| Rancho dos pescadores - Arquivo JRS |
- Era feriado, dia de festa. O lagamar,
desde a barra até o porto da nossa capela, estava tomado de gente. Era um
mundaréu só. Um foguetório traduzia a alegria geral e a curiosidade do nosso
povo. Era a visita do presidente da república, do nosso presidente que, depois
de passar pela ilha Anchieta, veio até a cidade. O navio dele ficou fundeado bem
lá fora.
- Faz tempo isso, Janguinho?
- Ah, faz muito tempo! Antes do tempo do presidente
Getúlio Vargas, eu era bem novo ainda. Depois disso, que eu me lembre, festança
maior só em 1948 quando o Guisard, inaugurou a luz na cidade. O
prefeito daquele tempo era o doutor Alberto. Até o bispo de Taubaté, Dom Idílio,
veio para prestigiar o evento.
A prosa
acima aconteceu no começo da década de 1980, quando eu já morava no bairro da
Estufa II. A praia do Itaguá era o nosso principal ponto de encontro. Aos
domingos, era comum ver todo mundo por ali aproveitando bem o mar e a areia. Tudo
era limpo! Na ocasião acontecia uma
corrida de canoa marcando os festejos da capela do Itaguá. O professor Joaquim
Lauro era o grande incentivador dos festejos. Eu, claro, aproveitava para ouvir
histórias dos mais velhos. O casal Janguinho e Santana (a parteira da
comunidade) estava na vez: um ajudava o outro nos detalhes da narrativa. Quando
eu ouvi o nome do bispo, entendi porque algumas crianças caiçaras receberam o
nome de Idílio. Ao menos dois me aparecem na mente: um no Perequê-mirim e outro
no Sapê. Dar nomes aos filhos se guiando pelo santo do dia no calendário, assim
como homenagear recém-nascidos com nome de autoridades eclesiásticas, fazia parte
da religiosidade católica caiçara.
Pois é!
Bem mais tarde eu encontrei uma imagem da época onde o citado bispo oficializava
a missa solene recordada pelo saudoso casal do Itaguá. Era no Cruzeiro, na
avenida Iperoig. Havia mesmo uma multidão!
Nota: a inauguração da energia elétrica em
Ubatuba, no ano de 1948, se deu pelo esforço da Companhia Taubaté Industrial (CTI),
do Félix Guisard, dono do Casarão na época. Porém, a cidade cresceu e foi
preciso que a companhia estadual de energia (CESP) estendesse uma rede mais
potente via serra de Caraguatatuba, na década de 1960. Eu, bem criança, na
praia do Sapê, me recordo de homens e máquinas estendendo fios e postes sobre
as picadas abertas nas matas. Como eu tinha medo!
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