quarta-feira, 1 de julho de 2026

QUE DESASSOSSEGO!

 

Ninho ao vento - Arquivo JRS 

      Tem gente que ouve as notícias, mas faz pouco caso das nossas indignações, diz que são bobagens, que estamos espichando brigas etc. Eu digo que tipo assim está aquém da minha insuficiência mental; é dotado de incapacidade de enxergar só um pouquinho a mais da rotina que se apresenta;  não quer admitir as articuladas narrativas favoráveis à classe dominante, contra os pobres. Tipo assim, digamos que são paredes escuras com pretensão de delimitar, de circunscrever nossos pensamentos, palavras e ações. Ou ainda: rio caudaloso que tenta carregar as reses, levá-las ao matadouro. Que desassossego!
         A fadiga é notória em alguns rostos; traços deformados se agonizam. Ser reacionário, ser contrário à vida digna para todos vai se tornando epidemia. Cadê aqueles sinais luminosos do horizonte, aquela utopia de Eduardo Galeano? O que está se repetindo muito,, coalhando no entorno (próximo e/ou distante), são víboras empeçonhando prosas. A cada meia dúzia de passos uma provocação inútil. Ouso ser desagradável. Quem dera fosse mais meticuloso! Quem tem paciência demorada para aguentar falação alienada? Em contexto assim não há injúria sem motivo. Disse a um pobre como eu: "Que ridícula safadeza este seu caminho, né?". Aspereza minha? Pode ser. Estupidez necessária? Pode ser também. Meu grande desejo é ser/ver gente vivendo uma vida digna, feliz desde já. No entanto, cresce entre nós o desejo de oprimir, de se apoderar da vida dos outros; de compactuar com a morte através das injustiças,  de eleger quem desmerece a classe popular e as minorias sociais.
        Que satisfação ao me deparar com gente enxergando além das notícias! Ainda bem!

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