terça-feira, 13 de abril de 2021

LINGUAGEM PELAS GERAÇÕES

 

Estevan, tio Neco e tio Aristides (Arquivo JRS)

             Avistei a fotografia de uns anos atrás.  Olhei as duas gerações. Notei que eu, o fotógrafo, me encontrava no meio, entre meus tios e meu filho. Ou seja, três gerações estavam ali. Corrigindo: a neta da minha prima chegou logo mais. Portanto, quatro gerações se faziam presentes. Pensei nas palavras que possivelmente não ficam totalmente esclarecidas numa prosa assim, com a presença de diferentes gerações de caiçaras. Lembrei-me do meu amigo Hélio, de Santo André, após uma visita que fizemos ao tio Dito, há muitos anos: "Naquela hora que você conversava com o seu tio, estava difícil de entender do que falavam".


        Logo de entrada o tio Aristides, agora falecido, citava "um banzeiro que acabou com a minha vontade de ir pescar. A barra está transbordando até no terreiro da casa do Chico Romão. E o tempo ainda vai continuar ruim desse jeito. Uma barranceira de nuvem esponjosa e esbranquiçada garante chuva ainda por uns três dias. Vede a barranceira lá nas bandas da Água Branca?".  E o tio Neco rebateu sorrindo: "Mas... Aristides, barranceira também pode ser o barranco do rio, aquela beirada coberta de mato onde os emborês, acarás e lambaris se escondem. Até cágado fica por ali". E perguntou em seguida: "Você se lembra do balseiro que ficava na boca da barra para passar gente no tempo em que ainda não havia a estrada e as pontes?". Expliquei, então, aos mais novos da sala, que balseiro era presença obrigatória nas praias, onde estão os rios mais largos. Uma pessoa, devidamente acertada pela autoridade municipal, ficava fazendo a travessia dos transeuntes nesses rios (Maranduba, Praia Dura, Puruba...). Moradores ou viajantes eram transladados com segurança, em batelões, sem precisar se molhar. Simples assim.


         Então perguntei: "E o que é coração magoado?". "Essa é fácil, mas não sei se os mais novos sabem", rebateu o tio Aristides. Ninguém sabia. Tio Neco completou: "É aquela batata roxa, bem escura. É bem doce. O finado tio Totô só tinha dela em seu roçado. Agora quase nem se vê mais. Será que acabou?". 

        

        Como eu pensei: a linguagem é semelhante a um rio, se renova sempre. Mas vale a pena viajar de vez em quando por ela para notar coisas que vão passando e podem desaparecer de vez da nossa memória. Foi ontem isso, mas... a mode que tem tanto tempo!


segunda-feira, 12 de abril de 2021

QUADRINHA CAIÇARA

 

Cachorro na praia (Arquivo JRS)


               Quando criança, assim que entrei na escola, aprendi novas quadrinhas. Meninos e meninas sempre tinham novidades em forma de versos. Penso que eram antigas, pertenciam à comunidade e passavam por gerações. Na areia do lagamar, mesmo sendo atrapalhados pelos cachorros que queriam brincar, estávamos sempre reproduzindo essas sentenças que se combinavam. Das professoras e professores que tive quando mais novo, me recordo sempre daquela (Dona Valda Virgílio) que exigia de nós um caderno só para esses versos, cantigas de roda e parlendas, onde podíamos ilustrar com desenhos. A mais famosa  -  lógico!  -  era "batatinha quando nasce esparrama pelo chão/ Menininha quando dorme põe a mão no coração". A seguir, uma daquele tempo!


     Trouxe uma sacola

     Só com coisas de escola;

     Merenda não tenho, gente:

     Verdade de quem não mente.


     Pergunta de boboca

     Segue carreiro de taoca:

     Alguém tem aí um docinho

     Para me dar um cuizinho?

