sexta-feira, 26 de junho de 2026

DRUMMOND NO PRATO

 

Sopa de letras - Arquivo JRS 






    UbatubaO ano era 1974,  eu estava na qui.nta série ginasial, no "Capitão Deolindo", com muitos professores espalhados em um tantão de disciplinas. Na cadeira de Língua Portuguesa, o mestre era o saudoso José Wilson. Eu, tendo herdado o livro didático deixado pela mana Ana (que estava a uma série adiante), me encantava pelos poemas e narrativas breves, cujas ilustrações se compunham em traços simples de duas ou três cores. Carlos Drummond de Andrade sempre foi um dos meus preferidos. Um de seus poemas me introduziu na imaginação de alguém sem muita fome e desanimado com realidade do país, escrevendo o nome de uma pessoa querida com letras de macarrão, na borda do prato.

       Passaram-se anos, meio século para ser mais preciso, até que, recentemente, numa noite fria, minha esposa caprichou numa sopa. De macarrão de letrinhas, acredita? Aí me veio a vontade de repetir Drummond no meu prato. Mari..., na ilustração daquele livro didático, me conduziu ao nome Maria. Contei a história à minha Gal: "A Maria de hoje, aqui na borda, é a nossa estimada filha!"


Ponho-me a escrever teu nome

com letras de macarrão.

No prato, a sopa esfria, cheia de escamas

e debruçadas na mesa todos contemplam

esse romântico trabalho.


Desgraçadamente falta uma letra,

uma letra somente

para acabar teu nome!


- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!


Eu estava sonhando...

E há em todas as consciências 

um cartaz amarelo:

"Neste país é proibido sonhar".


Em tempo: o quadro seguinte mostra os leitores do blog nesta semana (aqui e em alguns lugares mundo afora).




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