domingo, 8 de março de 2026

COMEMORAÇÕES (XIII)

 

Céu de desafios - Arquivo JRS 


Viva os 15 anos do blog!

 

    Acordei pensando, como sempre, na minha gente mais querida, nas tarefas do cotidiano, nos enfrentamentos que a vivência exige de cada ser humano. Sei que a grande parte das agruras impostas à quase totalidade dos viventes é decisão política. (Aqui eu incluo também os demais seres! Exemplo: liberar agrotóxico, usar “mata mato” é envenenar a terra, matar minhocas, passarinhos etc.). Daí a importância de atentar às mensagens e exemplos de quem desponta no cenário político. Nossos votos nas eleições têm muito compromisso com tudo aquilo que acontece depois. Podemos estar dando vida a monstros horríveis. Quando um grupo, lá em Brasília ou em Ubatuba vota contra os direitos trabalhistas, quem o elegeu  é corresponsável pelas agruras decorrentes disso. Quanta gente “inocente” votou nessa horda que persegue mulheres, indígenas, negros, meio ambiente etc.? Quanta gente miserável depositou nas urnas votos favoráveis a esses mercenários que só aumentam seus próprios privilégios, desviam verbas públicas a seu bel prazer e sentem prazer nas atrocidades que cometem? Quanta gente religiosa, próxima de nós, bate palmas para governantes que praticam genocídios e destroem países inteiros? Escolhi um texto do Nego Bispo para a nossa reflexão neste dia tão especial:

 

      Existem modos de vida fora da colonização, mas política, não. Toda política é um instrumento colonialista, porque a política diz respeito à gestão da vida alheia. Política não é autogestão. A política é produzida por um grupo que se entende iluminado e que, por isso, tem que ser protagonista da vida alheia. A democracia é uma coisa eminentemente humana. Os outros seres, os outros viventes no mundo, não exercitam esse movimento. Eles não têm vida parecidas com isso. Os bois, os porcos, as galinhas, os pássaros não têm essa estrutura de gestão. Só os humanos têm essa estrutura em que um vive para gerir a vida do outro verticalmente, para defender o direito dos outros. Entre as outras vidas, cada um se defende de forma segmentada para defender o território de forma integrada.  [...] Dentro do reino animal, só existe política na espécie humana. Nas outras espécies existe a autogestão. [...] Quando um enxame de abelhas está grande demais, sai uma rainha e constrói outro enxame. Quando uma casa de maribondos está grande demais, eles fazem uma nova casa. Quando um formigueiro está grande demais, as formigas fazem outro formigueiro. Por que não aprendemos que, na autogestão, o grupo tem que ser do tamanho necessário para se autogestionar?

 

      A autogestão tem de ser um caminho, uma maneira diferente de exercício político! Aquela rua que se uniu contra os esgotos lançados no rio é um exemplo. Aquele bairro que se organizou para determinar as prioridades locais é digno de ser imitado. E o que dizer daquela nossa gente que pescava uma vez por semana comunitariamente e fazia tantos serviços em sob forma de pitirão? Pois é! Foi este modelo  que nos garantiu a vida e os ideais que nos sustentam. Muito me honra a irmandade que se mantém nesse rumo!

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