![]() |
| Arte em casa - Arquivo JRS |
Viva os quinze anos do blog!
Em meados da década de 1970, o pesquisador Olympio Mendonça escreveu acerca dos caiçaras da área do Ubatumirim, em Ubatuba:
Caiçara é o habitante do litoral de São Paulo e, em especial, do litoral "norte". As pessoas naturais de Ubatuba e região têm consciência dessa denominação e dela se orgulham. Em Ubatumirim, todos os moradores denominam-se caiçaras para se distinguir dos estranhos. Desconhecem que o vocábulo nomeia também outros moradores do litoral de São Paulo. As conotações pejorativas do termo, "malandro", "vagabundo" não se aplicam a eles, sendo o caiçara um excepcional tipo humano, há mais de três séculos isolado entre a Serra do Mar e o oceano. Ainda não está contaminado pela necessidade do supérfluo e pela obsessão da poupança. Não trabalha regularmente; o mar e a terra lhes forneciam, até pouco tempo, uma alimentação farta, baseada no peixe e na farinha de mandioca. É, até certo ponto, arredio e desconfiado em relação aos forasteiros. Julga-se feliz em sua maneira de viver e não mostra interesse em vender seus terrenos e se afastar de sua terra secular, apesar de, com a chegada da Rio-Santos, estar sendo pressionado a fazê-lo.
Pois é, a BR-101, trecho Rio-Santos, desde o final daquela década está aí. A especulação imobiliária dita as regras, promove um turismo desregulado e fragmenta a cultura local. Ainda não tivemos nenhuma gestão que despertasse para as consequências danosas desse modelo, desse "progresso" que aliena a família trabalhadora e destrói o nosso tesouro ambiental. Até o crime organizado disputa o território na atualidade!






