sábado, 28 de março de 2026

BANCO DA PRAÇA (II)

 

    



     Quando avisto um espaço religioso, inclusive aqueles mais perseguidos pela ignorância/intolerância de tanta gente, reflito sobre o significado do mundo superior, do Reino Divino. Para Jesus, figura de proa da religiosidade caiçara, o Reino se compara a um imenso banquete. Portanto, ele é sinônimo de justiça plena porque todo mundo deveria estar ao redor da mesa.

   É em torno de uma mesa que se entabulam conversas e relações são aprofundadas. Sinal do Reino é famintos serem saciados. Afinal, nessa grande mesa, nesse banquete, haverá partilha plena entre quem tem e quem vive na necessidade. Cada liderança religiosa, de qualquer credo que almeja um mundo melhor, deveria ser depositário dessa tarefa, dessa partilha. Em uma passagem do Novo Testamento (Atos 4.36-37) está grafado a respeito de um cidadão: "levita originário de Chipre, possuía um campo; ele o vendeu e trouxe o dinheiro para depô-lo aos pés dos apóstolos". A estes coube papel de líderes naquela ocasião, de serem orientadores da partilha.

      Quando podemos comer e beber juntos, reforçamos nossas relações, decidimos os melhores caminhos para a humanidade. Não é por acaso que os que têm fome são chamados de "bem aventurados". Quando isto não está no nosso horizonte, alguma coisa está muito errada; de nada adianta frequentar os cultos, seguir os sacramentos, fazer sacrifícios etc.

      Na história, sobretudo na atualidade, como estão se comportando aqueles que se dizem "escolhidos de Deus", “sacerdotes e sacerdotisas das divindades”, "fiéis seguidores dos mandamentos"? Preferem a paz ou idolatram os que promovem as guerras? Repartem o pão ou chutam os mais necessitados? No fundo, eu me esforço por acreditar numa espiritualidade que busca o "ter tudo em comum segundo as necessidades de cada um". Deveriam estar neste rumo, remar nesta direção, as exigências das Boas Novas anunciadas pelas religiões.

sexta-feira, 27 de março de 2026

BANCO DA PRAÇA (I)

 

A igreja

A praça e a igreja - Arquivo Ubatuba


       Até meados do século XIX, segundo o cronista histórico Washington de Oliveira, o Filhinho, não havia em Ubatuba nenhum templo ou associação religiosa evangélica. Foi em 1868 que chegaram às mãos do português José Joaquim Fernandes de Lima, guarda-livros de várias firmas comerciais e depois comerciante estabelecido por conta própria, os primeiros folhetos evangélicos, contendo sermões do Reverendo Ryle, um influente líder anglicano inglês. Esse  cidadão lusitano, portanto, foi o precursor do protestantismo na referida cidade litorânea. Na sua casa - que ainda existe! -, agora como ponto comercial depois de muitas reformas, situada na esquina defronte ao Cruzeiro (Avenida Iperoig com a rua Condessa de Vimeiro), em 1877 aconteceu a primeira pregação feita pelo confrade Cândido Joaquim de Mesquita. Em 28 de novembro, o Reverendíssimo Antônio Trajano, a convite dos fiéis locais, foi quem inaugurou a Igreja Presbiteriana.

    Conta-se que José Joaquim Fernandes, que está na base dos presbiterianos em Ubatuba, enamorou-se de uma jovem católica, cujo casamento, por imposição da família desta, só se realizaria se ele renunciasse à nova religião e recebesse sua pretendida esposa aos pés do altar, com todos os sacramentos da fé católica. O amor venceu. No sábado aprazado, com grande manifestação de júbilo por parte da grei católica, José de Lima e Maria receberam-se em matrimônio pela Lei de Deus, na Igreja Matriz local. O amor venceu, é verdade, mas...por pouco tempo. No dia seguinte, domingo, o venturoso par caminhou de mãos dadas para a Igreja Presbiteriana, na qual ambos se integraram, convictos, e da qual nunca mais se separaram.     Na verdade, o amor deles estava acima de qualquer denominação religiosa, onde essa ou aquela outra não poderia resultar em separação.