 

domingo, 11 de abril de 2021

O MASTRO DE SÃO BENEDITO

 

Mastro de São Benedito em Martim de Sá (Arquivo Caraguá)

          O ano era 2008. Certa vez, estando folgado na praça defronte da igreja matriz de Caraguatatuba, avistei um senhor sozinho sentado tranquilo num banco. De vez em quando alguém passava apenas cumprimentando-o, mas tinha também, vez ou outra, alguém que parava para "um dedo de prosa". Cobicei isto. Me aproximei porque eu também gosto de conversar, sobretudo quando a pessoa é idosa e parece ser gente do lugar. Manoel Herondino era o nome dele. Soube que, num tempo bem antigo, seu avô veio com a família da Caçandoca e se estabeleceu na praia Martim de Sá, onde nasceram as gerações posteriores. A pesca e a roça eram os meios de vida até recentemente. Pensei: "Quer ver que ele ainda é parente meu?!". Batata! Era gente da tia Astrogilda, por parte do pai dela. A mãe era do morro da Raposa. "O tio Anastácio morava perto de nós", dizia o meu pai. Daí a prosa foi longe. Ele conhecera o vovô Estevan, o tio Ezidio e essa parentada toda da Caçandoca. Que legal! 

        Tendo apreciado recentemente uma fotografia antiga da praia em que ele continuava morando, perguntei sobre um mastro que vi , perto de um rancho, no jundu. Então ele se animou mais ainda na prosa:

        "Tinha sim. Era um mastro de São Benedito. Todo ano era renovado, vinha do mato um pau novo para entrar no lugar do outro. Era uma festa muito concorrida; vinha gente de todo lado. Muitos dos parentes da Caçandoca compareciam, eram animados nas cantorias e nos tambores. Vovô dizia que São Benedito era querido por ser como nós, gente preta, e por ter salvado muita gente numa ocasião do tempo antigo, quando traziam escravos do outro lado do mar, da  África. Foi assim: um navio por nome de São Benedito vinha carregado de cativos. Quando faltava pouco para chegar na Bahia, a embarcação naufragou.  Foi um desespero só. O imenso mastro quebrou e ficou flutuando. E todo mundo que estava consciente se agarrou nele. Assim se salvou quase todo mundo. Em agradecimento pela graça, todo ano acontecia em muitos lugares a festa de São Bendito, onde um mastro seguia em procissão, com rezas e cantorias. Era uma coisa que unia a comunidade, sobretudo os negros que reavivavam a memória desse feito do santo. A música principal tinha uma parte que se repetia depois de cada verso. O povo seguia dançando e carregando aquele imenso pau devidamente pintado pelo festeiro escolhido a cada ano. E ia repetindo alegremente: 'Olha o mastro de São Benedito/ Ele é grande, santo e bonito'. Por fim, entre foguetórios, ele era enterrado no jundu. A festa continuava com danças, comidas e bebidas. Varava a noite. De longe, quando a gente vinha da pesca, o mastro servia de referência, aonde queria chegar. Coisa sagrada, rapaz". 

sábado, 10 de abril de 2021

A PEDRA FURADA

 

Estevan e a pedra lascada no último suspiro de Cristo (Arquivo JRS)


Pedra do Canhão (Arquivo JRS)



       O mar amanhecera calmo naquele dia de maré baixa. Olhei para o lado da costeira, no Canto do Joaquim. Na Ponta avistei uma fumaça. Logo pensei em alguém assando pindá, aproveitando os dias sagrados da Semana Santa. "Mas no dia de hoje?". Me lembrei de tantas histórias e de tantos exemplos. Vovô Armiro não trabalhava em nada, nem barba cortava na semana toda. Mané Souza dizia de um grupo de gente que veio de São Paulo e foi puxar rede na sexta-feira da Paixão: "O mar transbordava de peixes, a rede vinha pesada, mas chegava na praia sem nada depois de tanto esforço. Repetiam o lance e era a mesma coisa, nada de peixe, nenhum. Sabe o que foi? Castigo por não guardarem o dia em que Nosso Senhor foi crucificado!". Até a lenha, cortada previamente teria de dar para passar esse tempo de jejum, penitência e oração. Ninguém se aproximava do canto das ferramentas. Então...quem estaria na costeira?

