quarta-feira, 22 de julho de 2026

LITERATURA AQUI E LÁ

 

Luzes - Arquivo Caio Elois


     O meu ponto de partida no texto de hoje é um poema do cearense Bráulio Bessa:

 

Amizade não se compra,

Não se vende em prateleira.

Não tem promoção de amigo

No shopping, nem lá na feira.

Um amigo é um presente

De graça, mas faz a gente

Ser rico pra vida inteira.

 

     No momento eu me encontro na leitura do livro O Mundo da Escrita, de Martin Puchner, cujo subtítulo é este: Como a literatura transformou o mundo. Me detenho em Johann Wolfgang von Goethe, nascido em Frankfurt, em 1749. É considerado o maior nome da literatura alemã. Conforme sigo lendo, vou transcrevendo e me misturando no texto:

 

      Quando Eckermann, secretário de Goethe, se espantou com seu mestre elogiando os romances chineses, enfatizando-os como moralmente elevados, ele arriscou dizer que, com certeza, o romance chinês devia ser bastante incomum, a exceção à regra. Mediante este comentário, a voz do mestre foi muito severa: “De modo algum, os chineses os têm aos milhares e já os tinham quando nossos antepassados [europeus] ainda viviam nas florestas”. Pois é! Assim como hoje, alguém como Eckermann, cheio de preconceitos, ignorância e incredulidade pede para ser chocado aos poucos. Seu mestre enxergava longe, percebia que a literatura de outros lugares, graças aos viajantes e à imprensa, estava ficando disponível para mais pessoas. Foi Goethe quem, em 1827, cunhou a expressão “literatura universal”. Também a ele se deve a visão de Maomé como um líder carismático que conseguiu transformar tribos dispersas do deserto em uma força unificada, desencadeando a potência islâmica.

 

       Exclamo há muito tempo:

       Como  essa gente toda, do Ceará, de outras terras distantes de Ubatuba, no litoral norte paulista, me afetam via literatura!

      E o que dizer de autores até do outro lado do mundo que seguem deixando suas marcas em nossas vidas? Isto é a tal literatura universal, senhor Goethe?

     Não tenho dúvida de que abraçar tudo isso é habitar outras culturas!

    

Em tempo: hoje, 22 de julho, começa a 24ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty)


5 comentários:

  1. A literatura é um meio de superar preconceitos, de abrir os olhos do leitor para a existência do outro!

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  2. Perfeito, meu amigo. Aprecio e reconheço a importância dos clássicos, mas diversificar minhas leituras tem sido uma experiência muito gratificante e enriquecedora. Tenho procurado ler mais obras de autores latino-americanos e de países asiáticos, assim como ler mais autoras mulheres e autores nacionais.

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  3. Estive na Flip no sábado e com certeza foi uma das melhores que eu já fui. Havia muitas mesas interessantes, e eu gostaria de ter assistido a várias delas, mas os ingressos tinham que ser retirados no dia anterior, sem dizer que essas mesas realizadas nos casarões, não comportam muitas pessoas.

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    1. Parabéns por ter vivido mais um grande momento literário, Carlos! Não tem como não se emocionar naquele ambiente, né? Abraços a toda família.

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