Agradeço ao jornalista Alberto Villas pela inspiração deste humilde texto. Era um fim de tarde e eu me encontrava num recanto sossegado da cidade, ali na praça, perto de uma mesa de concreto com um tabuleiro caprichado em cerâmicas pretas e brancas. No momento quatro pessoas jogavam baralho, cena típica de cidade do interior. Naquele pedaço da cidade nada se destacava mais do que o Inês Café.
Dei um sobressalto por conta de uns estampidos de fogos a anunciar a vitória do Palmeiras sobre o Mirassol. Em seguida, tomando um café muito saboroso, prestei atenção em um jovem discursando aos demais:
"Quem daqui não acompanha um pouco da agitação política em Brasília? Quem daqui não sente a falta que faz mais cabeças pensantes, capazes de perceber o tanto de deputados e senadores que são votos comprados pelo poder econômico? Gente de honra duvidosa, sem dúvida!
De vez em quando alguém repete esta frase besta de que "cada povo tem o governo que merece". Ora, ora, ora. O povo é como é, mas é capaz de exercitar mais o pensamento, desenvolver o senso crítico, ser uma 'pedra no sapato' desses políticos. É isto que os manipuladores políticos não desejam.
Quem vai aturar um povo leitor, que busca lazer de boa qualidade, adora artes etc.? Quem vai enfrentar um povo exigente, capaz de se posicionar contra os desmandos e as injustiças de uma minoria parasita a viver às custas da classe trabalhadora?
O povo não merece quem apenas age no desejo de enriquecimento fácil, via desvio de verbas públicas. O povo não deve se conformar a essa ignorância planejada, na finalidade de gerar sempre ingênuos úteis.
Quando o povo se manifestará contra essa política nefasta? É difícil? É sim! Nada que valha a pena é fácil!".
Muito boa a fala do rapaz! Alguém discorda? Duas ruas depois do Inês Café, lendo na calçada um livro achado, um sofredor de rua me mostrou o título relativo a alguma mente milionária. Pode isso?

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