      Acompanhado pelo Peri, o nosso cachorro, segui pelo lagamar, peguei o caminho depois das pedras e cheguei na Ponta. Ali, na proteção da natureza, onde as grandes rochas formam a Fortaleza, me encontrei com o  tio Dário Barreto, filho da minha tia-avó Bertina e do tio Custódio. Era nosso melhor contador de histórias. Estava sentado, tocando uma viola e cantando. Uns paus de lenha estavam no toco, quase inteiramente queimados. Ao me ver, me convidou a chegar mais e se acomodar. "Senta aí, Zezinho. Podemos falar. Só não podemos exagerar porque temos de guardar o dia santo". Contei-lhe da minha curiosidade ao avistar a fumaça, lá da praia. Ele me disse que estava ali desde a véspera, seguindo um costume que era do seu finado pai. "Papai, todo ano, da quinta para a sexta-feira maior, vinha neste lugar para se recolher e rezar. Dizia que o seus antigos já tinham esse preceito. Traziam um instrumento para tocar e cantar; não comiam nada nesse dia inteiro. Só uma moringa de água, daquela ali encostada, servia para aguentar a sede".

     Permaneci um bom tempo fazendo companhia ao titio, escutando sua cantoria religiosa e histórias. O Peri dormiu o tempo todo, parecia estar feliz com aquilo tudo. Quando eu quis saber o motivo de ser ali, naquele lugar, ele explicou: "É porque essa pedra, nossa maior proteção, foi lascada naquele momento de dor, quando Nosso senhor Jesus Cristo deu seu último suspiro num dia como este. Este lugar era sagrado para os portugueses, servia de fortaleza contra piratas que chegavam de longe. Tais vendo ali aquela pedra furada? É a Pedra do Canhão. Naquele furo ficava travado com correntes um canhão virado para o mar, de onde miravam nos navios inimigos. Desde esse tempo, quando passou o perigo, a minha gente tem este local por sagrado. Por isso que eu continuo cumprindo a minha devoção. Rezo, canto e converso com Deus no sossego daqui. Só depois das três horas da tarde eu retorno à minha casa, à minha mulher e filhos. No serão a gente reza na capela com todo mundo".

     Voltei feliz, pelo mesmo caminho que fui. Ainda catei umas goiabas para levar, pois mamãe adorava. Nunca comentei com ninguém a respeito daquele momento com o tio Dário. Ah! Naquele tempo todo mundo era tio e tia da gente, tinham o direito de nos abençoar e de nos corrigir se fosse preciso. Éramos criados e instruídos pelos mais velhos da comunidade.     

       

sexta-feira, 9 de abril de 2021

ISMAEL PEDIA ORAÇÃO

 

O  Adelino morava perto da praia (Arquivo JRS)

      Ismael foi um dos pescadores que morreu na tormenta, quando eu ainda era pequeno. Eles estavam no mar, pescando, no mês de outubro, conforme dizia o meu pai, "quando o seu irmão nasceu". Foi um vento muito forte. Se até barco motorizado sucumbiu, imagine as canoas da nossa terra!

     Ismael era pai da Nair, então esposa do tio Tião. Moravam bem no coração da praia Grande do Bonete. Dona Isabel ficou viúva por um tempo; não demorou muito para se reorganizar na vida com o João Nanico, padrinho da mamãe. A vida seguiu. Depois de uns anos, em ocasião de festa de Sant'Ana (em julho, na capela), eu acompanhei a vovó. Saímos da Fortaleza na metade da tarde, pois queríamos descansar para aproveitar melhor do evento, o segundo mais concorrido daquela comunidade, depois da de São Sebastião, em janeiro. Ficamos hospedados na casa do referido tio. Naquele tempo, as únicas luzes, além do luar, do céu estrelado e dos vaga-lumes, eram as lamparinas à querosene e alguma vela iluminando oratórios em momentos de preces. Nos caminhos escuros,  de raízes e pedras, eram comum dar topadas e esfolar a cabeça de dedos. Mas nada nos desanimava de uma boa festa!

