Quando
avisto um espaço religioso, inclusive aqueles mais perseguidos pela
ignorância/intolerância de tanta gente, reflito sobre o significado do mundo
superior, do Reino Divino. Para Jesus, figura de proa da religiosidade
caiçara, o Reino se compara a um imenso banquete. Portanto, ele é sinônimo de
justiça plena porque todo mundo deveria estar ao redor da mesa.
É em torno de uma mesa que se entabulam
conversas e relações são aprofundadas. Sinal do Reino é famintos serem
saciados. Afinal, nessa grande mesa, nesse banquete, haverá partilha plena
entre quem tem e quem vive na necessidade. Cada liderança religiosa, de
qualquer credo que almeja um mundo melhor, deveria ser depositário dessa
tarefa, dessa partilha. Em uma passagem do Novo Testamento (Atos 4.36-37) está
grafado a respeito de um cidadão: "levita originário de Chipre, possuía um
campo; ele o vendeu e trouxe o dinheiro para depô-lo aos pés dos
apóstolos". A estes coube papel de líderes naquela ocasião, de serem orientadores da partilha.
Quando
podemos comer e beber juntos, reforçamos nossas relações, decidimos os melhores caminhos para a humanidade. Não é por
acaso que os que têm fome são chamados de "bem aventurados". Quando isto
não está no nosso horizonte, alguma coisa está muito errada, de nada adianta
frequentar os cultos, seguir os sacramentos, fazer sacrifícios etc.
Na
história, sobretudo na atualidade, como estão se comportando aqueles que se
dizem "escolhidos de Deus", “sacerdotes e sacerdotisas das divindades”, "fiéis seguidores da Lei"?
Preferem a paz ou idolatram os que promovem as guerras? Repartem o pão ou chutam
os mais necessitados? No fundo, eu me esforço por acreditar numa espiritualidade que busca o
"ter tudo em comum segundo as necessidades de cada um". Deveria estar neste rumo, remar nesta direção as exigências das Boas Novas anunciadas pelas
religiões.


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