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| O justo oprimido - Arquivo JRS |
Era um final de tarde, quase serão. Eu escutava com atenção um tema muito doloroso ao Alfredinho (Frédy Kunz), que poucas vezes ele abordava: o tempo em que passou no campo de concentração, nas mãos dos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Nesses momentos se ouvia descrições terríveis, nunca imaginadas por este caiçara de Ubatuba, da segunda metade do século XX.
Alfredinho dava o testemunho de bastante fome naquele período distante da sua vida, com muitas pessoas morrendo porque ficavam privadas de comida e água, sendo vitimadas por disparos ou castigos físicos de maldades extremas. A pior revelação permanece, pelas palavras emocionadas dele, em minha memória:
"Muitas das pessoas destinadas à morte imediata eram trancadas numa grande sala e recebiam um gás letal. Uma vez mortas, jogavam sobre os corpos um pó branco, parecido com cal, que desintegrava tudo. Em seguida, com grande quantidade de água por meio de uma grossa mangueira, aquela montoeira de coisas, restos de seres humanos, se esvaía por uma tubulação para algum rio ali por perto. Assim ficava tudo limpo, pronto para outras execuções. Era muita maldade naquele momento histórico, meu irmãozinho Zé."
No contexto atual do Brasil, perante a normalização das maldades, os discursos carregados de ódio de muitos políticos e as mentiras passando por verdades, lanço um apelo aos corações: é nossa obrigação escolher bem nossos representantes políticos. Pensemos nas questões ambientais, nas leis de inclusão e justiça social. Afirmemos a todo momento o nosso compromisso com um mundo mais justo, sem desigualdades sociais e nenhuma forma de discriminação. A alma da nação depende das nossas escolhas.

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