terça-feira, 20 de janeiro de 2026

A RUÍNA SE ALASTRA

 

Henfil, o genial - Arquivo Henfil 

       Se há pobres, há ricos. Lógico, né? Triste quadro. Muitos são empobrecidos para formar a riqueza de poucos. De pouquíssimos! No entanto, esse mínimo de privilegiados são devotados, tidos como heróis para muita gente. "A maioria deles", dizem ao meu redor, "fizeram por merecer". Alguns  desses aproveitadores recebem títulos engrandecedores, ganham nomes de logradouros públicos e até mesmo estátuas. Por aqui topamos com rua rei beltrano, praça prefeito fulano, avenida general sicrano de tal etc. E isto se repete em Ubatuba e Brasil afora! 

      Triste situação! Deixamos de perceber o quanto de violência envolve isso tudo. Exemplo: devido a especulação/cobiça imobiliária, o povo caiçara foi forçado a  deixar a beirada do mar e se afundar no pé da serra, subir morros e ocupar áreas impróprias. Mas... mesmo distante, esses que vivem comendo hoje o que ganharam ontem, continuam sendo explorados. Faz tempo que a municipalidade investe pesado na tributação do imposto territorial (IPTU), não se importando se isto torna a vida do pobre ainda pior. Certamente que muitas mansões pagam o mínimo, que muitos ricaços nem pagam!

     Neste país, o trabalhador é o principal contribuinte, paga impostos que nem imagina porque está na base da pirâmide social. Aumentar o já abusivo IPTU é ato cruel porque empurra mais famílias morro acima, resultando em destruição de mata nativa, de fontes naturais e de contaminação no geral. Isso é criminoso. Será que quem está na gestão pública não consegue enxergar nessa direção? Não podemos aceitar tudo isso como violência necessária!

       Por fim, não posso me conformar com este "silêncio", nas palavras de Iza Souza ditas em contexto similar, "que se repete hoje quando o turismo vale mais do que a dignidade de quem mora aqui e quando o lucro fala mais alto que o direito à terra, ao trabalho justo, à moradia e à memória".

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