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| Ilhote chuviscado - Arquivo JRS |
Quando viajamos, o baú, com tudo o que está lá dentro, vai junto. Quem disse isso foi Rubem Alves. Foi assim num dia chuvoso, quando precisei ir até a cidade vizinha de Caraguatatuba.
Juba foi o primeiro caiçara que avistei. Estava triste, pois seu filho faleceu há duas semanas. O meu consolo foi apenas escutar o momento penoso, desejar a ele e Cláudia muita força para romper as ondas das lembranças carregadas de saudades.
Estando na estrada, pelo vidro chuviscado, fui contemplado os lugares, as praias... Pessoas vieram à mente: desde colegas do tempo escolar até parentes que já se foram, mas seguem vivos na memória. Tio Francolino acenou na Praia Dura, Aquelau, Rui, tio Chico, Tidinho, Ninico, comadre Vitória, tia Balbina, meus avós e muitos outros se fizeram presentes entre a Lagoinha e Maranduba.
Aquelau, anos atrás, sempre se deparava comigo dando cabeçadas, cochilando no ônibus entre o Sapê e Massaguaçu. Numa dessas viagens ele me presenteou com um frasco contendo sementes de especula. Quem dos dias atuais conhece especula? Seu mano Rui, falecido há mais tempo, era mudo. Só que eu entendia bem suas "falas". Interessante, né? Ele, com o costume de andar por todo lado e sempre se postar no banco da parada de ônibus, quando me avistava queria me contar, por meio de tantos gestos e sinais, as novidades, as coisas que ele viu nos arredores. Antunes falou num certo dia isto: "O Rui da tia Santa é o maior fofoqueiro que eu já conheci". (Poderia de ser mesmo, mas competia com o Antunes!).
Nessas ondas da história, onde tanta gente vai nos deixando na embarcação, eu desejo muita força aos tios, primos e demais parentes.

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