quinta-feira, 21 de maio de 2026

...E MORRE NA PRAIA

 

Um lindo ser - Arquivo JRS 

      Ainda no corre-corre com a minha filha acidentada, depois da alienada da crônica anterior, eu me encontrava sentado ao lado de um jovem com o braço quebrado, na altura do cotovelo. Escutei a sua narrativa:

    - Eu tava indo para o trabalho, bem cedinho. Ia pedalando pela rodovia, passando pela Estufa. Quando foi na altura da entrada para a Sesmaria, um caminhão me fechou. Caí e quebrei o braço. Pior que é o mesmo motorista que uns meses atrás atropelou e matou uma criança. Só que comigo não vai ficar barato não! A firma na qual ele trabalha é pertinho de casa, no Parque dos Ministérios, no Ipiranguinha. É uma distribuidora de ferros para construção, de ferragens para obras. Na minha opinião, se eu fosse dono, eu já teria mandado embora esse motorista irresponsável. Agora tô assim, não sei quando poderei voltar ao trabalho. Sou casado, tenho família pra cuidar. Vou entrar na Justiça atrás dos meus direitos.

      Pois é! O pobre leva a pior quando se coloca ao lado dos ricos. Também não se sai nada bem quando busca seus direitos contra uma empresa poderosa, cheia de grana. Tudo porque ainda impera uma estrutura muito cruel, de colonização, na sociedade brasileira.

     Onde para tudo nesse inseguro mar?  No lagamar! Diz um ditado: "Nada, nada, nada... E morre na praia".

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