domingo, 5 de julho de 2026

EMILIANA

 

Canoa caiçara - Arquivo Dani Yoko

Há um vilarejo ali

Onde areja um vento bom

Na varanda, quem descansa

Vê o horizonte deitar no chão 


       Partindo da imagem da amiga Dani junto da turma das remadas em canoas caiçaras, passando pelo início da música Vilarejo, de Marisa Monte e parceiros, eu me transporto para o aconchego da Barra Seca, onde está a última canoa (Cerne) vinda de um capurubu, lá do jundu do Itaguá, pelas mãos do meu finado pai. Que maravilha ver esse pessoal praticando esporte, fortalecendo esse traço cultural caiçara! E é sobre navegação que está crônica continua.

      O idoso Nequinho Valentim, agregado do casal Julieta/Italgino, sempre dava uma parada no bar onde eu trabalhava na adolescência. Se demorava pouco, apenas tomava um guaraná e dava um dedo de prosa. Certa vez ele contou sobre seu bisavô (Mestre Jango Valentim): 

       "Nhonhô Jango, desde menino era marinheiro, assim meu avô costumava falar. Com o tempo ele aprendeu de tudo na marinharia: de mapas, de ventos, dos aparelhos de navegação etc. Tudo na arte marítima era 'sopa' pra ele. Meu avô dizia que Nhonhô Jango terminou seus dias comandando um desses barcos imensos por nome de Emiliana".

       Agora, relendo o livro do Seo Filhinho (Ubatuba documentário), na parte referente à navegação de cabotagem no litoral paulista, está registrado que "melhorou muito a partir de 1857 com uma linha entre o Rio de Janeiro e Desterro (atual Florianópolis), com escalas feitas nos portos intermediários, inclusive Ubatuba. Mesmo assim esse serviço não atendia satisfatoriamente ao litoral paulista, o que fez com que 'empresários' de Ubatuba, que já possuíam o patacho 'Triunfo da Inveja', adquirissem mais três navios a vapor - 'Duarte I', 'Emiliana' e 'Piraí' - a fim de se liberarem de embarcações alheias".

       Você imagina a minha surpresa ao me deparar com a "Emiliana", do Mestre Jango Valentim? Se Nequinho fosse ainda vivente, eu iria bem cedinho lhe mostrar a página, o trecho escrito.

6 comentários:

  1. Olá, tanto o vapor Emiliana quanto o Duarte I e, posteriormente, o Pirahy pertenceram às casas comerciais do meu tetravô, o português Antonio José Duarte de Souza. Ele também já foi proprietário do vapor Trovador. Tenho inclusive a escritura de compra desse vapor, que foi vendido a meu tetravô em 18 de maio de 1864 na cidade do Rio de Janeiro pelo Barão de Mauá, o antigo proprietário. Possuo também diversos recortes de jornal sobre os navios que ele possuía e as atividades da firma no comércio de cabotagem de Ubatuba. Posso te enviar caso tenha interesse. Tenho inclusive uma suposição quanto à possível origem do nome da embarcação Emiliana.

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    1. Que maravilha, Steve! Será imensa glória receber esse material e dar ao público! Aguardo. Ansiosamente. Forte abraço.

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    2. Boa tarde, poderia me mandar seu e-mail ou alguma forma de te enviar os documentos? Tem bastante coisa interessante e ficaria melhor de enviar assim, acho que você vai gostar. Estou escrevendo a biografia do meu tetravô Antonio José Duarte de Souza, que vai reunir toda essa minha pesquisa sobre ele, que é estreitamente vinculada à própria história de Ubatuba no século XIX. Também estou reunindo documentos para escrever um segundo livro sobre a origem das famílias da Ilha Anchieta, Ponta da Espia e Enseada. O maior empecilho tem sido a Diocese de Caraguatatuba, que guarda os registros paroquiais de Ubatuba e não permite a pesquisa. Ainda estou averiguando como prosseguir nesse sentido haha

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  2. Muito legal a sua empreitada! Estou aguardando, Steve. Forte abraço.

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