quarta-feira, 14 de outubro de 2026

CORAÇÃO CHEIO DE QUÊ?

 

Amar...amar....amar...     Arquivo internet 

      "A boca fala daquilo que o coração está cheio".  Esta frase atribuída a Jesus Cristo e juntada a uma emocionante imagem resgatada de uma manifestação popular em Ubatuba, mais um comentário do amigo Carlos Lunardi estão me conduzindo nesta reflexão.

      O coração pode estar repleto de maravilhas, mas está passível de abrigar os piores sentimentos para destruir a humanidade.

      Quase sempre os piores sentimentos (em atos e/ou discursos de ódio) são contra os mais pobres e as chamadas minorias sociais. E essas coisas horríveis têm origem, são alimentadas por quem lucra em cima da miséria alheia. Os pobres se tornam combustível de tal estratégia. Não é de hoje que se nota posicionamentos de pobres a favor de ricos, daquele que "fala bonito". Este defeito já resultou na perda das posses de muitas famílias caiçaras.

     Passados mais de sessenta anos, já no serão da vida, sigo me defrontando regularmente com absurdos jorrando de coração de gente muito explorada, com suas escolhas trazendo resultados nefastos ao processo civilizatório. Agora teremos um Congresso ainda mais inimigo do povo, que trará um céu cinzento do amanhã, com menos direitos trabalhistas e cortes nos programas sociais. Cultura, saúde e educação serão prioridades no paredão da morte. Tudo orquestrado por pouquíssimas pessoas. Como chegamos nisto ?

     O amigo Carlos Lunardi citou um fenômeno surgido há anos: o compartilhamento de notícias falsas. "Vale lembrar que, em 2014, no Guarujá, uma mulher inocente foi brutalmente assassinada após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças, em meio à circulação falsa nas redes sociais. O caso demonstra como a disseminação irresponsável de informações pode ter consequências trágicas". É mesmo, Carlos! Se deve ao ímpeto pernicioso de multiplicação de mentiras as medonhas distorções de caráter nas pessoas. E segue com plena força! O resultado pior é a desinformação política, a alienação que conduz os mais pobres ao patíburo da morte. Morre o povo, morre a cultura.

      Por tudo isto dito acima  é que, o cartaz e a mensagem postada na imagem daquela criança na manifestação, me tocou demais: "Pelo futuro da cultura caiçara", acompanhada pela dedicatória carregada de humanidade que cultiva o melhor dos mundos: "É por vc meu amor".  Quer mensagem mais gratificante que esta brotando do coração?

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

CARÁ, DO ROXO

 

Cará-roxo.     Arquivo JRS

      Depois de um café com cará, me assentei para leitura. "Cará de onde?". De Ubatuba, ué! Ainda não avistei por outras bandas, longe do litoral, desse cará-roxo. (Do branco tem por todo lado). São os últimos da safra deste ano; no inverno eles invadem as bancas caiçaras da feira livre. Os consumidos agora foi presente de um querido amigo. Grande Jorge! Professor, escritor e leitor que é da nossa imensa estima, ele avistou o tubérculo, e, sabendo da minha predileção, comprou para mim. Gratidão demais!

    O título da página no livro do Seo Filhinho é: A  Santa da Maranduba. Eu, nascido na praia de Sapê, sempre ouvi dos mais velhos essa história. Agora vejamos um autor do centro da cidade:

    No longínquo 1917 ou 1918 ocorreu a notícia de que no bairro da Maranduba três meninas viam uma santa. Mais precisamente a Virgem Maria, que por vezes chegou a dirigir-lhes palavras, dando conselhos e fazendo recomendações. A notícia provocou repercussão nos arredores, chegando à cidade onde os mais desencontrados comentários se faziam ouvir. Uns acreditando, outros - a maior parte -, não dando crédito à boataria. Mas pequenos grupos, e depois grandes romarias se dirigiam à Maranduba para acompanharem de perto as manifestações populares.

