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| Chegada na praia - Arquivo JRS |
Fato desses dias: pescador da Maranduba, estando arrastando camarão por fora da ilha do Mar Virado, encontra mulher que estava desaparecida há quase dois dias. Ela e um companheiro saíram da Ilhabela numa motonáutica e não retornaram, nem deram notícias. Somente ela estava flutuando, graças ao colete salva-vidas, na imensidão do mar. Foi salva, mas o parceiro continua desaparecido. Ainda bem que um experiente caiçara estava buscando seu sustento por ali!
"Com o mar não se brinca", repetiam os caiçaras mais velhos.
Numa ocasião, lá de longe, na costeira, eu e Fatinha olhávamos o movimento na praia. Mais algumas pessoas conhecidas estavam por ali, no nosso entorno, mas foram se dispersando ao notarem o tempo mudando. Nisso, uma lancha, dessas razoavelmente equipadas, surgiu na linha do jundu. Ela estava sendo empurrada por dois homens. Um deles era o Zé Roberto. Deduzi o óbvio: o meu amigo estaria indo à pesca. Afinal, ele se realiza quando está em pescaria no largo. De repente, do nada, o mar ficou enfurecido, com ondas imensas. Os dois companheiros já estavam embarcados, mas não conseguiam ultrapassar a zona de rebentação.
Eu me assustei quando vi uma onda maior, correndo de sul, ir carregando a lancha barra adentro. Ainda bem! Sem querer, eles foram parar num lugar seguro. Nesse momento eu desci das pedras, fui até o local para conversar, convencer o Zé Roberto que, com aquele tempo, era impossível sair mar afora. Nenhum sinal facilitador era vislumbrado; ninguém deixaria o porto naquelas condições. De repente, nós dois nos viramos na mesma direção do Mar Virado. Céu turvo, ondas ainda maiores e tormenta de vento surrando forte. Foi naquele instante que o Zé concordou comigo, foi retirando as tralhas e se conformando em voltar para casa. "É, Zé, não vale a pena arriscar a vida".
Em tempo: o pescador que resgatou a moça é gente dos Quintino. Os mais antigos dele eram donos da ilha do Tamanduá, defronte a praia da Tabatinga.

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