| Flor azul - Arquivo JRS |
“A vós bradamos os degredados filhos de Eva...”
Quem foi expulso, precisou sair de sua terra
para se manter vivo, sobrevivendo em outros lugares, é degredado, filho de Eva. Aqui, neste chão brasileiro, de Ubatuba, com
exceção dos povos originários, todos são “filhos de Eva”. Não importa se chegou
ontem ou se descende de povos estrangeiros que foram degredados, migrantes de
grandes distâncias, de 500 anos para cá. O certo é que somos degredados sempre,
buscamos uma terra melhor. Jesus, se acreditamos no Evangelho, disse que veio
para que todos tenham vida plena.
Lideranças políticas, no verdadeiro
sentido da palavra, nos ajudam enxergar e lutar por vida plena. Alguns
professores e professoras que tive me ajudaram muito nesta direção de entender
sobre política. Quem primeiro me falou do Lula, do Partido dos trabalhadores,
foi a prima Ângela, em 1981. As Cônegas de Santo Agostinho, que possibilitaram
outros horizontes a muita gente caiçara, eram sensíveis às causas sociais; muitas
delas eram da classe média ou alta daquele tempo. Uma delas, Ir. Laura Sampaio,
prima do saudoso Plínio Sampaio, numa tarde em que eu visitava a prima Ângela no
internato da ALA (Assistência ao Litoral de Anchieta), nos convidou para tomar
café com ela. Naquele momento as duas me introduziram no contato com outra
visão política. “Presta atenção nisso, Zezinho. Você precisa saber”. Ou seja,
uma alternativa surgia se opondo aos dois partidos (MDB e Arena) permitidos
pela ditadura militar. Aí eu me sindicalizei e comecei ampliar meu mundo, ter
outras perspectivas de degredado. Transformei a minha cultura, expandi; estudei
para compreender as raízes da exploração humana e possibilitar revisões de vida
continuamente para não trair o sonho de um mundo melhor. E isto sigo cultivando,
regando e zelando a cada dia!
O “Vale de Lágrimas”, da oração católica da
Salve Rainha, pode ser muito piorado pelo “Vale dos FDP” que conta com gente
minha, que cresceu comigo comendo peixe com banana verde e farinha. Se dizem
pobres, mas querem massacrar os mais pobres; se dizem cristãos, mas trazem a
coroa de espinhos e pedem a crucificação dos demais degradados, da multidão que
serve aos interesses dos mais ricos e são descartados. Resumindo: são mostras
de sepulcros caiados, hipócritas e fariseus do nosso tempo. Tiveram suas raízes corrompidas pelo joio
semeado com o passar dos anos, se revoltam com os próprios parentes que têm
fome e sede de justiça e estão buscando luz. Pensam e se comportam como os
ricos. “Nada disso de repartir com os pobres!”. Miséria cultural? Maldade?
Desvio de caráter? É, pode ser tudo isto!
Beijos e abraços à nossa brava gente brasileira.
Muita força à irmandade, sobrinhada e demais parentes que não esmorecem. Nossa solidariedade às primas Renata e Roberta. Parabéns, mano Mingo!





