![]() |
| Pela vidraça - Arquivo JRS |
Os caiçaras de outros tempos denominam umas moscas nojentas de varejeiras. Eram daquelas que pousavam sobre tripas de peixes, feridas expostas etc. Medonhas, credo!
Agora, nas páginas de Almas Mortas, de Nicolai Gogol, achei uma passagem que pode muito bem ser aplicado a um Congresso Inimigo do Povo e seus congêneres de mesmo teor (Câmara de vereadores, assembleia de deputados...). Eis a reprodução:
Os fraques negros revoluteavam aqui e ali, como moscas sobre o torrão de açúcar que, num dia quente de julho, uma velha despenseira parte em bocadinhos, no peitoril de uma janela aberta. Os meninos que a rodeiam, gulosos, acompanham os momentos do nodoso braço que levanta o martelo, enquanto um enxame de moscas, ora dispersas, ora em grupos compactos, voam ligeiras no ar, lançando-se, atrevidas, sobre os bocados do açúcar, de cumplicidade com o sol que cega a velha, de vista um tanto debilitada. Empanturradas pelo saboroso manjar que lhes prodigaliza a cada passo o opulento estio, pensam menos em comer que em manifestar-se, passando por cima do açúcar, friccionando as patas umas contra as outras, coçam-se debaixo das asas, prendem a cabeça com as patas dianteiras estendidas e voam, por fim, para voltar ao mesmo ponto, em novos e importantes esquadrões.
As moscas varejeiras voltam sempre, querem estar por cima, se aproveitar de tudo até que nada fique restando. Sabe quem paga as lambanças, desde a Câmara Municipal até o Congresso Nacional, das piores varejeiras da atualidade? A classe trabalhadora!

Nenhum comentário:
Postar um comentário