sábado, 13 de junho de 2026

OS MURA

 

Povo Mura - Arquivo internet


      Quando eu acho uma informação sobre qualquer etnia indígena, me volto para as nossas raízes culturais e enxergo aquela que está na base da cultura caiçara: a Tupinambá. Será que todo o povo brasileiro tem este conhecimento, este reconhecimento de que uma parte de nós está assentada no alicerce de sangue indígena?

     Tempos desses, lendo a biografia escrita por Paulo Rezzutti sobre a imperatriz Leopoldina (que veio da Áustria para ser a primeira esposa de Pedro I), achei uma referência à etnia Mura. Atualmente este grupo ocupa vastas áreas junto aos principais rios amazônicos (Madeira, Purus e Amazonas), se destacando como exímios navegantes e conhecedores dos caminhos nos igarapés, ilhas, lagos etc. Como quase a totalidade dos povos indígenas, os Mura, em seu longo histórico de contato com os invasores, sofreram diversos estigmas, massacres e perdas em diversos aspectos (demográfico, linguístico e cultural). Na mesma pesquisa, no citado autor, encontrei esta informação:

    

      Natterer, um dos estudiosos que veio com Dona Leopoldina, depois de desbravar o sudeste, seguiu para a Amazônia. Após 18 anos de exploração, levava para Viena 37 caixas com material coletado, Maria do Rego, sua esposa, e três filhos. Apesar do nome, Maria era uma índia Mura com que ele se casara na Amazônia. Ela e duas crianças não sobreviveram no primeiro inverno europeu. A filha mais velha, Gertrud, anos depois se casaria na aristocracia austríaca, tornando-se baronesa Schröckinger von Neuenberg.

 

    Não é interessante? Provavelmente foi a primeira e única filha de indígena do território brasileiro a possuir um título da nobreza europeia. Uma filha Mura, imagina! Quando isso? Nos primórdios do século XIX.

 

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