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| Capa de livro - Arquivo JRS |
No passado histórico do nosso país, no tempo
de D. João VI, alguns reinos europeus criaram a tal de Santa Aliança, uma
coalizão militar e política conservadora. Quando digo conservadora, me refiro
aos esforços, aos acordos para ser mantidos firmes os privilégios dos mais ricos. Quem
sustenta estes? Quem trabalha, lógico! No nosso caso, na inclusão do reino
português nessa aliança, o objetivo maior era preservar o Reino do Brasil do
contagioso espírito revolucionários.
Qual
espírito revolucionário era esse? Era a
onda republicana e democrática que estava sendo abraçada pelas colônias
espanholas na nossa vizinhança. A monarquia absolutista estava sendo
defenestrada nos processos de independência no continente americano. Também a
Santa Aliança, aliada de D. João, era fundamental para sustentar a continuidade
do regime escravocrata que produzia a riqueza do Brasil.
Olhando a
onda reacionária do momento atual, a ação dela nos empobrecidos da nossa terra, quem não enxerga a atualização dos
seguidores da Santa Aliança? Eles não querem a soberania do nosso povo, nem de
outros mundo afora; desejam riquezas/privilégios às custas de quem trabalha,
acham normal as condições análogas à escravidão de tantos homens e mulheres, sobretudo da juventude.
Tais resquícios da ideologia da Santa Aliança apressam o fim do mundo
desrespeitando todas as leis ambientais e combatendo a maravilhosa diversidade
cultural do nosso povo. Seus adeptos são contrários e violentos contra as minorias marginalizadas e qualquer dos
programas de inclusão social. Recorrendo aos dispositivos tecnológicos atuais, essa ideologia
mentecapta produz uma massa de mentecaptos rebaixada, pois a maioria da
população precisa ser mantida com um mínimo de inteligência, ficar privada da
razão, da capacidade pensante, do senso crítico.
No alvorecer
da Santa Aliança, a família real portuguesa, fugindo de Napoleão Bonaparte,
veio aportar no Brasil. A elite portuguesa seguiu junto. Da noite para o dia
mais de 15 mil lusitanos “invadiram nossa praia”. O saudoso professor Hércules
Cembraneli se referia a eles como "a cambada de D. João, o séquito da
rainha louca”. Agora, lendo a obra D.Leopoldina, de Paulo Rezzutti,
fiquei sabendo que Carlota Joaquina, esposa do príncipe regente, foi trazida à
força para o Brasil. A digníssima de D. João não queria vir porque “considerava
o país uma terra de escravos e de macacos”. Dois séculos já se passaram, né? Ainda
assim, nessa ideologia continua agindo e pensando a elite do atraso, conforme
a denominação do sociólogo Jessé Souza.
Seu livro A elite do atraso: da escravidão a Bolsonaro, segue
atualíssimo graças a uma porção de gente nossa que prefere fazer parte da classe
de mentecaptos rebaixada.
Somente é
possível acreditar numa liderança popular, proveniente da classe trabalhadora,
que leva às últimas consequências a frase: “a nossa cabeça pensa de acordo com
o chão que os nossos pés pisam”. Os seguidores da versão atualizada da Santa
Aliança seguem o principal da versão primeira: precisa haver escravos para se
manterem como minoria dominante. Por isso a destruição da natureza é normal, leis trabalhistas não são necessárias etc. Fim da escala 6x1? Nem pensar!








