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| O genial Henfil - Arquivo Henfil |
Viva
os 15 anos do blog!
Que
coisa maravilhosa é a leitura!
As
pessoas escrevem e a gente lê, aprende, reflete sobre a mensagem, dá mais
passos na direção de onde se encontra a nossa utopia, o alimento do nosso ser:
aquilo que nos faz caminhar, na expressão de Eduardo Galeano. Neste momento, quando um tanto de gente nossa fala mal e persegue povos que nunca conheceram, promove produção e vendas de armas, desmerece educadores, apoia governantes
genocidas, pedófilos e coisas piores, o presente texto (de autoria desconhecida,
mas parecendo ser do norte da África) nos desafia em buscar cada vez mais o
conhecimento. (Porque ser ignorante é fácil demais!).
O juiz fitou o homem que acabara de disparar
contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, sem elevar a voz;
- Por que você o matou?
- Porque era seglar.
O
silêncio que se seguiu pesava mais que a sentença.
- O que significa “seglar”? – insistiu o
juiz.
- O
assassino engoliu em seco.
- Não sei.
Em
outra sala, outro julgamento. O réu tentar matar o escritor Naguib Mahfouz.
- Por que o esfaqueou?
- Porque escreveu um romance
contra a religião.
- Você leu o livro?
- Não.
Em
um terceiro tribunal, mais um homem, acusado de assassinar o intelectual Farag
Fouda.
- Por que você o matou?
- Porque ele não tinha fé.
- Como sabe?
- Está no livro dele.
- Em qual livro?
Silêncio.
- Eu não sei. Nunca li.
- Por quê?
O
homem baixou a cabeça, como quem confessa o que o mundo inteiro já sabe.
- Eu não sei ler nem escrever.
Três julgamentos. Três mortes. Um único padrão. Matava-se por ideias que não compreendiam. Condenava-se por palavras que jamais foram lidas. Odiava-se conceitos que nem sequer sabiam definir. Não era convicção. Era repetição. Não era fé. Era eco. Não era certeza. Era obediência cega.
A
violência não nasceu do pensamento. Nasceu da sua ausência.
O
ódio não se propaga pelo conhecimento. Espalha-se onde o conhecimento não
chega. E toda vez que uma sociedade abdica de educar, não produz apenas
ignorantes. Produz armas humanas: pessoas que não sabem porque atiram, mas
estão dispostas a fazê-lo. Este é o preço invisível da ignorância. E,
invariavelmente, quem o paga é alguém que nada fez para merecer.

Excelente texto, mano Zé!
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