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| Arco-íris no crepúsculo - Arquivo JRS |
Tudo o
que conseguimos e somos é resultado, para citar o cientista Sidarta Ribeiro, de
“sonho noturno ou devaneio diurno”.
A
existência da breve existência da sociedade humana na Terra, nessa teoria,
nessa dinâmica noturna e diurna, se deu – e segue! – cavando caminhos (criação
de ferramentas, desenvolvimento da comunicação, invenção de máquinas, organização
de instituições e leis etc.). Se detendo no contexto mais atual, no mais de
meio século que eu me entendo por gente, posso afirmar que são as narrativas
que resultam em modelos sociais mais egoístas ou mais solidárias; mais injustas
e com pouquíssimos privilegiados ou mais justas e mais fraternas, que garantam
felicidade ampliada à humanidade.
Eu penso
que a nossa vida pode ser relacionada a uma viagem variável conforme os
contextos, as condições: quando criança arriscamos passos sem pensar, quando a
idade vai pesando medimos as nossas possibilidades, os nossos limites para até
mesmo uma simples caminhada. Tememos ficar pelo caminho devido uma lesão ou
mesmo por fraqueza natural nos músculos e órgãos.
Comparando
a nossa vivência a um deslocamento, a uma viagem de ônibus, por exemplo, pode
ser que o veículo enguice na estrada, sendo inevitável o nosso desembarque, a
tomar outra condução, seguir um trajeto alternativo para chegar ao destino
almejado. Pode ser que sejamos levados a rever/refazer o projeto, o plano do
início. Pode ser! Tal como é possível de acontecer numa viagem, passageiros
podem ficar pelo caminho, decidir por um atalho, dar uma volta maior, escolher
ou descartar companhias etc. Mediante os imprevistos alguém pode dizer: “Posso
demorar, mas hei de chegar lá, não vou desistir”. Também pode acontecer de
alguém desistir, se arrepender da jornada: “Desisto porque acho que não vou
conseguir”.
A nossa
viagem nesta humanidade continua se sustentando nos fracassos e sucessos. Tem
momentos da esperança estar mais forte, mas há instantes de esmorecimentos. O cientista brasiliense acima citado nos ajuda com uma passagem do seu
livro O oráculo da noite:
A
expansão gradual da capacidade de contar histórias e viajar mentalmente no
tempo foi o combustível da explosão cultural humana nos últimos milênios [...]
O fato é, que em algum momento da nossa história recente, começamos a ser
capazes de formular narrativas de futuro com base no passado.
Portanto,
se no passado tivemos exemplos cruéis de sociedades, por que repeti-los? Se determinados perfis políticos tendem brigar
por um modelo excludente, perverso, por que elegê-los para nos representar?
Qual a nossa atitude ao estar convicto de que “a impunidade torna os maus
ainda piores”, conforme escreveu Platão há dois milênios e meio? Ainda bem que os bons são a maioria!
Betinho, que dizia que a fome tem pressa,
numa mensagem ao seu saudoso irmão Henfil escreveu isto: “Você vai torcer aí
do Céu e nós vamos votar aqui na Terra para ver se a democracia funciona para
melhorar a vida de nossa gente”. Eu quero que a minha parte na viagem seja
feliz e alimente positivamente a esperança da nossa gente: esta é a minha
espiritualidade. Amém nós todos!









