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| João de Souza (de pé) - Arquivo Mônica |
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| As leitoras - Arquivo Mônica |
A querida Mônica me enviou a imagem do seu vô João proseando com Miguel, Élvio e uma criança. Estavam defronte ao campo de futebol do Itaguá, sentados no banco de tantas histórias. Veio à memória muitos momentos onde a recomendação primeira era: "Senta aí e bota reparo no que vou contar".
João de Souza e mais gente nossa neste chão caiçara criava um mundo inteiro em suas contações. Como um contador de histórias cria um mundo inteiro?
Vivendo situações fantásticas?
Recordando do passado, das experiências vividas ou escutadas?
Continuando uma tradição cultural de se reunir geralmente aos finais de tardes?
Recorrendo à capacidade imaginativa/inventiva?
Desejando outros desfechos para algumas condições existenciais?
Garimpando palavras e seus significados?
Projetando protagonistas?
Apaixonando-se pela narração, pelo prazer de colecionar histórias?
Amando descrever tipos singulares que passariam desapercebidos no cotidiano?
Dando importância destacada aos livros, bibliotecas e estudos?
Adorando as palavras?
São tantas as alternativas, mas acho que elas acabam se ajuntando.
Sabe de quem eu me lembro quando estou lendo ou escrevendo? Eu me recordo no tanto de gente a contar histórias em minha vida! João de Souza, João Barreto, vó Eugênia, vô Estevan, Zezinho Roseno, Virgílio Lopes, Francisco Chagas, tio Ezidio, tia Izolina, tia Apolônia, Velho Rita e mais um tantão de gente que nunca tiveram a pretensão de questionar história, causo, lenda etc. , mas que de certa forma expressaram o poder da literatura. As "Crias da Dona Laura", começando pela Joseana e Mônica, estão abraçadas à literatura, me deixando bem feliz. Meus parabéns!








