quarta-feira, 24 de junho de 2026

OS CACHORROS

 


Caetano - Arquivo JRS 


Tem gente sem terra nenhuma 

Tem gente com terra demais

Tem gente fazendo a guerra

Matando em nome da paz

(...)

Terra só de poucos donos

De todo mundo será 

O homem vai ser o patrono 

De tudo que cultivar


     Neste espírito da composição do Catoni, eu saí para mais uma breve convivência com quem lida com a terra, nela se sustenta.

     O dia ainda não tinha amanhecido quando cheguei na roça do Caetano. Os três cachorros me receberam na maior alegria, sabiam que eu sempre tenho uns pãezinhos para o agrado. A preta, parecendo mestiça com raça grande, é mãe da amarela. A terceira, faltando uma perna, apareceu um dia vindo do Monte Valério, distante uns quatro quilômetros. Mesmo que o dono tenha vindo buscá-la várias vezes, ela retornou na caminhada difícil quase que imediatamente, no mesmo dia. Isto confirma o dizer de que "são os cachorros que escolhem os seus donos". Caetano concorda, acha que é mesmo. "Toma café, Zé. Tem farofa ali".

     As verduras, como sempre, estão lindas. Qual adubo? Restos de folhas, de cascas, cabeças e tripas de peixes e mais coisas vão se misturando e resultando num alimentos ótimo para a lavoura. O resto é dedicação de alguém sensível,  que não deixa de buscar conhecimento e de captar as vontades do chão. O assunto de vez em quando dá uma guinada: "Você sabe o que é bom para acabar com frieira brava e até mesmo doença de unha, Zé? É folha de pessegueiro! Faz um chá e lava o local. Num instante acaba tudo". 

   Como  é bom conviver com essa gente que ama a terra, os bichos e aprender tantas coisas! Gratidão, Caetano!

    Viva a sabedoria popular!

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