! Coorta! Faltou iluminação. Outra vez.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!! Cooorta! O padre esqueceu o chapéu.

Até aí os erros eram normais, coisas de filmagens. Outra vez, desta vez não tinha erro, segue a cena, pedia o diretor.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!! Coooorta!

O que foi agora? Adivinhem quem passou na frente das câmeras? Ele mesmo, “Zezinho” do Diniz! Outra vez.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!! Cooooorta!

De novo? De novo! Agora foi o Tarzan, um funcionário do Bananinha da Casa Lippi, que atravessou, carregando um saco de batatas nas costas, por detrás da cena. Aí a coisa começou a ficar, tanto hilária como nervosa: de um lado os curiosos riam sem parar, do outro lado os artistas já demonstravam cansaço e o diretor ficava bravo. Dez minutos de descanso e outra vez deram início.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!! Coooooorta!

Não é possível, de novo ele, o “Zezinho” do Diniz,  novamente passou de frente às câmeras.

- Chamem a polícia! - Ordenou o diretor para que fizessem um cordão de isolamento para não deixar ninguém passar.

Tudo arrumado, tudo em segurança, agora não teria erro.

- Cena 8, atenção, luz, câmera, ação!!!

A cena corria normal já há três minutos; de repente ecoa pelo ar um “Preeeeeeeeeeeeeeeeega fooooogo”.

- Coooooooorta porr...! - Gritou, já de saco cheio, o diretor. - Quem que deu esse grito?

Todos os curiosos já sabiam, menos o elenco e a direção da filmagem. Era o vovô Lindolfo que passava pela Maria Alves e vendo o povaréu reunido, deu o seu famoso e estridente grito que tirava a atenção de qualquer um: “Preeeeeeeeeega fooooogo, não deixa a vaca deitar”.

- Guardem os equipamentos, amanhã refazemos a cena! - Ordenou Mazzaropi, já estafado com a difícil e demorada cena, que se sucedia às portas da Igreja Matriz.
O filme rodado em nossa cidade foi o penúltimo de uma série de 32 filmes de sua carreira. Mazzaropi nasceu em São Paulo - Capital em 1902 e veio a falecer em 1981, no meio do seu 33° Filme. De norte a sul, foi campeão de bilheteria.

Um comentário:

  1. Coisa de Caiçara
    Tive a honra e alegria de alem de ser filho de criação do Amácio Mazzaropi ser seu filho do jeca no filme A BANDA DAS VELHAS VIRGENS, faço o filho do jeca na cadeira de rodas, MAIOR E MELHOR DOS PERSONAGENS QUE FIZ COM MEU PAI O MAZZAROPI, melhor de tudo em Ubatuba-SP (ubatuba, sim, sim , sim ela tem lindas prais de areia dourada,...) grata lembrança sucesso nacional, levo até os dias de hoje Mazzaropi Brasil afora, em 2012 relembraremos os momentos vividos na Praça Exaltação com a produção do filme O Filho do Jeca; só uma correção nosso Mazza nasceu em 1912, sequer teve tempro pra pensar em produzir seu 33º, foi sim campeão de bilheteria só com os seus 24 filmes da PAM FILMES levou aos cinema do Brasil 206.779.311-(Duzentos e seis milhões, setecentos e setenta e nove mil trezentos e onze pessoas); Mazzaropi sinonimo de sucesso e UBATUBA FAZ PARTE DISTO.

    André Luiz Mazzaropi - O Filho do Jeca.

    ResponderExcluir