![]() |
| João Zacarias, neto e bisneto - Arquivo DT |
![]() |
| Caiçaras na rede - Arquivo Trindadeiros |
João Zacarias, um grande pescador da praia do Sapê, parceiro de vovô Estevan, tinha a maior rede da região sul de Ubatuba. Negociava muito pescado por ali mesmo e até enviava para a capital paulista e outras cidades distantes. Quando criança, ouvi dele uma referência à minjoada. Mais tarde vovô Armiro também a citou. Disse que entre a Ponta da Fortaleza e a Laje Perdida era comum largar a minjoada. Então, depois de especular, escutei a seguinte explicação:
"É um recurso que a gente tem para pegar mais peixes num lugar que vive passando cardumes. É só preciso por uma poita em cada cabeceira da rede e deixar ela fundeada, pescando sozinha. Qualquer coisa que passar por ali pode se malhar. Se for de dia, a gente fica de longe vigiando, se for de noite é preciso madrugar. É como um tresmalho, só que é largado mais no largo. (Porque o tresmalho sempre está armado rente da costeira, né?). Depois, tem sempre algum barco passando e muita correnteza forte. Por isso que, vez ou outra, desaparece uma rede por aí".
Agora, passado meio século dessa prosa, dessas informações, achei esta referência no tese do Olympio Mendonça, publicada em 1978:
Largar a minjoada: pescar com uma ou duas canoas, que vão largando ao mar a minjoada, que é fundeada com uma poita, e deixada na espera por algum tempo, é um processo de pesca em desuso na região, devido ao risco de se perder a rede.
Na sequência ele detalha a minjoada:
Tresmalho de 40 a 100 braças de comprimento e duas ou três de largura, cujas malhas podem ter de 40 a 80 mm., encimada pela tralha de cortiça, que faz a sua orela, fundeada pela tralha de chumbeiro. É uma rede de espera e, quando se presta para matar peixes de fundo, é confundida com a feiticeira.