    Eu pensava tudo isso enquanto repousava num banco olhando a Igreja Presbiteriana, bem perto da cadeia velha, hoje Museu Washington de Oliveira. Daí lembrei de uma colega de ginásio, cujo pai era pastor presbiteriano na década de 1970. Também me recordei do casamento do Sérgio Coelho e Fátima naquele templo de tantas histórias. Serginho, o primeiro filho deles, foi-me dado como afilhado. Quanta honra, minha gente!

   

quarta-feira, 25 de março de 2026

CARRANCAS DA VIDA

 

Horizonte - Arquivo JRS 


Desceu vento morro abaixo,

Raiou sol depois da chuva...

Alguém dormia na tempestade.


Despontou broto querido;

Linda criança cresceu.

 

Anos de personalidade;

Universo de acúmulos.

É a fase das tranqueiras:

Ocupa espaços,

Atravanca mudanças,

Determina desavenças e traumas.

Como aconteceu?

Exemplos que seguiu,

Espírito que se formou.

(Porque ninguém nasce assim!)

 

Que pesado baú sobre si!

 

Anoitece após um dia puxado;

Visível carinho dos animais.

A vida é curta;

Contar com quem?


Gente que sente;

Carrancas indicam tempestades.

 

sábado, 21 de março de 2026

FILHA QUERIDA

 

Arte da Maria  - Arquivo JRS 

Viva os 15 anos do blog!

   

    Hoje, 21 de março, aniversário da nossa querida Maria Eugênia, declaro o fim do período de  festejos deste blog. Para encerrar as comemorações de uma década e meia deste que nasceu por incentivo da querida Gal, hoje a história é de um achado no meio da mata. A ilustração coube à nossa amada  filha que completa mais um ano de vida em nossas vidas.


   Dia de se dedicar à caminhada numa trilha nova, mas caminho antigo que agora quase não se percebe. Ao longo dela sabemos que, espaçadamente, morou gente. A prova? Árvores frutíferas, plantas ornamentais, cacos de vasilhas...Tudo em meio à mata fechada.

   Amarildo é meu parceiro desta vez. Cada um carrega a sua mochila com água, alimento, alguns medicamentos e roupas. Uma lona curta faz parte da minha carga, servirá de abrigo em algum imprevisto. “Vamos em frente, amigo! É dia de suar para ver as belezas e as surpresas!”.

   Depois de horas na trilha onde a vegetação estava exuberante, divisamos uma casa em ruínas, mas com o terreiro relativamente bem cuidado. Nenhum cachorro ou outro animal doméstico havia por ali. Nos aproximamos.  Aparentemente nem porta havia. Dentro da casa, no espaço do quarto, o nosso espanto: um senhor bem idoso repousava numa cama de casal. Até tela mosquiteira estava armada, protegendo-o. (Certamente que, com a casa naquele estado, cercada com mata exuberante, os insetos e outros bichos imperavam). 

   Aquele homem, depois de bem desperto, pareceu ficar alegre com a gente ali. E teve início a boa prosa:


  - O meu nome é Cirino, moro aqui há muito tempo. Esta casa é de 1950. (Nesse momento eu pensei na casa dos avós, na praia da Fortaleza, cuja edificação é de 1930 e está toda charmosa ainda). Quando tinha mais gente por aqui e as famílias viviam do roçado e das caçadas, eu era parteiro, atendia quem precisava. Pouco a pouco essa minha gente foi indo embora, morrendo... Fiquei por aqui porque este chão é o meu lugar, a minha razão de viver. O que vou fazer na cidade, num lugar maior? Viver de esmolas, dormir pelas ruas, morrer no desamparo? Então fico por aqui e neste chão viverei até quando Deus quiser. 