     Depois de tudo, alegres e bem cansados, eu e vovó fomos acomodados num quarto, cuja janela dava para o primeiro pé de cambucá, uma frondosa árvore que dava seus maravilhosos frutos no começo do ano. A vó era medrosa; o neto também. Deitamos, mas o silêncio não queria dizer que estávamos dormindo. De repente, um som discreto dentro do quarto, como um vento que se avolumasse. Ouvi um grito distante, mas vinha de dentro daquele vento. Me arrepiei. O cobertor precisou ser segurado para não sair de cima de mim. Parecia até que alguém puxava. "Ai, meu Deus". Não sei quanto tempo aquilo durou, mas teve um momento final. Notei que voltei a escutar os grilos lá fora, a água  da cachoeira dali de perto e os pássaros da noite se manifestando. Vovó riscou um fósforo, acendeu a lamparina e foi para a sala. Eu continuei quieto. Notando a sua demora, me dirigi silenciosamente ao cômodo que estava iluminado, olhei da porta. Vovó estava ajoelhada defronte ao oratório da casa. Ficou bastante tempo ali, em oração. Voltei a dormir. No dia seguinte, subindo o morro de volta à Fortaleza, ela comentou da noite passada: "Você dormiu bem, Zezinho. Ainda bem! Apareceu uma assombração no quarto. Acho que era a alma do finado Ismael querendo dizer alguma coisa. Eu rezei em sua intenção porque achei que ele pedia oração. De vez em quando essas coisas acontecem. Não foi a primeira e nem será a última vez". Eu só escutei, não fiz nenhum comentário. Hoje, confesso, senti muito medo naquela noite. Abraços à querida tia Nair e ao tio Tião Armiro.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

SONHEI COM O FIDÊNCIO

 

Mestre Davi trabalhando no jundu (Foto: Nelson Schmidt)


    Fidêncio estava debaixo de uma árvore, sentado num tronco caído, deixado para esse fim. Parecia desanimado, mas para quem o conhecia sabia que era esse o seu jeito. Normal. Tinha vindo da pesca. Vivia embarcado; só passava os dias de claro (lua cheia) em casa. Por isso passei em sua casa para uma visita. Prosa boa era com ele mesmo!

   Tiana, a eterna companheira do Fidêncio, mexia na cozinha. Parecia muito atarefada, mas não demorou muito para trazer uma caneca de café para cada um de nós. Deixou na pedra que servia de mesa. A parte plana foi trabalho do Bichinho, um cortador de granito verde, cujo nome encoberto pelo apelido era André. Dizem que se foi, voltou para Muriaé, sua cidade de origem. "Faz falta o danado que fez isso na pedra". "É mesmo", concordou o velho caiçara. E logo emendou na fala:

  "Agora estou na mesma embarcação do vosso padrinho Tobias. É uma firma japonesa, mas deixou de perseguir baleias por causa da lei. Hoje só está na pesca da sardinha. Desta vez pescamos lá para as bandas do Rio de Janeiro, descarregamos em Angra e viemos para Ubatuba. Os dois barcos da parelha estão fundeados no Caisão. Estamos passando o claro aqui e depois seguimos para o Sul, para a pesca da manjuba. É tempo dela. Nesta hora os barcos já devem estar abastecidos de mantimentos. O gelo deve entrar amanhã, na parte da tarde. Depois de amanhã a gente parte de novo mar afora".

   A prosa continuou acompanhada de uma cuia de biju trazida de dentro de casa. "Isto não pode faltar, né Zezinho?". "Não pode mesmo", concordei. "Sabe que por esse mundo afora tem farinha de todo tipo, mas nenhuma se compara com esta daqui? Na semana passada tivemos de pegar um saco de farinha feita em Mambucaba, mas não é a mesma coisa! Até aquele pessoal que entende pouco de fazer farinha notou a diferença. Era muita fiapada pelo meio, caroçuda, quase nem prestando para fazer pirão. Recomendei ao mestre do nosso barco que fosse fazer compra em algum armazém que negocia farinha da nossa gente. O vosso padrinho recomendou que o barco parasse na Fortaleza para comprar do pessoal de lá. Eu concordei. Acho mesmo que não tem produto tão caprichado como aquele dali. Até já sinto o cheiro e o sabor dela. A diferença, penso eu, é que eles sabem cardear bem. Sabeis como é? Você mistura a farinha já torrada anteriormente à massa seca, antes de ser levada ao forno. Depois, sem parar, vai puxando e torrando sem esquecer de rodar nenhuma porção da quantidade misturada. Meu finado pai não se cansava de orientar para por a farinha quente em cima da farinha fria para não murchar. Só não pode ser vagaroso, de braço mole, na hora da torrefação". E assim chegou o serão. Eu mais escutando do que falando naquela ocasião. 

