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| Retalho preto - Arquivo JRS |
Todo as pessoas citadas na primeira parte do presente título eram negros e negras, exceto o Dito Olho Azul e a vó Martinha. Sim, caiçaras de Ubatuba! No entanto, os traços culturais (danças, expressões, cantos, instrumentos, religiosidade...) dos afrodescendentes já estavam se apagando em Ubatuba, no século XX. Por quê?
Uma teoria é que, com a decadência cafeeira em Ubatuba, o grande maioria da população escravizada foi levada para o Vale do Paraíba e outras regiões, deixando a quase totalidade das fazendas da zona costeira em situação de abandono. A crise, inevitavelmente, deslocou a maioria desses trabalhadores. É claro que foi junto uma grande bagagem cultural desse povo! Vamos lembrar que, em 1830, constituia-se os negros em 56% da população nesse município litorâneo. Portanto, o que nos foi possível de alcançar até a década de 1970 (jongo, moçambique, congada, marimba etc.), era fôlego da incrível resistência. É indiscutível este fato: menos negros e seus descendentes na faixa litorânea resultou em menos traços culturais deles neste espaço. Mariano, o velho, fundador da capela São Benedito, no bairro da Estufa, dizia que "tudo foi se perdendo quando o nosso povo foi levado daqui para sofrer em outras terras".
Na prainha Deserta habitava o avô do Zé Teotônio, um antigo caiçara e solista de jongo. Eis uma lembrança dele (sempre ao compasso de palmas):
Rola o capurubu,
Chora eu, chora minha gente.
Segura pelo imbé;
Chora eu, choram vocês.
Segura pelo imbé.
Quem veio faz muita força;
Quem não veio é porque não quis.
Rola o capurubu, segura pelo imbé.
De onda em onda um dia vai rolar
Um cabo de cá e outro de lá.
E vamos descarregar.
Rola o capurubu, rola, rola, rolá.
Vai rolar na areia, minha gente.
Só não escuto gente de lá,
Minha gente, saravá.