  A conversa se estendeu por um bom tempo. Ficamos extasiados com o encontro nunca imaginado num lugar assim, numa trilha dessa. Nos despedimos prometendo voltar em breve. “É assim mesmo, Amarildo: acredito que sonho e realidade servem para dar sentido à vida. O que você diz disso que vimos, da vida do seo Cirino? E vamos seguindo porque ainda temos chão pela frente”.

quarta-feira, 18 de março de 2026

COMEMORAÇÕES (XVI)

 

Cão abandonado - Arquivo JRS 


Viva os 15 anos do blog!


     Eu não me canso de repetir a seguinte frase: "Meus filhos precisam ser melhores do que eu.  Quem vem depois de nós tem de chutar a bola pra frente. Não faz sentido recuarmos, regredirmos, sermos piores que os nossos pais". O objetivo dela é afirmar que seguimos evoluindo, que devemos estudar com muita garra porque só a educação aliada à justiça muda o mundo. O meu desejo é que a humanidade cresça, que tenhamos um mundo melhor para todos (porque eu acredito que a meta de cada vivente é a felicidade).

 

    Era fim de tarde, quase noite chegando. Eu e meu filho estávamos na minúscula rodoviária esperando um horário de ônibus para seguirmos viagem em direção a uma cidade pequena, escondida no interior de Minas Gerais. Naquele local o movimento de pessoas era fraco, quase ninguém. Não avistei nenhum carro. Estávamos esperando, sem nada para fazer. Nisso chega uma menina aparentando ter menos de dez anos: “Compra um pão pra mim, tio?”. Eu não me lembro bem, mas acho que, sem pensar nem um pouco, fiz sinal de negativo. Imediatamente o meu filho se adiantou: “Fica aí, pai. Eu vou ali comprar pastel pra ela”. E desceu a rua, desaparecendo depois de uma esquina próxima. A criança o acompanhou.

    Chegou um ônibus, cujo destino era a tal cidade. Em outro tempo mamãe diria: “Vamos, é o nosso ônibus”. Pessoas embarcaram, mas ainda havia lugares sobrando. Meu filho não aparecia. Pensei que logo mais teria outra condução, a gente iria nele. Desejei isto. O motorista deu a partida, mas retornou logo, como se tivesse esquecido alguma coisa. Mais gente adentrou ao veículo. Aí aconteceu a saída de vez, deixando apenas o cheiro de óleo diesel. Pouco depois meu filho chegou. Só aí notei que já era noite mesmo. Ao perceber que as luzes da agência de passagens foram apagadas, deduzi que apenas no dia seguinte poderíamos seguir a nossa rota. Me conformei. Então só nos restava uma coisa: procurar uma pousada nas proximidades. Assim fizemos, saímos em busca pelas ruas sem movimento algum. Em último caso, voltaríamos ao local e dormiríamos num banco por ali mesmo. Fazer o quê, né?

    Nada se movimentava pelas ruas. Parecia um deserto, sem ninguém nos arredores para nos dar informações. Sabe quem nos salvou? Aquela menina que parecia ter acabado de saborear o último pastel! “Eu e minha mãe moramos nos fundos de uma pensão aqui perto.  Nós trabalhamos lá. Eu levo vocês. Tem quartos vagos porque a cidade está vazia, sem nenhum turista”. Foi a nossa sorte! Depois de tudo acertado, já descansando numa confortável cama, fiquei feliz por meu filho e minha filha terem um coração maior que o meu, serem tão sensíveis às dores alheias. A minha humanidade ainda tem muito a aprender!

sexta-feira, 13 de março de 2026

COMEMORAÇÕES (XV)

 

Charge de Jorge Gonzales - Fonte: O SOL


Viva os 15 anos do blog!

