segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

MÃOS QUE ACOLHEM

 

Estrada - Arquivo JRS 

  As mãos sujas pelo trabalho honesto me cativam, mas aquelas que se sujam na prática das injustiças e das maldades me assustam. A falência da humanidade está evidente na violência contra as mulheres, às minorias sociais, às crianças e jovens, à classe trabalhadora... Como se omitir em ver se alastrar o ódio às mulheres, às geradoras de vidas? Como não se posicionar contra o desprezo pela vida dos seres fragilizados? 

  Ontem, na beira da rodovia, um cachorro zanzava sem rumo. Saiu de casa? Fugiu dos maus tratos? Foi abandonado? Diante de um quadro horrível, onde um pai espancava, parecia querer matar o próprio filho, não teve como deixar para lá. O jovem chorava pelo ódio desfechado por quem participou da sua existência. Quem sabe a queda daquele jovem não tenha sido causada justamente por um pai machista, que vive desmerecendo a família e nunca soube amar os seus? Quem sabe? Me recordei do pessoal que, em outros tempos, na beira da praia, se ajuntava no rancho das canoas para conversar e esperar ser útil em alguma tarefa (embarcar rede, empurrar canoa, ir pescar para poder levar algum peixe para casa...). Ninguém dali queria ser tratado como inútil. Pois é! Dizem que foi a partir de um grupo assim, desprezado, que uma certa liderança formou a sua equipe. Pessoas inseguras, mal amadas, incompreendidas, cheias de marcas e cicatrizes, brigando pela vida e o pão, se sentindo muitas vezes como os animais abandonados pelas rodovias, se tornaram essenciais no anúncio das boas novas daquele jovem galileu, nas terras da Palestina. Deste lugar distante a turma desprezada se lançou mundo afora.

   Muito me alegra saber que existe gente e instituições no ideal de acolhimento e de encaminhamento às pessoas maltratadas e perseguidas pelas mãos sujas de maldades. Ao me deparar com medonhos quadros, partes da receita fascista tão estimulada na atualidade, eu vou me corroendo. Esses sofredores e sofredoras estão denunciando a nossa falência enquanto humanidade. São profetas e profetisas que anseiam por um mundo melhor, onde não precisamos de  muito para ser feliz. Justiça, acolhimento e carinho são as bases dessa utopia. Precisamos urgentemente ser gente nova, renovadas!


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