Henfil, o genial - Arquivo Henfil
Se há pobres, há ricos. Lógico, né? Triste quadro. Muitos são empobrecidos para formar a riqueza de poucos. De pouquíssimos! No entanto, esse mínimo de privilegiados são devotados, tidos como heróis para muita gente. "Muitos deles", dizem ao meu redor, "fizeram por merecer". Alguns desses aproveitadores recebem títulos engrandecedores, ganham nomes de logradouros públicos e até mesmo estátuas. Por aqui topamos com rua rei beltrano, praça doutor fulano, avenida general sicrano de tal etc. E isto se repete Brasil afora!
Triste situação! Deixamos de perceber o quanto de violência envolve isso tudo. Exemplo: devido a especulação imobiliária o povo caiçara foi forçado a deixar a beirada do mar e se afundar no pé da serra, subir morros e ocupar áreas impróprias. Mas... mesmo distante, esses que vivem comendo hoje o que ganharam ontem, continuam sendo explorados. Caso concreto é a municipalidade investindo pesado na tributação do imposto territorial (IPTU), não se importando se isto torna a vida do pobre ainda pior.
Neste país, o trabalhador é o principal contribuinte, paga impostos que nem imagina porque está na base da pirâmide social. Aumentar o já abusivo IPTU é ato criminoso porque empurra mais famílias morro acima, resultando em destruição de mata nativa, de fontes naturais e de contaminação no geral. Será que quem está na gestão municipal não tem tal visão? Não podemos aceitar tudo isso como violência necessária!
Por fim, não posso me conformar com este "silêncio", nas palavras de Iza Souza ditas em contexto similar, "que se repete hoje quando o turismo vale mais do que a dignidade de quem mora aqui e quando o lucro fala mais alto que o direito à terra, ao trabalho justo, à moradia e à memória".

Nenhum comentário:
Postar um comentário