sábado, 7 de janeiro de 2017

GRANDE ISAÍAS! GRANDE ALCINA!

Ubatuba - Roteiro turístico - 1951 (Arquivo JRS)

               O amigo Júlio Mendes, no mês de maio, na espera de uma tainha assada, me enviou esta preciosidade de poesia. Publico agora em homenagem ao casal Isaías e Alcina, os responsáveis pela existência do Júlio, grande artista popular caiçara, pai do Ranchinho Caiçara, do Boi de Conchas e de tantas outras iniciativas.  Que em 2017 possamos fazer mais pela cultura caiçara. Viva o Grupo Cantamar!


Mês de maio vem chegando

Vem trazendo ar de frio

Trás também sabiá uma

E tainha em cardume

Para a vida caiçara

Era o que interessava

A tainha em cardume

Que do sul aqui chegava

Athanásio e seu Alfredo 

Já estavam a esperar

Com canoas e suas redes

Na beira do lagamá

No alto do Curuçá Zé Vieira a espiar

Quando o mar se refolhar

O seu búzio vai tocar

Foi depois de uma semana

Que o mar se refolhou

Era um grande cardume

De tainha que boiou

Foi ao sol de meio dia

Que a vila escutou

O búzio de Zé Vieira

Que do morro ecoou

Euforia foi tão grande

Que chapéus pro ar voaram

Todo mundo festejava

A tainha que chegava

Braços fortes e mãos seguras

Em canoas a remar

Ruma a proa remador

Ao cardume a saltitar

Larga a rede, bate a troia

Malha o peixe a sobejar

Puxa o cabo companheiro

Tá na hora de fechar

Nunca vi tão grande lanço

É pra mais de oito mil

Peixe seco vai durar

Até o mês de abril

A tainha é sagrada

Traz na escama a imagem

Da Divina nossa mãe Senhora Aparecida

Ao divino criador

Rezo agora e beijo o mar

À São Pedro pescador

Umas mil vou ofertar

Vai ter tainha assada

Na festa do arraiá

Ova frita, concertada...

Muito Xiba vão dançar

Isso que aconteceu

Já se faz bastantes anos

Dos que viram tal fartura

Hoje tem setenta anos

Esses versos que eu faço

É só para lembrar

Dos costumes dessa terra

De outrora, da fartura

Fotografia ainda existe

Graças a seu Edson Athanásio

Que preserva com carinho

A memória ubatubana

Se sobrar um dinheirinho

Peço aos nossos governantes

Que preservem essas fotos

Como grande patrimônio

Patrimônio que relembra

A memória de um povo

Povo que não tem memória


Fica ao léu a desvairar.

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