sábado, 7 de dezembro de 2019

O PRESÉPIO DA DONA NADIR


Dona Nadir e seu presépio (Arquivo JRS)


           Bem no centro de Ubatuba, na rua Maria Vitória Jean, nesta época do ano um presépio é montado num pequeno quintal, dando muita satisfação, causando admiração nos passantes. O espaço é pequeno mesmo, mas a mensagem é maior do que o mundo. Trata-se da esperança, de acreditar em novos dias, em novos tempos. Natal-nascimento-renascimento a cada ano.

       Dizem que a tradição do presépio nasceu no século XIII, na Itália, com Francisco, o santo da cidade de Assis. Os católicos tradicionais montam seus presépios no começo de dezembro (tempo do Advento) e desmontam no dia de Nossa Senhora das Candeias (2 de fevereiro) ou no dia dos Santos Reis (6 de janeiro). Dias atrás encontrei nas cercanias do dito local o Manoel conduzindo duas crianças. Elas estavam afoitas: “Vamos logo, vovô. Vamos ver o presépio da dona Nadir”.

         Neste tempo, aguardando o Natal, as festas de final de ano, não tem como deixar de passar sempre pela tal rua para apreciar o cenário preparado com tanta dedicação e carinho. Dona Nadir, a proprietária da casa, natural do município vizinho de São Luiz do Paraitinga, diz que “tem mais de vinte anos que esse pequeno espaço se torna motivo de devoção”. E não cansa de convidar: “Você precisa ver quando anoitece! Que beleza fica com as luzes acesas! Encanta todo mundo! Tem gente que se emociona demais, tira fotografias, me elogia muito. digo que sigo o costume dos meus antigos, dos meus pais. A minha neta diz que logo vai precisar de uma passarela para a gente poder entrar em casa. Recebo muitos elogios, muitos agradecimentos. Só posso dizer que faço isso sempre com muito amor. E aí, nesse pequeno espaço meu, vai permanecer até o dia da festa da Nossa Senhora das Candeias, no começo de fevereiro”.

        A Dona Nadir diariamente embarca no mesmo ônibus que eu, vai trabalhar numa casa na Praia Grande. Segue lutando e nos dando alegria com seu caprichado presépio. Imagina a satisfação dela se aparecesse por lá um grupo de Reisado para cantar:

      “Bem podia te nascido em colchão de ouro fino,
       mas pra dar exemplo ao mundo,
       nasceu pobre o Deus-menino!”.

 BOAS FESTAS, DONA NADIR!
FELIZ NATAL, PESSOAL!

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