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| Povo Mura - Arquivo internet |
Quando eu acho uma informação sobre
qualquer etnia indígena, me volto para as nossas raízes culturais e enxergo
aquela que está na base da cultura caiçara: a Tupinambá. Será que todo o povo
brasileiro tem este conhecimento, este reconhecimento de que uma parte de nós
está assentada no alicerce de sangue indígena?
Tempos desses, lendo a biografia escrita
por Paulo Rezzutti sobre a imperatriz Leopoldina (que veio da Áustria para ser a
primeira esposa de Pedro I), achei uma referência à etnia Mura. Atualmente este grupo ocupa vastas áreas junto aos principais rios amazônicos (Madeira, Purus e
Amazonas), se destacando como exímios navegantes e conhecedores dos caminhos
nos igarapés, ilhas, lagos etc. Como quase a totalidade dos povos indígenas, os
Mura, em seu longo histórico de contato com os invasores, sofreram diversos
estigmas, massacres e perdas em diversos aspectos (demográfico, linguístico e
cultural). Na mesma pesquisa, no citado autor, encontrei esta informação:
Natterer, um dos estudiosos que veio com
Dona Leopoldina, depois de desbravar o sudeste, seguiu para a Amazônia. Após 18
anos de exploração, levava para Viena 37 caixas com material coletado, Maria do
Rego, sua esposa, e três filhos. Apesar do nome, Maria era uma índia Mura com
que ele se casara na Amazônia. Ela e duas crianças não sobreviveram no primeiro
inverno europeu. A filha mais velha, Gertrud, anos depois se casaria na
aristocracia austríaca, tornando-se baronesa Schröckinger von Neuenberg.
Não é interessante? Provavelmente foi a
primeira e única filha de indígena do território brasileiro a possuir um título da nobreza europeia. Uma
filha Mura, imagina! Quando isso? Nos primórdios do século XIX.

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