![]() |
| Cão abandonado - Arquivo JRS |
Viva os 15 anos do blog!
Eu não me canso de repetir a seguinte frase: "Meus filhos precisam ser melhores do que eu. Quem vem depois de nós tem de chutar a bola pra frente. Não faz sentido recuarmos, regredirmos, sermos piores que os nossos pais". O objetivo dela é afirmar que seguimos evoluindo, que devemos estudar com muita garra porque só a educação aliada à justiça muda o mundo. O meu desejo é que a humanidade cresça, que tenhamos um mundo melhor para todos (porque eu acredito que a meta de cada vivente é a felicidade).
Era
fim de tarde, quase noite chegando. Eu e meu filho estávamos na minúscula rodoviária
esperando um horário de ônibus para seguirmos viagem em direção a uma cidade
pequena, escondida no interior de Minas Gerais. Naquele local o movimento de
pessoas era fraco, quase ninguém. Não avistei nenhum carro. Estávamos
esperando, sem nada para fazer. Nisso chega uma menina aparentando ter menos de
dez anos: “Compra um pão pra mim, tio?”.
Eu não me lembro bem, mas acho que, sem pensar nem um pouco, fiz sinal de
negativo. Imediatamente o meu filho se adiantou: “Fica aí, pai. Eu vou ali comprar pastel pra ela”. E desceu a
rua, desaparecendo depois de uma esquina próxima. A criança o acompanhou.
Chegou um ônibus, cujo destino era a tal cidade. Em outro tempo mamãe
diria: “Vamos, é o nosso ônibus”.
Pessoas embarcaram, mas ainda havia lugares sobrando. Meu filho não aparecia.
Pensei que logo mais teria outra condução, a gente iria nele. Desejei isto. O motorista
deu a partida, mas retornou logo, como se tivesse esquecido alguma coisa. Mais
gente adentrou ao veículo. Aí aconteceu a saída de vez, deixando apenas o
cheiro de óleo diesel. Pouco depois meu filho chegou. Só aí notei que já era
noite mesmo. Ao perceber que as luzes da agência de passagens foram apagadas, deduzi que
apenas no dia seguinte poderíamos seguir a nossa rota. Me conformei. Então só nos restava uma
coisa: procurar uma pousada nas proximidades. Assim fizemos, saímos em busca
pelas ruas sem movimento algum. Em último caso, voltaríamos ao local e dormiríamos
num banco por ali mesmo. Fazer o quê, né?
Nada
se movimentava pelas ruas. Parecia um deserto, sem ninguém nos arredores para nos
dar informações. Sabe quem nos salvou? Aquela menina que parecia ter acabado de
saborear o último pastel! “Eu e minha mãe
moramos nos fundos de uma pensão aqui perto. Nós trabalhamos lá. Eu levo vocês. Tem quartos vagos porque a cidade está vazia, sem nenhum turista”. Foi a nossa
sorte! Depois de tudo acertado, já descansando numa confortável cama, fiquei
feliz por meu filho e minha filha terem um coração maior que o meu, serem tão
sensíveis às dores alheias. A minha humanidade ainda tem muito a aprender!

Nenhum comentário:
Postar um comentário