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| Foliões no coreto - Arquivo Rogério |
Viva os 15
anos do blog!
O estimado
professor Rogério Estevenel, além de fandangueiro, também atua em outras
frentes da nossa cultura. A partir de hoje, por quatro edições consecutivas, o
tema trazido por ele é um dos aspectos da catolicismo em Ubatuba: Folia de Santos
Reis. Como não agradecer pelo empenho deste caiçara nos eventos que fortalecem
as nossas raízes? Gratidão, companheiro!
As
Folias de Santos Reis em Ubatuba constituem um dos mais belos testemunhos da
religiosidade popular e da resistência cultural caiçara. Em tempos em que a
presença de padres era escassa e o acesso aos sacramentos limitado, foram os
foliões que asseguraram a vivência da fé católica nas comunidades, levando de
casa em casa a mensagem do nascimento de Jesus, a devoção aos Reis Magos e a
esperança que brota da tradição. As Folias de Santos Reis em Ubatuba não são
apenas manifestações festivas: são arquivos vivos da memória coletiva,
expressões profundas da religiosidade católica popular e pontes entre gerações.
Preservá-las é garantir que as vozes do passado continuem a ecoar no presente,
anunciando, em canto e devoção, o nascimento daquele que veio pobre, sem palácio,
mas coroado de amor: o Rei dos Reis.
Desde
o final de novembro, quando as cigarras iniciavam seus cantos, o povo já sabia:
era o sinal de que as Folias de Reis deveriam dar início às suas romarias. Ao
luar, muitas vezes guiadas pela chamas dos fifós, os grupos percorriam os
caminhos saudando o Menino Jesus diante dos presépios, entoando cantorias
seculares que narravam a profecia da vinda do Messias — nascido em manjedoura,
em palhinhas deitado, filho da Virgem Maria e de São José, seu pai adotivo.
Pobre, sem palácio, nascia o Rei dos Reis.
Em
Ubatuba, as folias sempre tiveram uma singularidade ímpar. Formadas por membros
da própria comunidade, ao som de violas, violões, rabecas, adufos, chocalhos e
caixas de folia, não possuíam roupagens identitárias padronizadas nem o uso de
palhaços, como em outras regiões do Brasil. Essa sobriedade estética reforçava
o caráter devocional da romaria, onde o essencial era a fé cantada, o encontro
fraterno e o respeito aos lares visitados. Com o passar do tempo, a forte
migração aproximou Ubatuba das realidades culturais do Vale do Paraíba e de
Minas Gerais, enriquecendo ainda mais essa manifestação. Hoje, a cidade abriga
inúmeros grupos que expressam essa diversidade.







