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| Mar de todos - Arquivo Santiago |
Eu me
inspirei a escrever agora a partir da minha cultura caiçara, deste povo que
precisou se inteirar com a natureza a partir dos povos originários que viviam
nesta faixa litorânea (entre o sul do Rio de Janeiro e o norte do Paraná). Como
vou achar normal que tenham votos entre nós aqueles candidatos que fazem pouco caso das questões
ambientais, dos direitos trabalhistas duramente conquistados e custando vidas
de tantas lideranças? Onde está a coerência de quem é agente da cultura popular
(artesanatos, cantorias, bailados, saberes tradicionais etc.) e vai às urnas
para eleger quem o desmerece? E o que dizer de caiçaras que se organizam em
associações de remadores, de amigos do bairro, de quilombolas, de economia
alternativa, de solidariedade indígena e tantas outras formas de resistência
neste chão traçado pelo sofrimento de indígenas, negros escravizados e colonos
pobres, mas estão desejando no poder político quem irá combatê-los?
Corajosos são os
discursos de minha gente que reconhece os avanços civilizatórios que tivemos a
partir de 2002 neste Brasil. Fiquei muito contente ao ouvir o pessoal do
fandango do outro extremo do território caiçara, "do sul", constatar o claro
posicionamento de um mestre e seus parceiros nestas eleições: “Sem o presidente Lula não teríamos
chegado aonde estamos. A cultura caiçara também depende de políticas públicas
de inclusão. Graças aos programas sociais deste senhor nós agora até temos um
veículo para nossos deslocamentos”.
Ouvindo o
encerramento da entrevista do Lula desafiando os jovens a se engajarem na
política, pedindo para serem aquele político honesto que esperam ver atuando no
Brasil, sinto o desafio que continua nas escolas de todo lugar: tornar a
Educação Libertadora. Concluo com uma frase lida quase agora:
Um conselho que ninguém pediu, mas que vale
a pena ouvir: ESTUDEM. Conheçam nossa história, entendam a colonização, as
desigualdades e as relações que moldaram a sociedade em que vivemos.
Conhecimento também é consciência!
Dito isto, no
próximo domingo não basta eleger o Lula, esta liderança sindical que se tornou mundial,
mais um sobrevivente da fome e da seca do Nordeste brasileiro. Precisamos também
dar uma outra cara ao Poder Legislativo, derrubar esse Congresso Inimigo do Povo.
Para não esquecer:
a cultura caiçara também é uma resistência de séculos. Viva a nossa soberania!

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