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| Navegar é preciso - Arquivo JRS |
Conforme eu anunciei há dias, Steve Duarte, descendente de gente ligada à navegação em outros tempos, me enviou detalhes de seu antepassado e de seus negócios. Adorei o material e repasso agora, por partes, aos público leitor do blog. Gratidão ao Steve pela valiosa contribuição! Seguimos - eu, ele e tanta gente colaboradora - à disposição para dar a conhecer a nossa história, as coisas de caiçara.
Antônio José Duarte de Souza nasceu em 1819, na freguesia de São João Batista de Ponte da Barca, Viana do Castelo, Portugal. Em 19 de agosto de 1835, aos 16 anos de idade, obteve seu passaporte para deixar o Reino de Portugal com destino ao Brasil. Partiu da cidade do Porto a bordo da barca Amélia, chegando ao Rio de Janeiro em 1836. Algum tempo depois, estabeleceu-se na vila de Ubatuba, onde iniciou sua trajetória no Brasil como caixeiro do tenente-coronel Antônio José da Graça.
Em 26 de agosto de 1840, na Matriz de Ubatuba, casou-se com Maria Gonçalves do Nascimento, prima de seu primeiro patrão e filha do então sargento-mor João Gonçalves Pereira e de D.Francisca Soares de Novais. O matrimônio inseriu Antônio José Duarte de Souza em uma rede de relações familiares que reunia alguns dos principais agentes do comércio e da navegação na vila.
Tanto seu sogro quanto seu primeiro patrão estavam ligados ao tráfego costeiro e ao transporte de gêneros entre Ubatuba e Rio de Janeiro, Santos e outros portos intermediários. Naquele período, essas atividades eram realizadas predominantemente por embarcações à vela, entre as quais se encontravam as sumacas Doris, de 37 toneladas, e Flor de Ubatuba, de 41 toneladas, e as lanchas Santo Antônio Brasileiro, de 20 toneladas, Maria Thereza, de 24 toneladas, Aurora, de 28 toneladas, e Flor da Graça, de 27 toneladas.
Foi nesse contexto de expansão das atividades comerciais e de crescente integração de Ubatuba às rotas de cabotagem que, em 10 de julho de 1851, Antônio José Duarte de Souza formalizou uma sociedade comercial com seu sogro, sob a firma Pereira & Duarte. Estabelecidos com casa comissária e armazém para recebimento de cargas, os sócios dedicavam-se ao transporte e à intermediação do café e de outros gêneros, cuja produção, proveniente de Minas Gerais e do Vale do Paraíba, era escoada pelo porto de Ubatuba com destino ao Rio de Janeiro. A frota era composta de ao menos, pelo vapor Duarte I, de 90 toneladas, com tripulação de 15 homens, e pelo patacho Hortense, de 102 toneladas, com 8 tripulantes.
No Correio Mercantil de 23 de março de 1859, há um anúncio que, ao que tudo indica, comunicava o início das atividades do vapor Duarte I:
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