domingo, 24 de dezembro de 2023

AMANHÃ É NATAL, MAS...

 


 

Eu e Caetano - Arquivo JRS

      
   Hoje, véspera de Natal, eu e a filha (Maria Eugênia) fomos até a roça do Caetano, na estrada do Monte Valério. Por ali tudo vai se transformando rapidamente por conta da  proximidade com o centro urbano. Foi-se o tempo em que aquele lugar parecia distante, dava até preguiça de andar.  Quando adolescente, eu achava que era uma lonjura danada.  Naquele tempo quem produzia nessa terra eram os japoneses. Hoje mudou muito, logo tudo vai estar com ruas e casas. Portanto, a área plantada vai se reduzindo até chegar um dia em que o Caetano ou seus descendentes terão apenas a porção que fica debaixo da rede elétrica. Ali, certamente, se concentrará toda a produção.

     Chegamos pouco depois das seis horas, bem cedo. Mas o amigo Caetano já estava lá, debruçado sobre o canteiro, transplantando rúcula entre cebolinha. Um abraço gostoso deu início à prosa atualizada. A primeira parte foi sobre as condições de saúde do Velho Caetano: “Eu quase que morri, Zé e Maria. Se não fosse o telefone, o celular, eu estaria morto. Me senti mal, fui quase que rastejando até o barraco. Lá chegando, tentei  telefonar, pedir ajuda. Passei sufoco, me dei como morto. Só que o filho da vizinha conseguiu contato com o meu filho que veio e me levou ao hospital. Agora estou bem, produzindo de tudo um pouco, aproveitando a época que mais vendemos couve e pepino. Lá, depois do canteiro, tem berinjela, inhame, jiló e abobrinha”.

     Que bom encontrar o Caetano com tanta disposição! Em seguida fomos tomar um café. É um ritual que fazíamos mais frequentemente, mas outros rumos surgiram no horizonte, quebraram esse nosso prazer . Nisso a conversa segue para a criação de patos. Dele ouvimos: “Por esses dias eu vendi quase quatrocentos patos. As galinhas não se dão muito bem comigo. A criação está lá no terreno do Gilberto. Já estive cedo lá alimentando as aves. Cheguei aqui por volta da quatro e meia, ainda no escuro”.

     É assim; sempre foi nesse ritmo. O meu amigo, o Velho Caetano, costuma madrugar cotidianamente. Ouso dizer que quando o seu dia não for assim, não começar desse jeito, podemos desconfiar  que coisa boa não é. É a minha experiência de anos convivendo nesse espaço e com essa nossa gente.

     Eu e Maria deixamos o nosso anfitrião na tarefa e fomos dar uma volta pelos canteiros, vendo o vigor e os arredores. Depois voltamos para as despedidas. “Amanhã é Natal, mas a roça não para. Eu estarei aqui, se Deus quiser. Tudo de bom a vocês e à toda família. Foi bom rever você e a Maria. Apareçam sempre e mais vezes”.


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