sexta-feira, 22 de maio de 2026

ASCENDINO COUTINHO

 

Ascendino - Arquivo Roberto Ferrero

     Tempos atrás o estimado Roberto Ferrero publicou uma fotografia que, ao mesmo tempo, me causou saudades e pesar. O meu amigo Ascendino havia nos deixado. Hoje, faço questão de publicar um texto daquela ocasião, daquele momento que me fez recordar de tantos outros.

     Ascendino era descendente do Odócio e Maria, gente do Ubatumirim que se mudou para a praia da Enseada em busca de melhores condições de vida. A casa deles, no local conhecido por Pedra Branca, era vizinha do Dito Henrique, o velho. O já citado Roberto é bisneto deste.

      Um pouco mais de tempos atrás eu havia estado com o Ascendino no terminal de ônibus, no centro da cidade. Conversamos um pouco, lembramos de pessoas e momentos que vivemos na nossa mocidade naquele trecho envolvendo Perequê-mirim e Enseada. 

     Um tempo mais longe, quando eu entrava na adolescência, Ascendino foi meu parceiro em obras. Éramos serventes dos pedreiros onde, Jorge do Moji, também originário do Ubatumirim, era o encarregado. Numa dessas construções, futuramente Hotel Nosso Cantinho, dávamos conta de atender cinco ou seis pedreiros. Depois nos separamos: ele foi para a pesca e eu fui contratado para trabalhar num bar, mercearia e restaurante. Só de vez em quando ele aparecia para prosear. No entanto, vivia nas pescarias com o meu pai.

      Ascendino, gente nossa, amigo fiel que não hesitava em pedir ajuda e ser um apoio sempre quando era possível, sempre prezou por nossa raiz cultural. E assim se foi mais um caiçara de nossa geração. É a gente passando pela vida. Bem dizia o meu amigo: "A rede tá no mar da vida. Um dia a gente fica no tresmalho que está armado para nós desde que viemos ao mundo".  Bem assim, Ascendino do Odócio e da Maria!

Em tempo: Benedito Henrique foi casado com Judith Cabral. Hoje, na rua Benedito Henrique, no Perequê-mirim, se localiza a creche Judith Cabral. Seguem juntos, né?

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