segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

PERDEMOS O JOÃO

Nosso saudoso João (Arquivo JRS)


               Nasceu João Roberto Ultramari,  descendente dos italianos que fundaram a Colônia do Piaguí. Até hoje lá estão muitos deles, em Guaratinguetá, plantando arroz nas margens do rio Paraíba. Outros, tais como o nosso estimado João, partiram para os estudos e seguiram outros caminhos.
               Da escolinha da roça, onde um par de sapatos e duas peças de roupas precisavam durar o ano inteiro, João alcançou a faculdade, fez o mestrado na língua inglesa, passou alguns períodos estudando nos Estados Unidos. Trabalhou, trabalhou sempre! Agora, mais folgado e desfrutando dos esforços empreendidos, chegou a doença. Aguardava um fígado para transplante, mas não houve tempo, a doença avançou mais rápido.
               Conheci o João há mais de vinte anos. Ele e minha esposa eram amigos desde a infância. Logo me encantei pela sua sinceridade, por suas conversas inteligentes, por sua vontade de estudar sempre e pela amizade sincera que devotou à minha casa. Creio que sempre foi feliz em nosso lar.  Vivemos bons momentos, com certeza! O João sempre tinha novidades e até se admirava de seus próprios desafios. Topou trilhas comigo (a primeira foi até a Praia das Sete Fontes, onde conheceu o Antônio Neves e se encantou com a acolhida da Mercedes), sendo a mais marcante a do Saco das Bananas (juntamente com Juba e Júlio), onde a salvação contra as dores musculares foi o álcool com erva baleeira. Vencemos todas! Mas a morte é invencível, amigo!
               A nossa passagem do ano foi em seu velório. Lá fora os fogos espocavam.  Seus poucos parentes estavam por ali. Os outros eram amigos desde muito tempo. Um tanto daquelas pessoas eram colegas professores. No fundo, amigo, o nosso ser fica resumido em pouca coisa. Todo o seu conhecimento, a sua sensibilidade e a sabedoria acumulados agora ficarão na sua tese de mestrado e em nós que convivemos com você. Só assim somos imortais!

               Faleceu nosso amigo João.  João Roberto Ultramari: assim escrevi no caderno de registros lá do cemitério para que o amigo coveiro possa fazer uma placa indicativa. Eu ainda não tinha começado um ano sepultando o corpo de um amigo. Na verdade, era mais que um amigo! Ah! Sabe daquelas amizades de sentar no banco olhando o mar, conversando de tudo e rindo muito?!? Coisa linda é amizade assim!

Nenhum comentário:

Postar um comentário