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| Arte da Maria - Arquivo JRS |
Viva os 15 anos do blog!
Hoje, 21 de março, aniversário da nossa querida Maria Eugênia, declaro o fim do período dos festejos deste blog. Para encerrar as comemorações de uma década e meia deste que nasceu por incentivo da querida Gal, hoje a história é de um achado no meio da mata. A ilustração coube à nossa amada filha que completa mais um ano de vida em nossas vidas.
Dia de se dedicar à caminhada numa trilha nova, mas caminho antigo que agora quase não se percebe. Ao longo dela sabemos que, espaçadamente, morou gente. A prova? Árvores frutíferas, plantas ornamentais, cacos de vasilhas...Tudo em meio à mata fechada.
Amarildo é meu parceiro desta vez. Cada um carrega a sua mochila com água, alimento, alguns medicamentos e roupas. Uma lona curta faz parte da minha carga, servirá de abrigo em algum imprevisto. “Vamos em frente, amigo! É dia de suar para ver as belezas e as surpresas!”.
Depois de horas na trilha onde a vegetação estava exuberante, divisamos uma casa em ruínas, mas com o terreiro relativamente bem cuidado. Nenhum cachorro ou outro animal doméstico havia por ali. Nos aproximamos. Aparentemente nem porta havia. Dentro da casa, no espaço do quarto, o nosso espanto: um senhor bem idoso repousava numa cama de casal. Até tela mosquiteira estava armada, protegendo-o. (Certamente que, com a casa naquele estado, cercada com mata exuberante, os insetos e outros bichos imperavam).
Aquele homem, depois de bem desperto, pareceu ficar alegre com a gente ali. E teve início a boa prosa:
- O meu nome é Cirino, moro aqui há muito tempo. Esta casa é de 1950. (Nesse momento eu pensei na casa dos avós, na praia da Fortaleza, cuja edificação é de 1930 e está toda charmosa ainda). Quando tinha mais gente por aqui e as famílias viviam do roçado e das caçadas, eu era parteiro, atendia quem precisava. Pouco a pouco essa minha gente foi indo embora, morrendo... Fiquei por aqui porque este chão é o meu lugar, a minha razão de viver. O que vou fazer na cidade, num lugar maior? Viver de esmolas, dormir pelas ruas, morrer no desamparo? Então fico por aqui e neste chão viverei até quando Deus quiser.
A conversa se estendeu por um bom tempo. Ficamos extasiados com o encontro nunca imaginado num lugar assim, numa trilha dessa. Nos despedimos prometendo voltar em breve. “É assim mesmo, Amarildo: acredito que sonho e realidade servem para dar sentido à vida. O que você disso que vimos? E vamos em frente porque ainda temos chão pela frente!”.

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