     A santa, no dizer das meninas, fora vista pela primeira vez numa curva de caminho. Mas ali não permaneceu. Estava sempre a perambular pelo bairro, da praia para o sertão, dali para o Pontal, deste para o Sapê e para a Barra. Sempre a caminhar, era seguida pelas três videntes que, por sua vez, se faziam acompanhar de uma multidão de crentes e curiosos.


       Aquele tempo (Primeira Guerra Mundial) era de muito temor, sobretudo porque as notícias chegavam se arrastando. Hoje também vivemos tempo de temor, mas temos chance de ouvir as notícias, analisá-las e escolher entre a mentiras e as verdades. São estas últimas que podem nos livrar do pior candidato à presidência do Brasil. De nada vale correr atrás de qualquer santa, mas abraçar as mentiras, votar em quem sempre viveu da corrupção, sem nunca trabalhar pelo bem dos mais necessitados.

domingo, 11 de outubro de 2026

QUEM SOMOS?

  

Amoras - , Arquivo JRS 

     Um cidadão alemão falou deste dizer na sua terra: 

"Três coisas que não cabem numa mesma pessoa: honestidade, inteligência e ser de ultradireita". (Leia-se perversidade reacionária que se posiciona como os inimigos da humanidade). Eu então me detive nisto recordando dos exemplos e conselhos dos antigos, dos familiares. Tudo muito importante! Mais tarde, me guiando pela inteligência e pelos sentimentos, fui dando retoques no meu caráter, cuja rota essencial é a esperança num mundo melhor. Eu e a minha irmandade fomos  caminhando, dando as mãos e acabamos abraçados a tantas outras pessoas que seguem se  sustentando em iguais anseios. Optamos por caminhos civilizados, nos engajamos na democracia das políticas sociais visando corrigir as disparidades do nosso entorno, do Brasil.     Quanta satisfação em ver minha gente, principalmente a juventude, se formando em escolas públicas; muitas famílias conseguindo moradia digna; postos de saúde com médicos, em distantes lugares; transporte escolar garantindo acesso por todo o país etc. Porém, escutando absurdos de tanta gente, pobre como eu, que chegou até aqui graças às medidas de um governo popular, sou levado a concordar com o que escutei do cidadão alemão.

sábado, 10 de outubro de 2026

HUMANIDADE É ESCOLHA

 

Garça - Arquivo JRS 

Na luta a gente se encontra

Na vitória a gente canta

Com arte e união da gente

Nosso Brasil se levanta

 (Zé Vicente - Ceará)


       Conforme vamos fazendo nossas escolhas, somos obrigados a aguentar as consequências. Não temos a liberdade de escapar destas. A liberdade é só para as escolhas.

     Há escolhas derivadas da limitação cognitiva, intelectual. "É burrice demais, meu Deus!".  Outras se dão por prevalescência de péssimo caráter. "Faz assim porque não presta mesmo!". Ainda tem aquelas feitas por deficiência psicológica (que não pode rever uma opinião por tanto tempo afirmada): "O que vão dizer de mim se eu tomar outra direção agora?". Todas as direções acima são infelizes para a evolução do processo civilizatório, levam à barbárie.

    Nossas escolhas revelam o rumo da nossa HUMANIDADE. Ela pode ser comunitária ou egoísta, abrangente ou excludente, acolhedora ou perseguidora. Portanto, o mundo não é assim porque Deus quer ou porque está nas mãos do Diabo. O mundo é a soma das nossas escolhas. 

    O pior dos mundos - que pode surgir dos candidatos eleitos por cada um de nós! - é aquele que massacra o pobre indefeso, persegue às minorias sociais, acaba com os direitos trabalhistas, destrói o meio ambiente, torna violento e injusto todo o nosso espaço.

    Vai votar? Escolha o melhor caminho para não dizer depois que fez o mal sem querer!


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

UM BURACO SE ABRIU

 

Içá no quintal - Arquivo JRS 


      Um buraco se abriu no território do Brasil. Nem de longe parece pequeno, mas vou me ater ao entorno da minha casa:

      Sabe aquele pequeno comerciante que é o socorro da vizinhança? Quem gasta ali são, sobretudo, os mais pobres, que recebem auxílio do governo federal!

