terça-feira, 31 de março de 2026

PEIXES BOBOS

 

Beira de rodovia - Arquivo JRS 


   Tempos desses, estando no ponto do ônibus, no Saco da Ribeira, escutei o seguinte diálogo entre dois trabalhadores. Estavam indo para casa depois de um dia na labuta:

       - Disseram que aquele lago, onde puseram peixes bobos, desses que nem sei se alguém come, serviria para verificar a pureza da água depois de tratada. Foi esta a afirmativa do engenheiro.

     - Pois é, foi assim mesmo. Se os peixes não morressem, era sinal que a obra, de apartamentos caríssimos bem dizer em cima da praia, não estaria prejudicando o entorno e o mar, fim do destino do esgoto tratado.

     - E o que aconteceu depois de receber a tal água tratada? Tudo morreu, a superfície ficou assim de peixes mortos ou estrebuchando. Não deu certo a experiência do lago.

    - Então...o tal tratamento não deu certo, né? E vai ficar assim mesmo. Que se dane o mar.

 

    Noutra ocasião, viajando por aí, apreciando paisagens, notei que beiradas de estradas estavam com mato amarelado, tipo queimado. O amigo Francisco explicou: “É veneno borrifado por empresas terceirizadas na preservação da rodovia. Fazendo isso, elas diminuem os custos com contratação de funcionários, mas cometem crime ambiental. Afinal, o veneno borrifado se dispersa com vento, contamina o solo, envenena grãos e folhas que os pássaros e demais animais comem. Caso haja alguma árvore frutífera (goiabeira, pitangueira, laranjeira...), também os seres humanos podem ser afetados, contrair doenças”. Portanto, concluo eu:

     Ao ver esses vestígios em suas andanças, se manifeste contra, denuncie quem está praticando tal absurdo, cobre das autoridades sanitárias alguma atitude desse avacalhamento na prestação de serviços públicos. Não esqueça: desde o ínfimo ser até o homo sapiens existe uma interdependência vital. Pensar nesta perspectiva pode ser o início de uma transformação fundamental na existência, na sobrevivência neste planeta. Não eram “peixes bobos” que foram mortos pelo empreendimento! Quantas vidas, inclusive as nossas,  continuam sendo destratadas assim?

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