domingo, 6 de março de 2016

ABUNDA

Taturana de fogo ou bicho cachorrinho: este não abunda! (Arquivo JRS)


Entre a serra e o mar está o caiçara (Arquivo JRS)
                Hoje é aniversário do blog. Há exatamente cinco anos, por incentivo da minha esposa, resolvi editar alguns textos em torno da cultura caiçara. Parece que muita gente gostou; mais de cento e sete mil acessos comprovam isso
           Uma das características do ser caiçara é brincar com tudo, mas de maneira a revelar a seriedade que está na brincadeira.  Por isso, nesta data especial, convidei o amigo Júlio, aniversariante recente, carnavalesco, folclorista etc. para dar a graça do nosso ser irreverente.


Parece que um pedaço lá da Lua, caiu na minha rua. Pois é!
A buraqueira que abunda é tão grande que o calo em minha bunda, abunda. Sim! Abunda o calo na bunda de quem anda de bicicleta, de carroça, de charrete e similar.  
Eu já parei de andar de bicicleta, porque a minha bunda já não aguenta mais.
Faz muito tempo que não levo uma pancada na cabeça, daquelas, em que na hora forma um “galo” e que para tirá-lo, na hora, tem que colocar a face chata de uma faca, colher ou, mais eficaz até, o gelo, para abaixar e tirar a dor da saliência.
Quem que criou essa história de “galo”, que se forma na cabeça quando se leva um croque, um cascudo, uma bancada? Não sei! Eu sei que na hora da pancada, ouve-se um canto: aaaaaiiii!
Conforme estava dizendo, faz tempo que não tenho um “galo” em minha cabeça! Coitado do galo, cansado de esperar e já com as cordadas vocais entrando em estado de retração; ora veja, desceu do patamar, melhor dizendo, foi pra bunda, bunda que mesma macia, carnuda, almofadada, transformou-se em calo, devido os trancos, socos, que se toma no selim de uma bike; com isso, a bunda transforma-se em paraíso perfeito para um “galo” desse tipo.
Tem buraco aqui, tem buraco lá, tem em todo lugar; tô me sentindo tatu, guaroçá, guaiamu, corrupto...
O pior de tudo é que tá todo mundo caindo no buraco, se enganando com a promessa que o buraco vai acabar. O candidato faz promessa sem parar, de acabar com abundância de buraco que abunda pelas ruas.  Será? De qualquer forma, pra essa situação, eu fico na esperança de enxergar uma luz no fim do buraco, e grito: - Oooooba, minha bunda vai sarar!
Só terei pena do “galo” que terá que voltar pra cabeça ou arranjar outro lugar para cantar.

Julinho Mendes

Um dos tantos buracos que abundam (Arquivo JRS)

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