sábado, 27 de junho de 2026

PESADELO A BORDO

 

Olympio e as crianças - Arte do Guinho



Na borda um menino quieto;

Barco balançando, balançando, balançando...

Reparei melhor: menino empalamado.

(Porque o  vai e vem assim o deixa).

Ar que muda,

Rente ao costado só espuma;

Mais abaixo fosforescência.

Vento no rosto,

Tontura insistente:

Pesadelo de gente.


Menino  empalamado;

Frio e calor medonho.

Tudo embrulha o estômago;

O rosto amado permanece

(Porque está tatuado na alma).


Ar repleto, cheiro de maresia.

Lá fora ninguém perceberia,

Aqui tem imenso valor.

Depois das bordas tudo é água.


Tudo passa, só a tontura é insistente:

Pesadelo de gente.


Assim, empalamado,

Como reparar nas belezas

Insuspeitas do horizonte?

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