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- Quando o sal ainda não salgava e o açúcar não era doce?
- Não sabeis? Foi ontem!
- Naquele momento quando o raciocínio subiu como balão, deixando todo mundo de boca aberta?
- Mais ou menos, podemos dizer. Aí veio aquela sonolência que matou a vontade de comer e deixou nossas mentes à deriva.
- Me lembro sim desse momento quando as palavras sumiram, deixaram as letras desarranjada.
- Isso mesmo! Impossível descrever qualquer coisa! O pensamento andava pelo infinito enquanto o finito tinha sumido no horizonte. Queria criar algumas coisa.
- Como criar algo do nada?Quero dizer ir do nada para alguma coisa.
- Não sei se enxergo esse rumo. Até duvido que possamos deduzir.
- Agora estamos no hoje. Dos seres passados herdamos os átomos e essa gama de tudo que nos sustem.
- Isto cria problemas ou ajuda a resolvê-los?
- Veio o começo, espaço e tempo nasceram.
- De onde?
- Provavelmente de outros que se findaram, que vieram de outros que se findaram, que vieram de outros que se findaram... Só depois de espaço e tempo vieram os corpos.
- E dos corpos vieram nossos corpos, né ? Destes, ansiosos e vibrantes, se originou a sociedade e se consolidaram as crenças. Bem mais tarde se definiu a ciência.
- E o amanhã?
- Tudo será surpresa. Somente o desconforto é certo.
- Talvez as luzes e radiações que atravessam imensidões cheguem até nós como suaves melodias ou estonteantes trovões. Caberá aos nossos corpos as interpretações.
- Se haverá de ser assim, elevemos nossas tigelas abastecidas com as leis da natureza. Desse modo nos revigorados.
- Então continuarmos no zero?
- Sim, dele saímos e nele estamos. Do nada veio tudo. Logo, tudo é nada. "Havia trevas sobre a face do abismo".
- Portanto, nada de se estressar com a própria existência.
- Que se vire cada cultura para apresentar seu próprio mito da criação! Eu só digo que foi o cosmos o orientador da nossa existência. Porém, a mente é a atriz principal.

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