quarta-feira, 26 de junho de 2013

NINGUÉM SILENCIOU O FREI PIO


É uma mariposa! (Arquivo JRS)

Bem antigamente, na história da humanidade, os homens só falavam. Depois, começaram a desenhar. Nisto inventaram as letras, e, as palavras escritas vieram para que a nossa evolução cultural, tecnológica etc. chegasse ao ponto que é hoje.
As palavras, creio eu, marcaram muito a gente bem antes do aprendizado da escrita (graças a um professor ou professora). “Que saudade da professorinha...”. 
     Um exemplo de alguém que me marcou pelo uso das palavras foi o Frei Pio, um religioso franciscano que veio para Ubatuba na segunda metade da década de 1960. (E aqui repousa para sempre!). Seus sermões eram incisivos, iam ao cerne das questões, questionavam mesmo!
Numa ocasião, na capela da Praia do Sapê, onde está enterrado o meu cordão umbilical (e dos irmãos!), um turista paulistano contraiu matrimônio com alguém que também não era do nosso lugar. Os motivos do noivo para ser nesse lugar pobre a celebração religiosa:      1º) “O frei, mesmo sabendo que a marcha nupcial foi decretada imprópria (*) para os recintos sagrados, sendo proibida nos templos pelas autoridades eclesiásticas,  permitiu que os músicos a executassem”. 2º) “É nosso desejo que a nossa vida a dois seja tão simples como a desses caiçaras do Sapê, como os frequentadores desta capela bem perto do mar”. Foi quando, pela primeira vez, eu me encantei com o compositor Mendelssohn.
Muitos anos depois, ao conversar com o idoso frei a respeito daquela ocasião do casamento do Sapê, ele sabiamente falou:
"O caso é que eu não poderia negar a beleza da música, quando o artista toma a realidade e faz dela um sonho. Nesse sentido, eu nunca vou acatar  qualquer determinação dos meus superiores, nem do Santo Ofício. Até hoje não fui excomungado. Também já estou muito velho para me preocupar com isso. Agora, em relação ao casamento, desde aquele tempo eu acho que o certo seria voltar a um modelo antigo, do tempo em que Jesus vivia na Galileia, quando o casal fazia um contrato: primeiro moravam um ano juntos para depois ser realizado o casamento. Seria o mais correto, não acha?”. Eu somente balancei a cabeça concordando com alguém tão especial.

(Nota: Isso aconteceu, na Igreja Católica, em 1947).

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