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| Grande do Bonete - Imagem Andreia Souza (?) |
O estimado Nerci Souza me
enviou uma imagem do Lula encontrada na internet. Ele estava embarcado na canoa
“Esperança”, do caiçara Sansão, na praia Grande do Bonete (Ubatuba). Certamente
que o líder metalúrgico, após a destacada atuação como deputado constituinte, foi passar uns dias com o Aloízio Mercadante, um companheiro do Partido dos
Trabalhadores. Também pode ter sido no final da década de 1980, mais
precisamente em 1989, quando o futuro presidente do Brasil - e maior líder
político mundial da atualidade! - viveu a
campanha contra o “caçador de marajás” de Alagoas, atualmente presidiário.
Mercadante ainda tem sua casa de veraneio na comunidade na qual presenciei
tantas festas; ele, sempre que pode, convive com a população local e cultiva a
amizade com nossos parentes que fazem do lugarejo um exemplar único no
município. A imagem me faz lembrar do tempo das canoas a motor se tecendo entre
a Lagoinha e Grande do Bonete, dando vida. É estampa de camiseta em minha memória.
A canoa “Esperança” diz muito, né? Foi a esperança que nos deu forças em buscar sempre a fidelidade à nossa cultura, à ética comunitária. É ela que está nos livrando da disfunção cognitiva que afeta tantos parentes. (Essa gente que orou para pneu, ficou acampado frente a quartéis, bebeu detergente...e segue sendo contra as políticas públicas que amparam os mais necessitados. Pior: apoia a moral miliciana de práticas criminosas até então repudiadas por nossa gente simples). Coisas inimagináveis por nossos ancestrais grassam entre nós! Irão sustentar a imoralidade de quem é criminoso e fugitivo da justiça brasileira? Serão capazes de resgatar a ética comunitária, a base da cultura caiçara?
O pescador Sansão,
filho do amor entre Hilário e Aurora que nasceu na praia das Sete Fontes, entre
as malhas de redes do velho Jaime Peralta, nunca poderia ter imaginado esse registro histórico
naquele dia distante, entre a subida e descida da maré. Estou criando agora, na
minha cabeça, aquele momento com muitos dos parentes (Tiago, Zé Roseno, Adelino, tio
Tião Armiro, Zé Teotônio, Batengo, Angelino, Chichico, Virgílio Lopes e muitos
outros caiçaras) debaixo de abricoeiros, assistindo tudo. Quem diria que aquele
barbudo, migrante nordestino, da classe operária, amigo do Mercadante, seria
presidente do Brasil pela quarta vez?





