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| Mosaico - Arquivo JRS |
No mês de comemoração dos 15 anos deste blog, vou recordando bons momentos das coisas dos caiçaras.
Chico Félix, meu tio nascido no sertão da Caçandoca, também entendia de fazer casa do jeito nosso, que veio dos antigos. Firmava pau a pique na soleira, depois envarava tudo com imbé. Jissara era a ripa preferida. No morro escolhia sapê, penteava com maior cuidado e logo estava pronta a cobertura. Dizia que sabia, mas se orgulhava de dizer que aprendeu mesmo com o João Firmino, seu caprichoso sogro. Porém, nunca quis viver nisso porque a grande paixão dele era a pescaria.
"Tresantonte fui no currico, mas não deu nada. Vardí do Diocrécio topô de í comigo. Não é ruim quando tem mais um pra remá, né mesmo? Ele foi que falô da gente esticá até a Redonda, aquela lage no rumo do Mar Virado. Fomos, lá arriamo a poita e logo deu bicho grande na linha. Veio garopa, gudião, sargo... Só ser de respeito. 'Assim vale a pena', se alegrô o Vardí. Tive de concordá com o meu parcêro. Do nada, já tando quase saindo, com a poita embarcada, uma espada bitela pegô no meu anzó. Era criada a danada! Usei o bichêro, puxei pra dentro da canoa. Nessa hora me estrepei: ela meteu o dente no meu carcanhá, foi só sangue na água do fundo. Vardí tirô na cuia. A valênça é que sempre carrego uma garrafada no balaio. Arco e arcanfo é santo remédio, nem chega a inframá. Taís vendo aqui? Isto não é nada, tô quase curado. Logo logo a gente vai de novo naquele pesquêro apoitá. Sabeis com que isca? Sururu do rio, lá de casa. É só batê e puxá".






