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| Tio Antônio do Prado - Arquivo Marcos |
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| Maranduba e loteamento - Arquivo Ubatuba |
Lendo um
texto e vendo imagens postadas pelo primo Marcos, descendente do tio Basílio, da
praia do Pulso, chão que também viu nascer vovó Martinha no começo do século passado, senti uma vontade de escrever em torno de algumas lembranças que tenho da praia do Sapê, onde eu e mais irmãos nascemos pelas
mãos dessa mesma vó, a parteira da região na época.
A nossa
casa, vizinha do Andrelino e Jorgina, do outro lado do areião da tia Rita Carlota,
em cuja casa eram ministradas aulas para as meninas, era bem simples, como todas
daquele tempo. Outros vizinhos mais próximos: tia Livina, Nié, Zé Balio e
Deolindo. Um pouco mais longe moravam João Paulo, tio Totô, Dioclécio, Tonico, João Firmino, tio Chico, Jonas, Paulo e Tião Plácido. Meu pai foi o construtor da nossa primeira moradia, contando com ajuda do João
Oliveira e outros parentes. Nela nós nascemos e passamos alguns anos da
infância, mas mamãe, que se engraçou com papai enquanto trabalhava no Hotel
Picaré, na barra do rio Maranduba, sentia a necessidade de estar perto dos pais, moradores na praia da
Fortaleza. A solução foi vender a propriedade e se mudar. Quem comprou? O tio
Antônio do Prado, da tia Santa. A nossa primeira casa se tornou o lar deles. Assim
deixamos o chão do Sapê, onde moravam nossos avós (Estevan e Martinha). Não me
recordo do preço, mas sei que por alguns
meses meu pai se deslocava da Fortaleza até o Sapê para receber uma quantia nas
notas promissórias. Era o tio Ângelo, cuja venda no Largo do Sapê competia com
o armazém do João Pimenta, quem efetuava o pagamento pelo concunhado. No morro da Fortaleza foi construída a nossa
segunda moradia. Lá do alto, entre roçados, avistávamos o grande mar, as ilhas
e as praias mais próximas. Foi onde nasceu o mano Clóvis.
Naquele
tempo, meados de 1960, já estava consolidado o primeiro loteamento na praia da Maranduba.
Meu pai se referia a um tal de Nagib como responsável no empreendimento. O rio
todo sinuoso, com um farto manguezal onde meu povo caçava guenzo e outros seres
para comer, foi tornado reto a fim de mais lotes surgirem. Posso dizer que ali se
formaram os primeiros pedreiros, os construtores caiçaras. Hoje tudo está
tomado pelas edificações, sobretudo aquelas destinadas aos turistas. A região, sem rede de
esgoto, resulta em grande parte da sujeira rompendo fossas, seguindo para o rio e o mar. Sem dúvida nenhuma que a feiura e os crimes ambientais imperam! Afirmei à
amiga Carolina, preste a lançar um livro mostrando anciãos caiçaras seguindo mantendo práticas artesanais, que a abertura das rodovias (Ubatuba-Taubaté,
Ubatuba-Caraguatatuba e Ubatuba-Paraty) foram as responsáveis pelas enormes
mudanças na cultura local, no modo de vida dos caiçaras. Antes disso, para conseguir
melhores condições de sobrevivência, meu povo se dirigia à Baixada Santista com
o objetivo de ser contratado para trabalhar no porto ou nos bananais. Éramos
migrantes lá - a nossa Meca! - tal com segue sendo a nossa Ubatuba para os mineiros, nordestinos
e outros em tempos mais atuais.


Um pouco de nossa história, para enriquecer o rico compêndio caiçara!
ResponderExcluirNossas lembranças, meu irmão!
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