sexta-feira, 12 de junho de 2026

PASQUIM DOS ILÍCITOS

 

Tinticuia querida e florida - Arquivo JRS 


       O pasquim, um gênero literário antigo, era bem comum em nosso município (Ubatuba) no século XX. E teria sido muito mais se a alfabetização fosse maior e mais gente tivesse recursos materiais (caneta, papel...) naquele tempo. Eu, menino curioso, cheguei a ler alguns. Tinha de tudo nos pasquins: fofocas, notícias de perto e de longe, comemorações e críticas. Bado lembrou bem: 

    “Com característica de folhetim escrito, em forma de versos, esses papéis eram afixados em lugares de reuniões públicas – ranchos de pescadores, árvores e capelas – e tinham, em sua maioria, caráter de mensagens e recados a alguma pessoa, ou então ligados a fatos misteriosos”.

   Um dia distante, me situando debaixo da grande figueira preta, onde se localizava o rancho do Targino Barreto, na praia do Perequê-mirim, apreciei:

 

João pigarreou para Jorgina,

Carlos presenteou Florízia,

Dito e Judith sussurraram coisas,

Batengo e Niulene fecharam acordo,

Atílio e Maria saíram de mãos dadas,

Braziliano e Dita piscaram na mesma direção,

Nié apertou firme a mão da Ditinha,

Sebastião carregou Terezinha na barra,

Teotônio se despediu de Maria

(Porque Carminha estava chegando),

Chico se ajoelhou aos encantos de Elza,

Avelino bingou com Benega,

Totonho e Cida conceberam o primeiro de muitos,

Hilário e Aurora foram de canoa mar afora,

Bernardino amou Zilda uma única vez,

Raul amou muito Judite naquela ocasião.

Todos “amores ilícitos”; todos depois do serão.

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