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| De boa - Arquivo JRS |
Totonho do Rio Abaixo, o caipira que veio melhorar de vida em Ubatuba, depois de "pisar na bola" e prevendo bronca da esposa, elaborou uma "saída honrosa". A solução foi escolher um bode expiatório: "Vou dizer que fiquei desnorteado porque alguém me deixou sem graça mediante uma expressão moderna". Moderna demais! Tão moderna que meu avô sempre repetia quando algo não dava certo: "Ai, abençoado". Totonho seguiu o raciocínio: "Aí ela se põe no meu lugar, releva a minha culpa, me perdoa. Esquece tudo e amanhã volta tudo ao normal, sem cara feia".
Esquema simples, né? Mente ardilosa, incapaz de assumir suas falhas, consegue manipular sentimentos através de discursos arranjados de última hora. Consegui definir isto uma semana depois. Na primeira ocasião em que avistei o Totonho eu lhe disse: "Você foi incoerente, cara. É claro que você estava plenamente consciente do que se passou! Que feio modificar os fatos a fim de convencer os outros! Que desculpa foi aquela? Se há preconceitos, você precisa se libertar, se desapegar de péssimos princípios, tal como muita gente que depende dos programas sociais, mas quer se achar no lugar dos ricos, dos poderosos". Em seguida eu lhe disse de fulano que veio me sondar sobre o tema Venezuela e eu lhe disse que se trata de terrorismo dos Estados Unidos para roubar o petróleo daquele país. E concluí: "Quem aceita o discurso que está sobrando na mídia dominante me faz pensar em dois defeitos morais: ou é ingênuo útil, fácil de manipular ou é pilantra consciente que quer também se aproveitar dos outros. Você é o quê?". Eu acho que Totonho tem os dois defeitos porque vive dando calotes nas pessoas.

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