 

     Hoje, vendo a imagem de um petroleiro bombardeado num lugar distante daqui – mas no grande mar! -, pensei na prosa de muitos anos passados, quando o Tio Dico, da praia do Puruba (Ubatuba), explicava porque as ostras gigantes tinham desaparecido do rio deles, afetado a alimentação dos caiçaras dali: “Foi uma maré de óleo, meu filho. Ela tomou conta de tudo, invadiu na ressaca pela barra, cobriu tudo de preto. Morreu tudo que vivia no manguezal, no rio, nas pedras e nas tocas. Foi uma tristeza só. Custou muito tempo para as coisas irem se limpando. Ainda tem dessa sujeira por aí, nunca vai sair. Desde esse tempo nunca mais tivemos das grandes ostras. A molecada, mergulhando de vez em quando traz umas maiores, mas que nem chegam aos pés das que existiam”.

    Sabe quem paga por esses acidentes ambientais? Todos nós, mas primeiramente os mais pobres que precisam sobreviver catando coisas na natureza, mariscando e pescando. Assim muitas vidas seguem desaparecendo do planeta.

     Nós já sabemos, quando o assunto gira em torno da política ser de esquerda ou de direita, quem apoia esses mandos e desmandos no mundo inteiro. Esses bombardeios, esses genocídios rondando pelo mundo é o resultado de uma onda nazifascista muito mais perversa do que aquela que abalou a comunidade purubana em décadas passadas. Os governantes que não se submeterem a essa onda serão perseguidos.  As lideranças que não concordarem em prosseguir alimentando o vampiro capitalista serão depostos, caluniados, colocados entre a cruz e a espada, o povo que não apoiar isso será bombardeado e roubado assim mesmo. Para que essa onda tenha sucesso é preciso alienar o povo, lhe roubar a soberania, reduzir a uma massa não pensante, sem tempo livre para o tal ócio criativo, a resistência oriunda daí. Agora, olhando uma charge do mexicano Jorge Gonzales, confirmei o quanto a arte engajada é importante; nela vemos quais países vizinhos já se aliaram à onda medonha, direitista extrema, que se aproxima para nos afogar. A partir deles as forças inimigas, contrárias a um modelo de democracia comprometida com as questões sociais, poderão atacar o Brasil que tenta se segurar na soberania. A costa brasileira, o nosso tão bonito litoral, corre risco de virar um cenário escurecido pelo petróleo (a maior ânsia do atual vampiro-mor). Outros litorais mundo afora já estão nesse sofrimento. Aonde vai o turismo, a indústria pesqueira, a sobrevivência caiçara? Quem pensa nisso tudo? Quem está consciente das mortes e vidas que seu voto representa nas eleições? Não é só a Venezuela, o Irã, Cuba e mais alguns que estão sendo atacados. O Brasil está no radar trumpista, novos argumentos estão sendo montados para oportunistas interferências.


quinta-feira, 12 de março de 2026

COMEMORAÇÕES (XIV)

 

O genial Henfil - Arquivo Henfil 

Viva os 15 anos do blog!

     O estimado Jorge, no presente texto, nos mostra um viés dos trabalhadores de outras regiões que têm São Paulo e o "sul maravilha", conforme denominação do Henfil, como lugar de ganhar dinheiro para curtir a vida. A conclusão, capaz de nos engajar na luta pelo fim da escala 6x1 na rotina da classe trabalhadora brasileira,  faz me lembrar da historinha do caiçara de outro tempo olhando o mar, curtindo a vida na maior simplicidade. Nisso chega o turista e o questiona; "Por que você não vai pescar, vender o pescado, negociar terra, guardar dinheiro etc. para no final da vida poder curtir a vida numa boa?". Então o nativo questiona: "O que eu estou fazendo agora?".



Viver comendo água

   Quando era criança, em dezembro, muitos jovens chegavam a Iaçu para passar o final do ano com os pais. Vestiam-se na moda daquela época: calça e jaqueta jeans, cinto com fivela grande, sapato plataforma, e acessórios como relógio, colar, anel. Alguns levavam vitrola e LPs ou rádio de pilha. Muitos eram trabalhadores da construção civil, que poupavam a maior parte do que ganhavam morando em alojamentos e se alimentando mal para regressar à terra natal dando a impressão de estar bem de vida. Durante sua estada, farreavam à beça. Dançavam quase todos os dias, porque cada recém-chegado promovia sua festa. Bebiam muito, namoravam várias garotas, engravidavam muitas delas. 

