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| Professora Regina Natividade - Arquivo Rê |
Viva os 15 anos do
blog!
Hoje é a vez da companheira de tantos
movimentos nos honrar com sua honesta reflexão desenvolvida no ritmo acelerado
da vida. Regina é educadora e fez sua estreia trabalhando no Saco do Sombrio,
na Ilhabela. Era o começo da década de 1990, quem resistia ali eram poucas – e acolhedoras!
- famílias caiçaras. Graças a ela eu pude conhecer o nosso povo daquele lado. A
querida Rê fez bonito porque convivia com todo seu ser naquela comunidade agarrada
na vivência de colher da terra e do mar. É minha irmã de coração que sempre
busca dar o melhor de si. Que Dandara e João não percam a referência dessa mãe, desse farol. Gratidão demais!
SOBRE SER E ESTAR
Já
faz algum tempo que venho pensando sobre estas duas palavrinhas: SER e ESTAR. E
quando penso sobre a palavra SER, logo me vem à mente a importância do que diz
respeito à existência, presença e essência com relação a minha pessoa, a sua, a
nossa.
Penso
no quanto é importante sermos presença na vida de alguém especial ou mesmo de
forma especial. Presença essa que, o que fica guardado na memória, são
momentos.
Já a
palavra ESTAR demonstra algo previsível, sem profundidade, ideia de algo
provisório e passageiro como, por exemplo, pessoas que assumem um cargo: elas
estão no cargo. Então, que possamos ser confiança, ser essência.
Que
possamos ser pessoas críticas, ativas e
sem perdermos a ternura com o próximo e conosco.
Que
possamos ser construtores de pontes ao invés de levantarmos muros entre nós.
Que
possamos ser luz em meio a tanta escuridão.
Que
sejamos paz em meio a tantas guerras instaladas dentro de nós mesmos, em nossas
casas, em nosso ambiente de trabalho, no trânsito, nas relações.
Que
sejamos mais observadores e apreciadores dos especiais detalhes da nossa vida,
dos pequenos gestos, dos pequenos seres que quase já não os vemos mais em meio
a natureza devido a destruição que assola o meio ambiente ou ainda devido a
nossa “correria” diária. Pequenas ações como: o pescador que joga a rede ao mar
no despertar do dia, a flor que brota em meio ao concreto da cidade, o vagalume
que raramente vemos e tantas outras ações que passam por nós despercebidas.
Que
sejamos propagadores da verdade e não daquilo que “ouvimos dizer” ou “me
falaram”.
Que
sejamos e saibamos ser pessoas acolhedoras com aqueles que já não podem estar
com seus entes queridos, dos amigos...Afinal, quem nunca irá passar por perdas,
por um luto?
Que
sejamos a soma de valores junto às pessoas de bem e do bem e jamais a subtração
por qualquer que seja o motivo.
Que
ganhar não seja sobre ter que “pisar no outro” para ter seu destaque, mas que
se transforme em conquistas coletivas.
Que
sonhar com uma educação de qualidade seja viver o respeito à diversidade, onde
a criança seja respeitada em seu tempo, sua voz, suas necessidades, sua
essência, em especial no ambiente escolar.
Que saibamos “preparar os espaços para que a
vida aconteça com menos pressa e mais sentido” (Camila Izoli)
Que as comunidades tradicionais, assim como o
indígena e o negro, sejam respeitadas em todo nosso ser e nossa
ancestralidade.
Que
saibamos ser cada dia mais e que o estar ocupe cada dia menos espaço em nós.
Mas, se mesmo assim eu ou você tivermos de estar em algum lugar, que possamos
dar o melhor de nós mesmos.







