![]() |
| Mano Mingo e mana Ana - Arquivo JRS |
Viva os 15
anos do blog!
Ana Maria é a minha querida irmã. Chegou a vez dela atender ao meu apelo
neste tempo de aniversário do blog.
Você
pediu para escrever sobre o blog, não tenho talento.
- Quem disse que não? Tem demais! Prova
maior é o seu lar, fruto de toda uma vida de batalhas, com todos os seus
arranjos.
Sou
mesmo só parte da família.
- Ainda bem que temos você,
mana Ana! Certamente que a sua proximidade continuará sendo um porto seguro
para os irmãos e toda a sobrinhada.
O
seu blog representa saudades de um tempo muito distante.
- Muitos dizem que sim. A saudade nos faz
recordar de tantos momentos que vivemos desde que nascemos há mais de sessenta
anos, mas também nos dá forças para resistir às maldades que, na atualidade, se
banaliza graças às mídias que se aproveitam do grande número de analfabetos
funcionais, da ignorância até mesmo transbordante em gente da gente.
Hoje achei revistas Tex nas coisas da Josi.
Eu havia falado pra ela que aprendi a ler com elas na casa da vó Martinha.
- Eu também lia muito na casa da vó, nos poucos livros dos tios. Que bom que nós tivemos essa oportunidade, né? Livros e
revistas eram raros nos lares caiçaras de antigamente. Josi, a nossa querida,
será eterna em nossas memórias e será sempre amada nas nossas “crianças” que
nos animam a viver cada dia. Certamente que elas contam com a gente porque enfrentam
um mundo com barreiras mais engenhosas a impedir a realização das pessoas. Você
é muito importante para nossas crias: Carla, Maria Eugênia, Estevan, Paula,
Victor, Régis, Mônica, Gabriela e Pedro.
Lembro mais da minha infância quando morava na Maranduba. Naquele tempo
também havia gente ruim, que queria se aproveitar da gente.
- Ah, minha irmã! Quantas coisas foram
amargas em nossas vida! Nós superamos, mas muitos dos nossos ficaram sem forças,
desistiram no meio do caminho. Porém, fazem parte do meu ser, estão no meu espírito.
Lembro-me também das brincadeiras nas areias em frente da casa da vó, do
rio que aprendi nadar.
- Eu também me lembro. Uma velha cicatriz na
sobrancelha direita é daquele tempo, quando a base de uma folha de coqueiro
quase furou o meu olho. Naquele areal nós conhecemos o caju, a batata e a cana
assada na fogueira. Ali vovô plantava um pouco de tudo. No terreiro, debaixo de
um abacateiro, existia um banco de madeira para a gente escutar histórias. Por
ali nossos primos cresceram.
Era
um tempo de inocência, meu irmão, mas que tinha safados também de plantão. Nosso
pai passou a beber e causar transtornos em casa.
- Triste demais. Acho que mamãe,
sentindo-se muito fragilizada naquela vizinhança e nos rumos incertos do
marido, tomou a decisão mais acertada de irmos dali, morar na praia da Fortaleza,
nas proximidades do pai, da mãe e dos demais parentes.
Lembro-me do terremoto.
- Eu também. Me lembro que acordei em casa
no dia seguinte enquanto mamãe e vocês voltavam da capela, lá perto da Maria
Balio. Desconfio que nosso pai, sob efeito do álcool, não deixou que me
levassem. Mais pessoas do Sapê buscaram proteção divina, se achavam mais segura
na capela. Naquele tempo aconteceu a catástrofe em Caraguatatuba.
Me
lembro dos desenhos feitos e pintados na luz da lamparina, que as folhas no
outro dia amanheciam na cor azul.
- E também tinha uma menina da vizinhança
que montava um cineminha com caixas, com embalagens juntadas no entorno. O nome
dela era Imaculada, filha da tia Santa. Pois é!
Para
mim você é pessoa generosa e divertida, com princípios culturais, humanos e
políticos que emergem do blog. Beijos.
- Gratidão demais pela irmã que você é, Ana!

Nenhum comentário:
Postar um comentário