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| Entre nuvens - Arquivo Mingo |
Estou na leitura do livro O espírito da esperança: contra a sociedade do medo, do filósofo Byung-Chul Han. Nele vai se afirmando que "apenas a esperança nos permite recuperar a vida que é mais que sobrevivência". Então me localizei no texto e no contexto atual a alimentar uma onda reacionária que eu, caiçara, adepto da ética comunitária, nunca imaginaria uns anos antes. O autor é eficiente em sua análise. Assim, não tem como não transcrever o seguinte:
O clima generalizado de medo sufoca qualquer broto de esperança. Com o medo se instala uma atmosfera depressiva. O medo e o ressentimento lançam as pessoas nos braços dos populistas de direita, que atiçam o ódio. Solidariedade, amistosidade e empatia se deterioram. O medo e o ressentimento causam o embrutecimento da sociedade como um todo. Isso, em última instância, ameaça a democracia.
Medo e democracia são incompatíveis. A democracia prospera apenas numa atmosfera de reconciliação e diálogo. Aquele que dogmatiza suas opiniões e não escuta os outros não é cidadão. O medo é um popular meio de dominação, pois torna as pessoas obedientes e suscetíveis à chantagem.
Qual medo está na moda em nossa cidade? Tenho ouvido de muita gente sobre o medo dos sofredores de rua, dos que mendigam a sobrevivência. "Vi na internet isso", "Minha amiga me enviou tal situação" etc. O marginalizado, fruto de uma sociedade que jamais repartiu é o culpado? Por que esse medo não se volta contra os opressores, os que desejam seguir sugando vidas, vivendo do suor da classe trabalhadora? Por que não desbancamos de seus tronos aqueles que pretendem seguir produzindo essa massa de desvalidos?
Escolher os mais fracos como culpados é uma estratégia reacionária, da direita política! E o que dizer dos pobres que abraçam isto?
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