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| Rosa na geada - Arquivo JRS |
Bem cedo, num dia de céu azul, admirando uma rosa no terreiro de casa ainda a mostrar o quanto a madrugada foi fria, despertei a meta maior de todo amanhecer: o que fazer para, neste mais um dia de vida, permitir o voo da alma? Prestando atenção no entorno, ouvindo, lendo... Enfim, valorizando o que a vida não cansa de me oferecer, vou descobrindo preciosidades. Hoje, logo depois da rosa, me deparei com um texto da Edna Gomes (instagram- ednagomesoficial1) que me sensibilizou bastante. Dele veio ao meu ser um reconfortante lampejo bem cedo. Esta é a justificativa para expressar minha gratidão à autora e apresentá-lo agora.
Existe uma liberdade estranha em deixar de ser o que esperam de nós. Durante muito tempo, tentei caber em lugares que não tinham o meu tamanho. Tentei corresponder a expectativas, evitar julgamentos, explicar escolhas e justificar caminhos. Até descobrir uma coisa simples: algumas pessoas não sentem falta do que somos. Sentem falta de quem imaginavam que seríamos. E talvez uma das maiores conquistas da maturidade seja parar de pedir licença para existir. Há perdas nesse caminho. Algumas portas se fecham. Algumas companhias ficam para trás. Algumas versões de nós mesmos precisam partir. Mas, em troca, nasce algo precioso: a tranquilidade de chegar ao fim do dia sem precisar representar um personagem. Porque existe uma liberdade estranha em deixar de ser o que esperavam de nós. E uma paz ainda maior em finalmente ser quem somos.

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