sábado, 15 de novembro de 2014

DE QUEM É A COSTEIRA?

Escavando na Prainha (Arquivo JRS)
                            Para a leitora Cristiane Cerqueira, uma paulistana que nunca mais quis deixar Ubatuba.
               
               Quando criança, a minha diversão preferida era ir pular pedras pelas costeiras. Coisa boa! Desconfio que esse prazer e as pedaladas constantes deram-me as forças que tenho nas pernas. Também foi assim que aprendi as diversas denominações dos lugares dado pelos antigos caiçaras. Pedra do Alçapão, Costeira do Tolino, Pedra do Zé Bráz, Lage Preta, Toca do Mero... são alguns exemplos. O legal é que eles trazem uma carga emocional muito importante na minha história. Só para ilustrar: foi na Pedra do Alçapão que eu vi o papai pescar a maior garoupa da minha vida. Era uma tarde, pouco antes do serão, quando a vara se retesou. A danada entocou, mas o ardiloso pescador tencionou a vara numa greta de pedra e, no dia seguinte, logo cedo, lá estava a bitela boiando. Que beleza! Comemos e repartimos com  mais gente!
               Ainda continuo gostando de estar pelas pedras das costeiras, mas agora a agilidade já não permite pular como antigamente. Num dia desses, lembrando do casal que morava na Prainha do Padre, deu uma vontade de rever o outro lado do Morro do Ocaraçu, “onde a gruta desemboca no mar”. E assim, na maior disposição, me dirigi à prainha que também já foi do Matarazzo, o Cicillo,  prefeito de Ubatuba de 1964 a 1969. É a chamada fase áurea na administração desta cidade. Depois... só penúria! Prova?
               A prova está no nosso tesouro que dia a dia é encolhido e não sabemos como impedir, e nem como fazer mais. Explico melhor: chegando onde moravam os saudosos Antônio e Benedita, os últimos caseiros de um espaço que eu e tantos circulavam livremente, uma senhora declarou: “O senhor não pode entrar aqui, não pode passar para o outro lado. Eu cumpro ordens”. Nem perdi tempo para argumentar com alguém que é "pau mandado". Também sei que, há muito tempo, os administradores municipais perderam o rumo do desenvolvimento baseado na sustentabilidade, nas riquezas naturais e culturais que temos. Em casos assim, a Marinha do Brasil não poderia ser acionada? Quantas histórias e belezas têm do outro lado do Ocaraçu!!!

               “Ah! Se eu fosse um homem de visão, com a política adequada que temos aqui e o tanto de dinheiro que tenho de sobra, a primeira coisa que faria na Prainha do Padre era uma escavação arqueológica!”. Assim brincava o Velho Ademar nas prosas do jundu de Iperoig.

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