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| Luzes - Arquivo Caio Elois |
O meu
ponto de partida no texto de hoje é um poema do cearense Bráulio Bessa:
Amizade não se compra,
Não se vende em prateleira.
Não tem promoção de amigo
No shopping, nem lá na feira.
Um amigo é um presente
De graça, mas faz a gente
Ser rico pra vida inteira.
No momento eu me encontro na leitura do
livro O Mundo da Escrita, de Martin Puchner, cujo subtítulo é este: Como a
literatura transformou o mundo. Me detenho em Johann Wolfgang von Goethe,
nascido em Frankfurt, em 1749. É considerado o maior nome da literatura alemã. Conforme
sigo lendo, vou transcrevendo e me misturando no texto:
Quando Eckermann, secretário de Goethe,
se espantou com seu mestre elogiando os romances chineses, enfatizando-os como
moralmente elevados, ele arriscou dizer que, com certeza, o romance chinês
devia ser bastante incomum, a exceção à regra. Mediante este comentário, a voz
do mestre foi muito severa: “De modo
algum, os chineses os têm aos milhares e já os tinham quando nossos antepassados
[europeus] ainda viviam nas florestas”.
Pois é! Assim como hoje, alguém como Eckermann, cheio de preconceitos,
ignorância e incredulidade pede para ser chocado aos poucos. Seu mestre
enxergava longe, percebia que a literatura de outros lugares, graças aos
viajantes e à imprensa, estava ficando disponível para mais pessoas. Foi Goethe
quem, em 1827, cunhou a expressão “literatura universal”. Também a ele se deve
a visão de Maomé como um líder carismático que conseguiu transformar tribos
dispersas do deserto em uma força unificada, desencadeando a potência islâmica.
Exclamo há muito tempo:
Como
essa gente toda, do Ceará, de outras terras distantes de Ubatuba, no
litoral norte paulista, me afetam via literatura!
E o que dizer de autores até do outro
lado do mundo que seguem deixando suas marcas em nossas vidas? Isto é a tal
literatura universal, senhor Goethe?
Não tenho dúvida de que abraçar tudo isso
é habitar outras culturas!
Em tempo: hoje, 22 de julho, começa a 24ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty)

A literatura é um meio de superar preconceitos, de abrir os olhos do leitor para a existência do outro!
ResponderExcluirGratidão por acompanhar e comentar, Jorge!
ExcluirPerfeito, meu amigo. Aprecio e reconheço a importância dos clássicos, mas diversificar minhas leituras tem sido uma experiência muito gratificante e enriquecedora. Tenho procurado ler mais obras de autores latino-americanos e de países asiáticos, assim como ler mais autoras mulheres e autores nacionais.
ResponderExcluirEstive na Flip no sábado e com certeza foi uma das melhores que eu já fui. Havia muitas mesas interessantes, e eu gostaria de ter assistido a várias delas, mas os ingressos tinham que ser retirados no dia anterior, sem dizer que essas mesas realizadas nos casarões, não comportam muitas pessoas.
ResponderExcluirParabéns por ter vivido mais um grande momento literário, Carlos! Não tem como não se emocionar naquele ambiente, né? Abraços a toda família.
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