sexta-feira, 2 de outubro de 2026

CULTURA E ELEIÇÕES

 

   

Mar de todos - Arquivo Santiago

        Eu me inspirei a escrever agora a partir da minha cultura caiçara, deste povo que precisou se inteirar com a natureza a partir dos povos originários que viviam nesta faixa litorânea (entre o sul do Rio de Janeiro e o norte do Paraná). Como vou achar normal que tenham votos entre nós aqueles candidatos que fazem pouco caso das questões ambientais, dos direitos trabalhistas duramente conquistados e custando vidas de tantas lideranças? Onde está a coerência de quem é agente da cultura popular (artesanatos, cantorias, bailados, saberes tradicionais etc.) e vai às urnas para eleger quem o desmerece? E o que dizer de caiçaras que se organizam em associações de remadores, de amigos do bairro, de quilombolas, de economia alternativa, de solidariedade indígena e tantas outras formas de resistência neste chão traçado pelo sofrimento de indígenas, negros escravizados e colonos pobres, mas estão desejando no poder político quem irá combatê-los?

     Corajosos são os discursos de minha gente que reconhece os avanços civilizatórios que tivemos a partir de 2002 neste Brasil. Fiquei muito contente ao ouvir o pessoal do fandango do outro extremo do território caiçara, "do sul", constatar o claro posicionamento de um mestre e seus parceiros nestas eleições: “Sem o presidente Lula não teríamos chegado aonde estamos. A cultura caiçara também depende de políticas públicas de inclusão. Graças aos programas sociais deste senhor nós agora até temos um veículo para nossos deslocamentos”.

    Ouvindo o encerramento da entrevista do Lula desafiando os jovens a se engajarem na política, pedindo para serem aquele político honesto que esperam ver atuando no Brasil, sinto o desafio que continua nas escolas de todo lugar: tornar a Educação Libertadora. Concluo com uma frase lida quase agora:

   Um conselho que ninguém pediu, mas que vale a pena ouvir: ESTUDEM. Conheçam nossa história, entendam a colonização, as desigualdades e as relações que moldaram a sociedade em que vivemos. Conhecimento também é consciência!

  Dito isto, no próximo domingo não basta eleger o Lula, esta liderança sindical que se tornou mundial, mais um sobrevivente da fome e da seca do Nordeste brasileiro. Precisamos também dar uma outra cara ao Poder Legislativo, derrubar esse Congresso Inimigo do Povo.

   Para não esquecer: a cultura caiçara também é uma resistência de séculos. Viva a nossa soberania!

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