    Enfim, naqueles dias, com justiça, podia-se aplicar a eles o título de um filme de muito sucesso “Curtindo a vida adoidado”. Era o extravasamento de um ano ou mais de privação. Era uma vida de sonho, mas depois dela vinha o despertar. Quando se aproximava o dia da volta ao batente, a euforia dava lugar à tristeza não só porque iam deixar aquela eterna festa, mas também porque aqueles dias de prodigalidade tinham esvaziado os seus bolsos. 

   Eles, que, nos últimos dias, já vinham vendendo paulatinamente seus pertences, começando pelo rádio ou pela a vitrola e seus discos, continuando pelo relógio, pela corrente, pela jaqueta, por fim, na véspera do retorno, literalmente vendiam as calças para comprar as passagens. Voltavam cabisbaixos, já saudosos daquelas semanas no éden, fazendo planos para o próximo final de ano.

    Cresci e como filho de Deus, ou melhor, como filho de Iaçu, estava destinado a vir para São Paulo. Vim com meus pais e, por isso, não tinha motivo para imitar os conterrâneos que mencionei acima. Fui ficando aqui e me adaptando ao jeito paulistano, muito preocupado com o futuro e pouco festeiro. 

   Decorre daí meu espanto com um diálogo que ouvi quando retornava numa Van de Itapecerica da Serra para São Paulo. Dois homens conversavam no banco da frente quando um apontou para uma escola que ficava numa colina e disse ao outro: “Rapaz, eu quase peguei aquela escola para pintar. Ia ganhar dez mil reais.” Era tanto assim?” “Era! Imagina eu com essa dinheirama todo no bolso. Ia passar seis meses em Pernambuco só comendo água.” 

    Na hora, eu pensei: “se tivesse bom-senso, esse pintor pegaria essa soma, aplicaria e continuaria trabalhando para conseguir sua independência financeira. Ele, no entanto, está pensando na diversão que a posse dessa quantia ia proporcionar-lhe.” Era o ridículo espírito capitalista me incutindo a ideia de que eu era melhor do que aquele jovem hedonista. 

   Recordei aquela cena, que eu tinha presenciado há muito tempo, hoje, quando estava assistindo ao belo documentário de Marcelo Gomes, “Estou me guardando para quando o carnaval chegar.” O filme mostra moradores de Toritama confeccionando jeans em condições bastante adversas, mas orgulhosos de serem empreendedores, de, ilusoriamente, ganharem o quanto quiserem, ao contrário de um assalariado, cujo ganho é estipulado previamente. 

   Estranhamente, esses indivíduos de ambos os sexos mostram-se felizes de trabalharem em excesso. Um entrevistado confessa que até já desmaiou em consequência disso. Paradoxalmente, na semana que antecede o Carnaval, esses trabalhadores autônomos, ou empreendedores como alguns preferem ser chamados, são contagiados por um desejo tão grande de se divertir nas praias durante o Carnaval que aqueles que não têm dinheiro para realizá-lo vendem o que possuem: a máquina de costura com que ganham seu sustento, a única geladeira da casa, o celular, enfim qualquer coisa vendável. A cidade fica deserta. A agitação feroz dá lugar à quietude.

  A loucura do Carnaval chega chutando a ideologia do empreendedorismo e chamando os moradores de Toritama à razão, à era pré-capitalista.

    Que meus conterrâneos, de Iaçu ou de Toritama, não percam, como perdi, esse desejo de “curtir a vida adoidado” ainda que seja só por alguns dias, mas tanto melhor que seja por seis meses ou mais.


Jorge Ivam Ferreira