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| Artesanato local - Arquivo JRS |
Viva os 15 anos do blog!
Ainda em cima do trabalho do Olympio Mendonça, de meados da década de 1970, me comovi vendo os nomes de caiçaras que conheci bem: uns estão vivos, mas muitos já se foram. Hoje, o assunto é canoa. Quem nos transmite é o saudoso Mané Mancedo e o estimado Tié Barbosa que segue firme na musicalidade e nas danças da nossa tradição.
Canoa é gênero de moda de viola, com cantiga e dança arrasta pé. A música é impressionante em seus volteios e melodia, desprendidos pelo rasqueado das violas. Ao lirismo plangente, sucede o vibrante dos desafios e repentes. Os bailarinos evolucionam-se nos sistemas das danças de roda, como a ciranda e a cana-verde, entretanto há bate-pés, violentamente ritmados pelos pandeiros ou tambor. Trata-se de forma de cantiga, letra e dança, mais apreciada na região. Todavia, a execução de suas posições na viola de arame exige muita perícia dos violeiros; daí a dificuldade dos moços tocarem essa modalidade, que necessita de afinação própria, bem diferente das modernas.
Viola, minha viola;
Viola, meu violão.
(Bis) A viola me conhece no punho da minha mão.
Morena da Ponte Nova, me leva.
Canoa, minha canoa;
Canoa não é assim.
(Bis) Canta a sereia no mar, o canário no jardim.
Morena da Ponte Nova, me leva.
No cabo dessa viola
Eu faço guerra civí.
(Bis) Em cima da carabina faço cama pra durmi.
Morena da Ponte Nova, me leva.
Também não posso cantá,
Mas não sei porque eu já cantei
(Bis) Já bebi água de rosa, com as fadas já desmudei.
Morena da Ponte Nova, me leva.
Bananeira chora
De tanto filho que tem.
(Bis) Morre o pai e morre a mãe, fica os filhos sem ninguém.
Morena da Ponte Nova, me leva.
Aí bananeira do cacho,
Do cacho da bananeira.
(Bis) A ratoeira do rato, do rato da ratoeira.
Morena da Ponte Nova, me leva.
Cheguei no seu jardim, ai,
Pra tirá nove rosas.
(Bis) Três brancas, três amarelas, três encarnadas cheirosas.
Morena da Ponte Nova, me leva.






