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| A praça e a igreja - Arquivo Ubatuba |
Até
meados do século XIX, segundo o cronista histórico Washington de Oliveira, o
Filhinho, não havia em Ubatuba nenhum templo ou associação religiosa
evangélica. Foi em 1868 que chegaram às mãos do português José Joaquim Fernandes
de Lima, guarda-livros de várias firmas comerciais e depois comerciante
estabelecido por conta própria, os primeiros folhetos evangélicos, contendo
sermões do Reverendo Ryle, um influente líder anglicano inglês. Esse cidadão lusitano, portanto, foi o precursor
do protestantismo na referida cidade litorânea. Na sua casa - que ainda existe!
-, agora como ponto comercial depois de muitas reformas, situada na esquina
defronte ao Cruzeiro (Avenida Iperoig com a rua Condessa de Vimeiro), em 1877 aconteceu
a primeira pregação feita pelo confrade Cândido Joaquim de Mesquita. Em 28 de
novembro, o Reverendíssimo Antônio Trajano, a convite dos fiéis locais, foi quem
inaugurou a Igreja Presbiteriana.
Conta-se
que José Joaquim Fernandes, que está na base dos presbiterianos em Ubatuba,
enamorou-se de uma jovem católica, cujo casamento, por imposição da família
desta, só se realizaria se ele renunciasse à nova religião e recebesse sua
pretendida esposa aos pés do altar, com todos os sacramentos da fé católica. O
amor venceu. No sábado aprazado, com grande manifestação de júbilo por parte da
grei católica, José de Lima e Maria receberam-se em matrimônio pela Lei de
Deus, na Igreja Matriz local. O amor venceu, é verdade, mas...por pouco tempo.
No dia seguinte, domingo, o venturoso par caminhou de mãos dadas para a Igreja
Presbiteriana, na qual ambos se integraram, convictos, e da qual nunca mais se
separaram. Na verdade, o amor deles estava
acima de qualquer denominação religiosa, onde essa ou aquela outra não poderia
resultar em separação.
Eu
pensava tudo isso enquanto repousava num banco olhando a Igreja Presbiteriana,
bem perto da cadeia velha, hoje Museu Washington de Oliveira. Daí lembrei de uma
colega de ginásio, cujo pai era pastor presbiteriano na década de 1970. Também
me recordei do casamento do Sérgio Coelho e Fátima naquele templo de tantas
histórias. Serginho, o primeiro filho deles, foi-me dado como afilhado. Quanta
honra, minha gente!


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