| Sertão da Quina e Sapê presentes no coreto (Arquivo JRS) |
Viva os 15 anos do blog!
Muitas interferências tendem a acabar com alguns dos nossos traços culturais, algumas das marcas caiçaras ainda existentes em Ubatuba. Triste quando os gestores não percebem o valor e a riqueza possível por intermédio do turismo cultural. Porém, a nossa gente resiste e segue fazendo bonito em suas manifestações. Parabéns às lideranças que não esmorecem! É isso ai, pessoal!
Parte 4
Nos
últimos anos, o encontro voltou a receber um apoio ainda tímido, restrito basicamente
à sonorização. Em 2026, contudo, o encontro não foi realizado, embora
aproximadamente cinco grupos tenham mantido suas atividades de forma
independente. Esse cenário acende um sinal de alerta: as Folias de Santos Reis
em Ubatuba vêm se enfraquecendo em virtude de inúmeras interferências externas,
da falta de políticas públicas continuadas e da ausência de um projeto
estruturado de salvaguarda. O risco de desaparecimento dessa manifestação é
real e iminente.
Diante
desse contexto, é imprescindível reconhecer publicamente o considerável
comprometimento, a defesa incansável e a atuação concreta de Nei Martins e
Rogério Estevenel como referenciais na manutenção das manifestações culturais
tradicionais caiçaras, especialmente das Folias de Santos Reis. Suas
trajetórias demonstram que, quando há sensibilidade, diálogo com as comunidades
e respeito ao sagrado e à tradição, é possível fortalecer identidades culturais
e garantir a transmissão de saberes entre gerações.
Assim,
este texto se soma ao clamor das comunidades, dos mestres e dos foliões para
encorajar os poderes públicos — em especial o município de Ubatuba, por meio de
seus órgãos de cultura, educação e turismo — a assumir um compromisso efetivo
com a salvaguarda das Folias de Santos Reis. Faz-se urgente a criação de um
projeto de fortalecimento dos grupos e dos festejos natalinos, que contemple:
apoio logístico permanente; registro e documentação das cantorias seculares;
ações formativas para jovens; reconhecimento dos mestres como detentores de
saberes tradicionais; e a institucionalização do Encontro de Folias de Santos
Reis como evento oficial do calendário cultural da cidade.
Preservar
as Folias de Santos Reis não é apenas manter uma tradição religiosa: é proteger
um patrimônio imaterial que expressa a alma caiçara, a fé popular e a história
viva de Ubatuba. Sem ações concretas e continuadas, corre-se o risco de
silenciar vozes que, por séculos, anunciaram em canto e devoção o nascimento
daquele que veio pobre, sem palácio, mas coroado de amor — O Menino Jesus!
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