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| Tinticuia querida e florida - Arquivo JRS |
O pasquim, um gênero literário antigo, era bem comum em nosso município (Ubatuba) no século XX. E teria sido muito mais se a alfabetização fosse maior e mais gente tivesse recursos materiais (caneta, papel...) naquele tempo. Eu, menino curioso, cheguei a ler alguns. Tinha de tudo nos pasquins: fofocas, notícias de perto e de longe, comemorações e críticas. Bado lembrou bem:
“Com característica de folhetim escrito, em forma de versos, esses papéis eram afixados em lugares de reuniões públicas – ranchos de pescadores, árvores e capelas – e tinham, em sua maioria, caráter de mensagens e recados a alguma pessoa, ou então ligados a fatos misteriosos”.
Um dia distante, me
situando debaixo da grande figueira preta, onde se localizava o rancho do
Targino Barreto, na praia do Perequê-mirim, apreciei:
João
pigarreou para Jorgina,
Carlos
presenteou Florízia,
Dito e
Judith sussurraram coisas,
Batengo
e Niulene fecharam acordo,
Atílio e
Maria saíram de mãos dadas,
Braziliano
e Dita piscaram na mesma direção,
Nié apertou
firme a mão da Ditinha,
Sebastião
carregou Terezinha na barra,
Teotônio
se despediu de Maria
(Porque
Carminha estava chegando),
Chico se
ajoelhou aos encantos de Elza,
Avelino
bingou com Benega,
Totonho
e Cida conceberam o primeiro de muitos,
Hilário
e Aurora foram de canoa mar afora,
Bernardino
amou Zilda uma única vez,
Raul
amou muito Judite naquela ocasião.
Todos “amores
ilícitos”; todos depois do serão.







