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| Álvaro Ventura - Arquivo internet |
Prosseguindo na Memórias do Cárcere, eu me detive nesta passagem deixada por Graciliano Ramos:
"O mais perfeito gentleman que vi foi Álvaro Ventura, homem lento e gordo, estivador em Santa Catarina, o primeiro comunista eleito para a câmara federal. Tinham-lhe suprimido o mandato, e vivia conosco, aguardando o lugar na Colônia Correcional".
Ao ler o nome desse comunista, cidadão do litoral catarinense que pertencera à Irmandade do Senhor dos Passos e à luta sindical, me recordei de uma palestra proferida por Elias Stein, militante metalúrgico de Santo André (SP), quando soube desse político catarinense: foi o primeiro deputado federal eleito pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1933. Dentre muitos ofícios, era estivador e chegou a ocupar o posto de secretário-geral do PCB. Em 1935, após o levante da Aliança Nacional Libertadora, foi cassado e preso, tendo de viver depois muito tempo na clandestinidade.
De acordo com a sobrinha-neta, Maura Soares, "as convicções políticas de Álvaro o afastaram de alguns familiares, mas nunca das ações que provavam sua honestidade e fé na justiça. Em 10 de julho de 1989, aos 96 anos, deixando filhos, netos e bisnetos, Álvaro deu adeus ao mundo que ele acreditava que um dia iria melhorar".
Seguindo na leitura do livro, um pouco mais adiante Graciliano faz nova referência ao nosso personagem:
"Espantava-me de perceber em Ventura, um estivador, as maneiras corretas e a afabilidade que me habituara a distinguir no médico. Esquisito. A prisão nos sujeitava a duros abalos e surpresas constantes".
Pois é! Quem diria! De Santa Catarina saiu o primeiro deputado federal comunista.

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