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| Beira de rodovia - Arquivo JRS |
Tempos
desses, estando no ponto do ônibus, no Saco da Ribeira, escutei o seguinte
diálogo entre dois trabalhadores. Estavam indo para casa depois de um dia na
labuta:
- Disseram
que aquele lago, onde puseram peixes bobos, desses que nem sei se alguém come,
serviria para verificar a pureza da água depois de tratada. Foi esta a afirmativa do
engenheiro.
- Pois
é, foi assim mesmo. Se os peixes não morressem, era sinal que a obra, de
apartamentos caríssimos bem dizer em cima da praia, não estaria prejudicando o
entorno e o mar, fim do destino do esgoto tratado.
- E o
que aconteceu depois de receber a tal água tratada? Tudo morreu, a superfície
ficou assim de peixes mortos ou estrebuchando. Não deu certo a experiência do
lago.
-
Então...o tal tratamento não deu certo, né? E vai ficar assim mesmo. Que se
dane o mar.
Noutra
ocasião, viajando por aí, apreciando paisagens, notei que beiradas de estradas
estavam com mato amarelado, tipo queimado. O amigo Francisco explicou: “É
veneno borrifado por empresas terceirizadas na preservação da rodovia. Fazendo
isso, elas diminuem os custos com contratação de funcionários, mas cometem
crime ambiental. Afinal, o veneno borrifado se dispersa com vento, contamina o
solo, envenena grãos e folhas que os pássaros e demais animais comem. Caso haja
alguma árvore frutífera (goiabeira, pitangueira, laranjeira...), também os
seres humanos podem ser afetados, contrair doenças”. Portanto, concluo
eu:
Ao ver esses vestígios em suas andanças, se manifeste contra, denuncie quem está praticando tal absurdo, cobre das autoridades sanitárias alguma atitude desse avacalhamento na prestação de serviços públicos. Não esqueça: desde o ínfimo ser até o homo sapiens existe uma interdependência vital. Pensar nesta perspectiva pode ser o início de uma transformação fundamental na existência, na sobrevivência neste planeta. Não eram “peixes bobos” que foram mortos pelo empreendimento! Quantas vidas, inclusive as nossas, continuam sendo destratadas assim?

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