     Agora, essa gente toda já se despediu do mundo. Nesta madrugada sonhei com o terreiro do Fidêncio e o avistei com aquele semblante pouco comum à nossa gente. Da prosa eu me esqueci a maior parte. É normal, depois que a gente acorda só fica a vaga lembrança.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

A CIDADE E AS RUAS

 

Esboço  (Arquivo JRS)

       Eu estava lendo um documento de 1891, do Dr.Esteves da Silva, quando achei a seguinte descrição, sob o título: Topographia da Cidade de Ubatuba.  Transcrevo como está escrito, no português da época. Não estranhe.


        A esnordeste de S. Sebastião, e margem direita do rio Grande e à esquerda do Lagôa, acha-se a cidade em terreno plano, à beira do mar.

    As ruas, quasi todas, são rectas, bem traçadas, e as casas geralmente terreas, existindo, porém, algumas assobradadas e bonitos sobrados.

      Possue 306 casas: a orientação das ruas que sobem do mar é de E. para O. com ligeira inclinação para o norte; e as que cruzam parallelamente á praia, dirigem-se de nordeste para sudoeste. As primeiras recebem francamente a viração do mar e as outras são arejadas pela viração do sul. Conta pouco mais de 14 ruas e 4 praças.

     As principaes denominam-se: Boa Vista, costeando a praia, em frente da bahia, com uma orla de arvoredos; d'esta partem, cortando-a e tomando direcção para o interior da cidade, as seguintes: rua do Rio Grande, do Dr. Esteves, Direita, Conceição, Municipal, S. Miguel e Liberdade. Parallelamente á rua da Boa Vista correm as ruas Benevides, Salvador, Esperança, Formosa, Indayá.

     Há no coração da cidade, uma rua importante pelo grande número de casas de commercio, derivando d'ahi o seu nome de rua do Commercio e onde se depara a casa do Mercado Publico, pertencente á municipalidade.

     A largura das ruas é de 10 a 14 metros, pouco mais ou menos. Possue as seguintes praças: 15 de Novembro, arborisada, beirando o mar e o rio Grande, ahi ha a rampa e o mercado de peixe; 13 de Maio, grande e vasto largo, quasi todo rodeado de pequenas e singelas chacaras; a praça do Programma, local tambem arborisado, occupando o centro o maior chafariz da cidade; e o largo da Matriz, circumdado por lindas palmeiras [...] que contém a Eschola Nocturna para ambos os sexos e uma Bibliotheca Popular; associação particular esta que é proprietaria do edificio e vive com auxilios de seus socios, desde Julho de 1875, epocha de sua fundação.


Mapa da cidade (Arquivo Ubatuba)


   Agora, comparando o esboço que eu fiz com o mapa da cidade, de meados do século XX, sobreviveram as seguintes denominações: Dr. Esteves, Conceição, Benevides (Salvador Correia de Sá e Benevides) e Liberdade. A rua que hoje é chamada de Tomaz Galhardo, outrora Municipal, em meados do século XX era denominada de José Adorno. Ou seja, oficialmente três nomes se sobrepuseram ao mesmo logradouro. Quem sabe, anteriormente, era apenas o caminho do Bito João, ou o carreiro da anta... Vai saber!  E o que aconteceu com aquela água que corria entre as ruas Hans Staden e Cunhambebe, que formava um charco na rua da Liberdade e seguia para a Barra da Lagoa? É a degradação ambiental. A mesma que já acabou com a vida de reinos poderosos.