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| Anúncio - Arquivo Steve Duarte |
Steve Duarte, na pesquisa da trajetória do seu tretavô, o português
Antônio José Duarte de Souza, hoje nos apresenta mais um pouco da história, dos
empreendimentos no ramo da navegação no século XIX. Ubatuba, lar desse pessoal,
era o porto por onde escoava até café cultivado em Itajubá e outras paragens
mineiras.
No ramo da navegação, inicialmente a parceria
era entre o nosso personagem principal e seu sogro. Posteriormente, ingressaram
na sociedade seu cunhado Francisco Gonçalves Pereira e seu concunhado Joaquim
Victorino da Cunha, passando a operar sob a razão social Pereira, Duarte &
Comp., que se consolidaria como uma das casas comerciais de maior expressão da
vila na segunda metade do século XIX. A sociedade entre Antônio José Duarte de
Souza, seu sogro e os dois cunhados foi dissolvida amigavelmente mediante
escritura pública lavrada no Tabelião Cruz, em 14 de abril de 1864. Na ocasião,
Antônio José retirou-se da empresa com o propósito de constituir uma nova firma
em associação com seu filho mais velho, Antônio Júlio. Os demais sócios
permaneceram reunidos sob a razão social Pereira, Victorino & Comp. Pouco
mais de um mês depois, em 18 de maio de 1864, foi lavrada, no 4.o Ofício de
Notas da Capital do Rio de Janeiro, a escritura de venda do vapor nacional
Innovador. A embarcação foi adquirida por Antônio José Duarte de Souza
diretamente do Barão de Mauá, pela quantia de 16 contos de réis, passando então
a denominar-se Trovador. O negócio foi acompanhado do pagamento do selo
proporcional, no valor de 16 mil réis, sob o nº 142, na mesma data, e do
registro nº 3.196 na Alfândega do Rio de Janeiro, onde foram recolhidos
direitos de 5%, correspondentes a 800 mil réis. A aquisição do Innovador,
rebatizado Trovador, marcou o início de uma nova etapa na trajetória
empresarial de Antônio José Duarte de Souza, agora desvinculado da sociedade
mantida com o sogro e os cunhados e associado diretamente ao filho na condução
de seus negócios. Constituía-se, assim, a nova casa comercial sob a razão
social Duarte & Filho. No entanto, o percurso da firma não esteve isento de
infortúnios. Em agosto de 1867, Antônio José Duarte de Souza anuncia no Correio
Mercantil o trágico falecimento precoce de seu prezado filho e sócio, Antônio
Júlio Gonçalves Duarte, de apenas 23 anos.
Apesar do revés que lhes acometera, a
firma continuou a buscar expandir suas operações. No Jornal do Commércio de 28
de maio de 1868, anunciou-se um novo acordo envolvendo as casas comissárias de
Caraguatatuba, passando o vapor Trovador a realizar três viagens mensais àquele
porto. O que Duarte não contava é que, na madrugada de 24 de fevereiro de 1869,
sofreria outra grande perda: o catastrófico naufrágio de seu Trovador, episódio
posteriormente narrado na primeira página do Jornal do Commércio de 2 de março
do mesmo ano.
Após sucessivas adversidades, Antônio José Duarte de Souza
anunciou no Jornal do Commércio, de 17 de dezembro de 1870, que reabrira seu
estabelecimento para receber cargas, declarando esperar a coadjuvação de seus
amigos e fregueses das províncias de São Paulo e Minas Gerais, marcando assim a
retomada formal das atividades comerciais após o naufrágio do Trovador. Nessa
nova fase de sua firma, Duarte, tendo como sócio seu segundo filho, José
Bernardo, adquiriu um novo vapor com o apoio de Miranda Monteiro & C., que
detinha porcentagem da embarcação. A aquisição do vapor Emiliana, de 120
toneladas, ampliava a capacidade de transporte em relação à embarcação perdida
e demonstrava não apenas a recomposição de seus meios materiais, mas também
firme disposição de reconstruir e reinvestir no tráfego costeiro que integrava
o circuito cafeeiro responsável por ligar o Vale do Paraíba e o sul de Minas à
praça comercial do Rio de Janeiro. A viagem inaugural do vapor, com partida da
cidade do Rio de Janeiro, ocorreu três dias mais tarde, na manhã de domingo, 9
de julho, às sete horas, conforme anúncio publicado no Jornal do Commércio de 8
de julho de 1871. Nessa nova fase, ingressou também seu genro Alfredo Augusto
da Silveira, agora sob a firma Duarte, Filho & Genro. Mais adiante houve a
aquisição do vapor Pirahy, em 1878.