       Sabe aquele posto de saúde, onde regularmente tem atendimento médico e dentário aos que mais precisam?

       Sabe aquele transporte escolar que vemos em vários horários do dia, levando e trazendo nossas crianças?

       Sabe esses idosos com suas aposentadorias e seus direitos mínimos assegurados num estatuto?

      Sabe essas possibilidades de estudos, esses programas aos filhos dos pobres, aos indígenas e afrodescendentes aprovados nas últimas duas décadas?

      Sabe esses avanços científicos, essas campanhas de vacinação, essas viaturas que prestam socorro nas adversidades dia e noite?

      Sabe aquele auxílio às pessoas com alguma deficiência, aquele salário que lhes é garantido?

      Pois é. Vou parando por aqui (para ficar apenas na beirada do buraco). Tudo pode desaparecer apenas com um aperto de tecla. Então voltaremos à penumbra, com mais gente sofrendo, implorando e perambulando pelo chão da nossa terra. Não será um senhor idoso o derrotado, mas sim toda uma nação que era a esperança mundial.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

ARRELÁ!

 

Foto : arrelacoletivocaiçara


        Hoje, me sustentando numa imagem de resistência caiçara e no texto do Bruno, reconheço no que resulta desprezar a educação formal, desmerecer a escola e atacar os docentes. O resultado é essa onda reacionária, nos moldes do ditador alemão do século passado, varrendo o lagamar e o jundu. Pior que muitos pobres são os primeiros a caírem na arapuca. Alguém duvida que o filho pode ser pior do que o pai?


         Uma sociedade começa a adoecer quando passa a desprezar quem ensina, quem estuda, quem pesquisa e quem dedica anos da vida para adquirir conhecimento.

        Isso não significa que professores, médicos, cientistas ou intelectuais estejam acima de críticas. Pelo contrário. Autoridade não transforma ninguém em dono da verdade. Mas existe uma diferença entre questionar e desprezar.

      Hoje, muitas vezes, anos de estudo precisam disputar espaço com um vídeo de 30 segundos, uma teoria conspiratória ou alguém absolutamente convicto sobre um assunto que acabou de descobrir. E talvez esse seja um grande problema do nosso tempo: confundimos ter acesso à informação com possuir conhecimento.

       Democratizar a informação foi uma conquista. Desprezar quem dedicou a vida a estudá-la não é evolução. Pensamento crítico significa questionar sem desprezar o conhecimento. (Eu acrescento: sem ignorar, sobretudo, a geopolítica).


   Agradeço ao Bruno e espero que ele disponha seu conhecimento ao serviço do trabalhador, do povo que mais sofre. Faço questão de reafirmar isto: sabedoria está acima da informação e do conhecimento.



segunda-feira, 5 de outubro de 2026

TÁ FELIZ?

Colheita - Arquivo JRS 

 

            Tá feliz, pobre de direita? 

       Eu, ainda antes de ver as filas para as votações, me recordei de uma imagem do filme Tempos Modernos, daquele momento inicial das pessoas parecendo gado indo para o matadouro. As apurações confirmaram esta minha impressão. 

       Esses mais pobres, que dependem dos programas sociais, de um governante mais comprometido com justiça distributiva, includente, ao votarem nos piores quadros que tornará ainda pior o Congresso Nacional, agora confirmam a miséria cultural na qual estamos nos afogando. 

     Eu repudiarei qualquer um que disser que "é vontade de Deus". Lógico que é vontade do Diabo torcer para um mundo mais desigual, entregue à sanha dos ricaços! É claro que é de ordem diabólica essa política de findar com os programas sociais, privatizar praias, tirar toda a esperança da juventude etc.!

     O amanhã pode ser de ditadura e de perda da soberania nacional. Pode ser que, invés de gente aguardando atendimento no sistema único de saúde, tenhamos novamente fila para ganhar ossos, para sepultar os desvalidos. Pode ser o fim do Mais Médicos, da privatização total da Saúde e dos programas de apoio à Educação.

        Tá feliz você que votou contra você mesmo? Espera qual colheita?