domingo, 25 de março de 2018

NOSSO JARDIM PREDILETO

Boca-de-leão (Arquivo JRS)



               Fim de semana é quando eu posso vagar entre as plantas do nosso quintal, podá-las, apreciar o milagre da terra e de tantos seres que a fertilizaram: minhocas se tecem a cada revolvida, flores se multiplicam e enchem nossos olhos e corações... Enfim, sempre estou aguardando cada fim de semana que posso estar em casa, junto à família, nosso melhor jardim com nossas melhores flores.
               Agora, depois de ter olhado os “dentes-de-leão” entre manjericão, coentro, cidrão (também chamado de capim-santo) e outras plantinhas, me lembrei de um texto, de Rubem Alves, do saudoso Rubem Alves, do Velho Rubem Alves que, numa ocasião, passeava na beira do rio, na cidade de Piracicaba. De repente, ao avistar um lago coberto com ninfeias, parou para apreciar tanta beleza. E produziu este belo texto:

               Ninfeias eram as flores favoritas de Monet, e sobre as suas telas Bachelard escreveu um ensaio tão belo quanto as telas do pintor. [...] Um casal de frangos d’água andavam sobre suas folhas, que flutuavam sobre a superfície da água. Parei o carro e fui me assentar à beira do lago. Não havia ninguém mais lá. Ao contrário, havia muita gente se divertindo nos parquinhos a curta distância. Lembrei-me de que, no Admirável Mundo Novo, de Huxley, as crianças eram ensinadas a odiar as belezas da natureza porque elas nos dão prazeres gratuitos, o que é ruim para a economia. Mas eram ensinadas a mar as coisas artificiais que se constroem no campo, como clubes e parques aquáticos, porque isso é bom para a economia. Pode um mar tranquilo competir com a adrenalina do jetski? Ou vacas pastantes competir com o barulho das motocicletas?

               Ainda bem que tem mais gente vivendo intensamente cada final de semana para curtir as suas plantinhas: Carlos e suas suculentas na varanda, Egléia e sua mini-agro floresta refrescante, Luciane e sua horta, Chico no seu mato do Ubatumirim, Dito Chiéus e sua mudas na beira da Cachoeira dos Macacos, Zé Marques no pomar do “Galinheiro”... e tanta outras pessoas que são partes do nosso jardim maior. Na verdade, nosso lugar e nossa família é o nosso jardim predileto.

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