sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

COMEMORAÇÕES (VII)

 



O genial Henfil - Arquivo Henfil

 

        Viva os 15 anos do blog!

  

     Que coisa maravilhosa é a leitura!

 

     As pessoas escrevem e a gente lê, aprende, reflete sobre a mensagem, dá mais passos na direção de onde se encontra a nossa utopia, o alimento do nosso ser: aquilo que nos faz caminhar, na expressão de Eduardo Galeano. Neste momento, quando um tanto de gente nossa fala mal e persegue povos que nunca conheceram, promove produção e vendas de armas, desmerece educadores, apoia governantes genocidas, pedófilos e coisas piores, o presente texto (de autoria desconhecida, mas parecendo ser do norte da África) nos desafia em buscar cada vez mais o conhecimento. (Porque ser ignorante é fácil demais!).

 

 

       O juiz fitou o homem que acabara de disparar contra o presidente egípcio Anwar Sadat e perguntou, sem elevar a voz;

     - Por que você o matou?

     - Porque era seglar.

     O silêncio que se seguiu pesava mais que a sentença.

    - O que significa “seglar”? – insistiu o juiz.

    - O assassino engoliu em seco.

    - Não sei.

    Em outra sala, outro julgamento. O réu tentar matar o escritor Naguib Mahfouz.

     - Por que o esfaqueou?

 - Porque escreveu um romance contra a religião.

      - Você leu o livro?

      - Não.

    Em um terceiro tribunal, mais um homem, acusado de assassinar o intelectual Farag Fouda.

     - Por que você o matou?

     - Porque ele não tinha fé.

     - Como sabe?

     - Está no livro dele.

     - Em qual livro?

   Silêncio.

      - Eu não sei. Nunca li.

      - Por quê?

    O homem baixou a cabeça, como quem confessa o que o mundo inteiro já sabe.

   - Eu não sei ler nem escrever.

   Três julgamentos. Três mortes. Um único padrão. Matava-se por ideias que não compreendiam. Condenava-se por palavras que jamais foram lidas. Odiava-se conceitos que nem sequer sabiam definir.  Não era convicção. Era repetição. Não era fé. Era eco. Não era certeza. Era obediência cega.

   A violência não nasceu do pensamento. Nasceu da sua ausência.

   O ódio não se propaga pelo conhecimento. Espalha-se onde o conhecimento não chega. E toda vez que uma sociedade abdica de educar, não produz apenas ignorantes. Produz armas humanas: pessoas que não sabem porque atiram, mas estão dispostas a fazê-lo. Este é o preço invisível da ignorância. E, invariavelmente, quem o paga é alguém que nada fez para merecer.




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