terça-feira, 26 de maio de 2026

TUDO QUE VIVI LÁ

 

Teia de aranha - Arquivo JRS 

     As histórias nos mantém aquecidos mesmo depois de décadas após ouvi-las. Nossos corpos não vivem sem histórias.

     Imagine, nos primórdios da humanidade, adultos e crianças  prestando atenção e se revezando nas narrativas que preenchiam a vivência, davam sentido a cada um e ao coletivo. Milênios depois, no chão caiçara, nas casas de nossos avós, o ritual dos primeiros tempos era atualizado. A gente não vivia sem histórias!

     São as lembranças dessas histórias - e de muitos momentos nossos! - que se compõem em nossas crônicas, poemas e outros gêneros literários. Hoje, apresento dois poemas: uma do mano Mingo e outro do Miguel, filho do primo Márcio da Fortaleza. 

      Deste modo o Mingo faz a apresentação:

Coloquei mais rimas no seu poema, Zé.   Me acomodei na banco da cozinha,

o fogo ardia devagar,

era lenha que queima fácil:

caneveteiro, tinticuia e ingá.

O gato se destacava no canto,

com os olhos brilhantes da luzerna.

Pensei nas brasas,

em postas de peixes,

em bananas-da-terra...

Biju tinha na cuia.

Voltei aos 10 anos de idade,

ai, que lonjura foi minha saudade!


      Já o Miguel, premiado no concurso de 2023, escreveu:


     Na casa dos meus avós, eu jamais ficava só.

     Fosse de dia ou não, nunca senti solidão.

     Posso me lembrar de tudo que vivi lá,

     Do bolo da vovó ao seu brilho no olhar.

     Só não posso esquecer de uma coisa em particular:

     O pequeno lampião que vivia a me cativar.


      O lampião estava sempre a me salvar.

      Não importava a hora ou lugar.

        Ele vivia a iluminar.

      Mas o que mais gosto de lembrar,

      É o vovô apagando-o para orar.


Observação: eu estava na Biblioteca Publica, na ocasião da premiação. Muito me alegrei saber que gente mais nova, da nossa família, estava no "papo da aranha", na teia da literatura.

2 comentários:

  1. Arrelá, da brasa , da cuia de biju, do lampião aceso, até o brilho do olhar, das lembranças dos tempos de outrora, eu sinto muito a falta, pena que daqui de cima, não consigo ver o mar!

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