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| Touca da Nini - Arquivo JRS |
Janeiro chegando ao fim. Em fevereiro aniversaria coisasdecaicara.blogspot.com (estará completando quinze anos).
Eu, aos quinze anos, depois de trabalhar mais de ano num bar sem nenhuma folga, recebi em dinheiro um mês de férias e passei a ter uma folga semanal a cada segunda-feira. Que venha a escala 5 por dois ou outra melhor.
Logo completando quinze anos, o blog tem 2.210 postagens, 208 seguidores e 1.047 comentários. Preguiça de escrever eu não tenho. Ah! Também tem as contribuições de gente muito estimada! Que bom, né? Saiba quem me segue e lê as crônicas: tá tudo guardado no coração!
Por que guardo tantas coisas? Por causa de suas histórias! Quase sempre elas têm relações com momentos e/ou com pessoas que muito admiro. Exemplo: olho um passarinho esculpido num pequeno pedaço de madeira e nunca me esqueço que foi presente de casamento que o tio Antônio nos deu: "Este sabiá foi escavado pelos meninos lá de casa, pelos vossos primos. É um presente de coração". Você notou que há uma história que me faz guardar com muita devoção essa obra e tantas outras?
Bilhetes, ferramentas, desenhos e muito mais coisas são carregados por mim porque estão repletos de significados invisíveis e intangíveis. Eu atribuo a essa enorme quantidade essências afetivas. Elas mandam! São ítens especiais que me provocam sentimentos especiais. É por isso que tenho o meu olhar nelas: a canoinha, presente do Pedro, veio da ilha dos Búzios, o remo, feito pelo finado Bito Estevão, é da Caçandoca, o nível de ferro era do senhor Honda, os serrotes que pertenceram ao meu saudoso pai, a touca feita pela Nini, a manta confeccionada com tanto esmero pela querida Gal, a boina presenteada pelo Bentão etc. Alguém escreveu que ter sentimentos em relação a um objeto equivale a fazer julgamentos sobre ele. Acho que é mesmo!
Vou à praia da Barra Seca, em Ubatuba, avisto a canoa CERNE, sei que foi a última escavada por meu pai alguns anos antes de falecer. Sigo admirando. Concordo que a conotação afetiva nasceu de uma crença cultivada por mim na história do objeto, nas pessoas envolvidas nela. Meus afetos precisam disso, meu condicionamento emocional se sustenta nessas histórias e nessas essências.
O meu desejo é que não me falte energia para manter esta paixão em deixar registrado tudo que segue brotando em meu ser.

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